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Consumo de luxo na revista Conexão Net

16 nov

Era pra eu ter postado antes. Leseira minha. Mas enfim… na revista Conexão Net do mês de novembro tem uma matéria sobre consumo de luxo, em que eu falo sobre as mudanças desse conceito no decorrer da história. Obrigada às jornalistas Grazielle e Samaísa pelo contato.

A Conexão Net é entregue aos assinantes da Net em Fortaleza. Se não for o seu caso, dá para ler online. É só clicar na figura para ser encaminhado ao site.

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O boom dos sites de compras coletivas

3 nov

Se você mora no Brasil e acessa a internet com frequência já deve ter se deparado com promoções tentadoras em sites de compras coletivas. Os mais famosos são o Peixe Urbano e o ClickOn, com descontos de até 90%, mas vários outros têm aparecido nos últimos meses. A idéia deles é ainda mais interessante do que a dos clubes privados, aqueles sites com ofertas de marcas consagradas (que prefiro chamar de outlets virtuais, só coleções antigas).

Por quê? Porque as promoções são geolocalizadas.

Quando morava em São Paulo, valia muito a pena comprar em sites como BrandsClub, Coquelux e Privalia. Afinal quem ia achar ruim ter descontos de até 70% em roupas Gloria Coelho, Neon ou Isabela Capeto, mesmo que de coleções passadas? Até que voltei pra Fortaleza e foi só decepção. Muitas promoções são praticamente anuladas pelo frete. No mês passado mesmo aconteceu com produtos Celso Kamura. Estava lá toda empolgada até colocar o CEP pra fechar as compras. Desisti.

Mas os sites de compras coletivas nos livram desse problema, porque todas as ofertas são na cidade que você indica no cadastro. Funciona assim: a promoção é anunciada, mas só se concretiza se for atingido um número mínimo de compradores em um determinado período de tempo (geralmente 24 horas). Caso essa meta não seja atingida, a promoção é cancelada e o pagamento devolvido. Por isso chama-se compra coletiva, porque é preciso juntar uma quantidade de consumidores pra ativar a oferta.

É um tipo de ação que tem tudo a ver com o boom das redes sociais. Para poder usufruir dos descontos, as pessoas acabam divulgando em suas contas de Orkut, Twitter e Facebook. Tanto que esses sites de compras coletivas já vêm integrados às redes sociais e prometem descontos extras ou outros prêmios a cada amigo conquistado para o clube.

Diferente do que acontece com os clubes privados, em que a gente recebe os produtos em casa, nos sites de compras coletivas, temos cupons que chegam por e-mail e devem ser apresentados na loja (ou apenas o código inscrito nele — importante pra quem está sem impressora, como eu). Isso permitiu que, além de bens, possamos usufruir de descontos em serviços, como salões de beleza, hotéis, spas, bares e restaurantes.

Para a empresa que participa, principalmente se nova no mercado, com redução calculada na margem de lucro, é uma oportunidade para se apresentar, atrair o consumidor ao espaço físico da loja, vender outros produtos e, principalmente, fidelizar o cliente. Por exemplo, essa semana comprei uma promoção para fazer manicure no Clube do Esmalte. Certamente vou fazer a pedicure também, que não estava na oferta, e se gostar do serviço acabo voltando independente da promoção (mas com promoção é melhor, claro).

Mas cuidado com o excesso. São tantos cupons, tantas ofertas maravilhosas, que 5 reais aqui, 20 ali, 50 acolá, quando você se der conta, o cartão vai estar nas alturas. Experiência própria. Afinal, aqui o tempo joga contra. A gente fica com medo de acabar esquecendo e faz a compra no impulso. Não é por acaso que um dos sites tem como slogan “Pensou, perdeu”. E também não custa nada comparar os preços com os demais sites pra ver se não tá levando um desconto de mentirinha.

Para os empresários que resolveram fazer parceria com esses sites, a dica é: se estruturem pra atender a demanda. Além de calcular a redução da margem de lucro, pensem se terão como oferecer o serviço satisfatoriamente a todos que compraram a oferta, uma vez que é colocado um número mínimo, mas não um máximo, para ativar a promoção. Sorvete é rapidinho pra fazer, mas tratamentos estéticos levam bem mais tempo. Se o cliente não se sentir satisfeito, não volta. E ainda faz propaganda negativa.

Alguns sites de compras coletivas pra quem está em Fortaleza:

Barato Coletivo – Site 100% cearense. No momento está cadastrando e-mails de interessados e fechando parcerias, mas promete para esta semana sua primeira oferta. O lançamento será quinta-feira no Degusti.

Peixe Urbano – É o pioneiro no Brasil, com ofertas variadas, mas principalmente bares, restaurantes e salões de beleza. Perdi uma promoção no Boteco Praia e não me perdôo, mas peguei outra da Empório do Pão, padaria viciante de Fortaleza.

Clube Urbano – Inaugurou o formato, nos EUA. O site avisa que Fortaleza estará em breve entre as cidades atendidas. Uma foto do restaurante La Romantica pode ser uma dica do que vem por aí. Ou será mais um #fail?

Imperdível – Nosso parceiro. Sorteamos um curso de automaquiagem da Contém 1g, lembra? Adquiri com eles uma promoção numa clínica estética perto da minha casa, mas ainda não fiz meu combo limpeza de pele + peeling + hidratação. Assim que fizer, comento se valeu a pena ou não.

Click On – Também já está atendendo Fortaleza, principalmente com ofertas em restaurantes e clínicas estéticas, mas ainda não comprei nada com eles.

Save Me – É um agregador de ofertas de diversos sites de compras coletivas (e também clubes de compras). Dá para filtrar os resultados por cidade e categoria. Facilita, né?

Calor, aperto, hostilidade e status

25 out

“Compro, logo existo”
(Colin Campbell: Cultura, Consumo e Identidade)

 

Na minha última viagem a São Paulo a curiosidade meio jornalística, meio acadêmica falou mais alto. Quando me dei conta, estava naquele shopping da região central da cidade, famoso por seus produtos “paralelos” (ou “réplicas”) e “originais sem nota”. É assim que comerciantes e frequentadores chamam os bens falsificados e contrabandeados.

Se sofrer de claustrofobia, não entre. São quatro andares, centenas de estandes e um formigueiro humano carregado de sacolas. Eletrônicos, óculos, relógios, perfumes e bolsas. Muitas bolsas. As campeãs são Louis Vuitton, Victor Hugo, Prada, Chanel e – surpreendemente – Carmim. Entre as mochilas, Diesel, Oakley e em menor escala Kipling.

Reebok está em baixa e Adidas não vale mais a pena – no outlet da Teodoro Sampaio, com sorte, se compra a original por 70 ou 80 reais. Puma e Nike andaram “pegando pesado” na fiscalização e o pessoal resolveu “dar um tempo”. Foi o que me contou uma brasileira que trabalha por lá. Nativos são poucos. “Não confiam em nós, preferem manter as coisas entre eles”, disse. Eles, no caso, chineses e coreanos, em sua imensa maioria.

Se já falam um português monossilábico ou confuso, ao primeiro sinal de barganha ou pergunta mais comprometedora, avisam logo que “português não” e “só dinheiro”. Conversam entre si no próprio idioma, inclusive na nossa frente. Ou seja, podem estar falando qualquer coisa, o que é uma situação bem constrangedora. Às vezes anotam o preço num pedaço de papel ou digitam na calculadora. Estão sempre atentos a câmeras fotográficas e quando fazemos muitas perguntas logo questionam se somos jornalistas. Desconfiança no ar.

Assim como as bolsas, os óculos também seguem uma hierarquia. Expostos quase no corredor as cópias – ou “paralelos” ou “segundas linhas”, como preferem chamar – de Ray Ban Wayfarer das cores mais variadas, por 20 a 25 reais. Protegidos em vitrines réplicas de Ray Ban Aviator, Dior, Chanel, D&G e Cavalli, além de modelos esportivos Oakley. Os perfumes variam mais, geralmente são mais visados os “testers” (aqueles frascos de amostra das lojas) e ninguém se importa com a falta de embalagem.

Na esquina, guardas municipais são presença constante. Mas eles estão ali apenas para manter a ordem urbana, agindo em brigas e tumultos, por exemplo. Não é inoperância, apenas não é da competência deles a fiscalização da legalidade do comércio. Isso fica a cargo da Polícia Federal, que vez por outra aparece por lá e sai com caminhões abarrotados de mercadoria apreendida. Ações como essa costumam acontecer no fim do ano, quando o movimento aumenta por causa do Natal, reveillon e férias.

Logo depois eles voltam ao mesmo comércio. A prática é ilegal, mas as penas são brandas, de 1 a 4 anos de prisão para o crime de contrabando. Como as fiscalizações são poucas e o lucro alto, consideram que o risco vale a pena. É o que me contou outro brasileiro, antes de perceber o olhar recriminador do colega. Estava falando demais. Nem tanto, pois isso não é nenhuma novidade, né? O lugar está sempre cheio de gente em busca do preço mais barato, sem imposto. Mesmo quem já caiu no golpe do iPod recheado de papelão acaba voltando.

Certamente o lucro é alto. Para falar apenas das bolsas, há produtos “paralelos” para todo tipo de poder aquisitivo. As mais baratas “gritam” que são falsas, mas existem outras, bem mais caras, com acabamentos relativamente bons, tanto em costura quanto em ferragens (que é o que mais denuncia bolsas falsificadas, ao oxidar e manchar o couro ou lona), forros e materiais que enganam e até data codes. Vi “réplicas” de Victor Hugo a 300 reais, preço de uma boa peça de couro legítima de uma marca nacional menos famosa. Mas, ah, o brilho do logo… Quem disse que o consumo se dá por necessidade, né?

Todos os dias, multidões enfrentam calor, aperto e hostilidade em troca do poder simbólico de portar uma Louis Vuitton, ainda que não seja autêntica. Incrível o semblante de vitória ao sair do shopping com o “prêmio” em mãos, dentro de sacos de plástico opaco. Embora a mídia estigmatize como consumo popular, não são apenas pessoas de pouco poder aquisitivo que recorrem a essa prática. Cheguei a ver duas irmãs que frequentam os melhores salões de beleza da minha cidade, sempre bem vestidas, com celulares caros nas mãos e Honda Civic no estacionamento. E várias outras parecidas com elas. Fora as que compram de terceiros e de sites que se multiplicam.

Cada vez mais semelhantes ao produto original, as réplicas ganham o status de legítimas, de acordo com quem as usa. Afinal quem desconfiaria dessas moças no salão tão badalado? Mesmo que o monograma seja um pouco mais amarelo ou alça pareça um pouco torta, contextualizado ainda será um marcador social. Muito diferente da moça que porta a mesma bolsa no ônibus, com calça jeans de confecção local e unha descascada de trabalhadora.

A dona legitima a bolsa que legitima a dona.

Ou seja, na experiência de consumo o sistema simbólico se torna cada vez mais importante do que o bem em si.

Entre o hiper consumo e a sustentabilidade

1 set

Hoje tem um pequeno texto meu no Diário do Nordeste, com a minha opinião sobre moda e sustentabilidade. Fiquei super feliz com o convite da Iracema Sales, minha ex-colega de redação e amiga, que assina a matéria principal com a Gilvânia Monique, do Brechó Reivenção, e o pessoal do Bazar Emaús.

Já trabalhei em redação de jornal e sei que, muitas vezes, o espaço no papel é ingrato e temos que recorrer à edição (ou seja, cortar o texto, pra quem é de fora da área) e foi isso que aconteceu. Mas a gente tem blog pra quê, não é mesmo? Então aqui vai o texto na íntegra:

Entre o hiper consumo e a sustentabilidade

Fibras naturais, materiais reciclados e a quase onipresente “ecobag”. Sem dúvida, a indústria da moda está atenta ao desejo da sociedade em contribuir para a preservação do meio ambiente. Mas até que ponto temos práticas sustentáveis de fato na hora de nos vestirmos? Ou estamos nos protegendo atrás do rótulo “ecologicamente correto”? Você já se viu justificando uma compra cara ou desnecessária com um “mas é de algodão orgânico”?

Sem querer desmerecer as inúmeras pesquisas de material e de processos, com descobertas fascinantes, mas tem uma peça nessa engrenagem que não encaixa. Assim como a tecnologia torna celulares obsoletos a uma velocidade que mal conseguimos acompanhar, a indústria da moda tem na novidade seu principal motor. Hoje mais do que nunca, afinal as informações circulam a uma velocidade surpreendente e por espaços antes impensados.

Desfiles duas vezes por ano e delay de meses pra moda chegar as ruas? Passado!

Não espanta o avanço das redes de fast-fashion, com coleções novas nas lojas a cada semana – ou até menos. No Brasil, alguns fatores favorecem esse modo de produção: uma economia em expansão (que sobreviveu até as intempéries de uma crise internacional), a ascensão das classes C e D no mercado de consumo e a grande oferta de crédito. Um cenário tão propício que atraiu não apenas os magazines, mas também lojas de grife, para esse modelo que podemos resumir como “vi ontem – comprei hoje – uso amanhã – semana que vem começo tudo de novo”.

Certamente duas coleções por quinzena movimentam a economia e geram empregos bem mais do que duas coleções por ano. Então qual é o problema? Essa transitoriedade tem seu preço: ao sabor das tendências, esgotam-se os recursos naturais, gera-se desperdício e cresce a poluição. A indústria da moda já dá sinais que elegerá o mocassim como o must have da próxima estação, e o clog que hoje calça os pés de 9 entre 10 it girls voltará a ser um tamanco como outro qualquer e será esquecido no armário – com todo o couro, madeira, água, energia e mão de obra empregados na sua fabricação.

Longe de mim pregar um boicote às novidades, aos estilistas, à moda. Muito menos há intenção de defender um mundo 100% funcional, onde o simplesmente belo e desejável não tem vez. Mas é fundamental que tenhamos consciência do paradoxo que vivemos: a pressão pelo hiper consumo e a necessidade de adotar posturas ecologicamente corretas. Antes de puxar o cartão de crédito para comprar a última it bag, tentar responder algumas perguntas. Quanto estou pagando? Por quanto tempo vou usar? Com que material foi produzido? Em que condições foi fabricado? Vale lembrar que as pessoas fazem parte do meio ambiente e que não são raros os casos de marcas que terceirizam sua produção em países onde as leis trabalhistas são mais frouxas.

Podemos ainda pensar em formas alternativas e sustentáveis de consumo, fazendo uma roupa mudar de aparência ou de dono. Nos Estados Unidos, a crise ressuscitou os famosos garage sales, onde aquelas peças descartadas são vendidas mais baratas na garagem de casa para amigos e vizinhos. Por que não fazer um bazar de trocas informal com as amigas ou explorar a customização? Outra opção é procurar brechós para vender aquela roupa que já caiu no enjôo e adquirir outras. Dá para fazer isso no meio físico e também no virtual, aproveitando todos os revivals que a moda tanto aprecia. Não se trata apenas de uma forma de pagar pouco para se vestir, mas de evitar o desperdício fazendo os objetos circularem e ganharem sobrevida.

Renato, o renovador *

31 maio

Enquanto a mídia noticia os problemas financeiros da Zoomp após sua venda, o criador da marca ícone dos anos 80, Renato Kherlakian, aceita o desafio de emplacar mais um sucesso: a RK Denim.

A geração que curtiu os anos 1980 e meados da década de 1990 lembra do poder de fogo daquele raiozinho amarelo, tão ou mais conhecido do que muita logo internacional. Difícil esquecer tamanho sucesso, mas a hora é de virar a página e começar uma outra história.

Assim Renato Kherlakian, que criou em 1974 a mítica Zoomp, encara sua nova empreitada, a RK Denim, marca feminina de jeans premium, já com 200 pontos de venda no País. Em Fortaleza, a Lugage é a primeira a receber as peças da grife. Enquanto várias empresas deixaram seus investimentos para depois, o estilista retorna ao mercado após o fim do seu acordo de não concorrência com o grupo Identidade Moda, que comprou a Zoomp em 2006. [>>>]

* Matéria minha publicada no Diário do Nordeste.

Promotora quer cota para negros em desfiles

20 abr

Muito se tem falado da cota para negros, proposta do Ministério Público, para a SPFW e das declarações dos envolvidos, como a estilista Glória Coelho, à Folha de São Paulo em matéria sobre o assunto. Como o conteúdo é exclusivo para assinantes, taí o Ctrl-C, Ctrl-V salvador:

Promotora quer cota para negros em desfiles

PAULO SAMPAIO
DA REPORTAGEM LOCAL

As semanas de moda de Paris, Milão e Nova York não perdem por esperar a tendência que a São Paulo Fashion Week está para lançar. De acordo com uma proposta do Ministério Público, as grifes do evento poderão ser obrigadas a cumprir cotas raciais em seus desfiles -no estilo do que já fazem as universidades públicas. Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo na SPFW.
A ideia das cotas é da promotora Déborah Kelly Affonso, do grupo de atuação especial de inclusão do Ministério Público.
“O percentual de modelos negros no evento [em torno de 3%] é bem menor que o de brancos. O objetivo da Promotoria é fazer um acordo de inclusão social. Estabelecer um número mínimo de modelos negros a desfilar”, afirma ela.
No Brasil, 49,7 % da população é composta por negros e pardos, segundo o último censo do IBGE (de 2007).
Apesar da perspectiva de estar na vanguarda mundial da moda, nem todos os estilistas brasileiros, agentes de modelos e produtores parecem felizes com a exigência de usar um percentual -ainda não estabelecido- de modelos negros.
“Acusar a Fashion Week de racismo é um absurdo. O mercado é quem manda. Você acha que alguém seria idiota de dispensar uma negra que fatura milhões?”, pergunta o empresário Eli Hadid, da agência Mega, que diz ter cerca de 13% de negros em seu casting.
A estilista Glória Coelho é da opinião que “a cota pode interferir na obra do estilista”. “Nosso trabalho é arte, algo que tem de dar emoção para o nosso grupo, para as pessoas que se identificam com a gente”, diz.
Para Glória, “na Fashion Week já tem muito negro costurando, fazendo modelagem, muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas, tem negros assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?”

A modelo Emanuela de Paula, 19, que afirma que o mercado de trabalho é limitado para negros

A modelo Emanuela de Paula, 19, que afirma que o mercado de trabalho é limitado para negros

Desproporção
O inquérito da Promotoria tem como ponto de partida reportagens publicadas pela Folha em janeiro de 2008. Naquela temporada, apenas oito dos 344 modelos que desfilaram eram negros -2,3% do total.
A promotora chamou profissionais ligados à SPFW para conversar. Primeiro, se reuniu com o empresário Paulo Borges, criador do evento: “Ele disse que não tem controle sobre quem vai desfilar”, afirma a promotora.
“Em 2007, por causa de problemas de modelos com anorexia, a Luminosidade [empresa que administra a Fashion Week, da qual Borges é sócio] assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Promotoria da Saúde Pública e da Juventude se comprometendo a cumprir uma série de exigências, inclusive em relação à idade mínima das modelos [16]. Isso passou a figurar em uma espécie de “manual das grifes” da SPFW. Agora, ele [Borges] diz que não é possível consignar no manual a exigência da cota. No que é diferente das outras?”, pergunta.
Procurado, Borges mandou dizer por sua assessoria que o fato de ter adotado um filho negro denota, por si, sua posição política clara contra o racismo -por mais que a relação com o filho não seja comercial.
Ele foi chamado para reunir-se com a promotora outra vez, na semana passada, mas alegou que o aviso de recebimento não havia chegado em sua casa e que, no dia, estava em Brasília.
Ainda não há prazo para estabelecer a cota, mas a promotora diz que, caso não se cumpra o TAC, “o caminho é entrar com uma ação contra o evento”.

Se fosse Barack Obama…
Apesar do falatório, Déborah diz que ninguém se opôs formalmente à proposta. Sua preocupação é que houvesse um boicote de estilistas e isso causasse um impacto financeiro ruim no evento. Mas esse risco não existe, garantiram os entrevistados (até porque, boicotar seria assumir publicamente uma postura racista).
Além de Hadid e Borges, ela chamou para conversar o empresário Hélder Dias de Araújo e os estilistas Lino Villaventura e Alexandre Herchcovitch.
Dono de uma agência de modelos negros, Hélder é o único a acusar abertamente a SPFW de prática de racismo. “Claro que existe [preconceito]. É mais social do que racial. Se fosse um Pelé, um Barack Obama, ninguém iria ignorar.”
Ainda assim, Hélder é contra a cota. “O Brasil tem é de tomar vergonha e ver que não é um lugar de raça pura”, diz.
Lino Villaventura não se opõe à cota. Segundo a promotora, o estilista teme, porém, que a exigência leve a uma espécie de desabastecimento de modelos negros no mercado. Lino receia que as agências venham a cobrar “uma fortuna” por eles, já que haverá falta. Procurado, Lino não quis falar.
Alexandre Herchcovitch também não se opõe. “Pra mim, isso (cota) não é problema. Nunca excluí modelo por causa de cor”, diz. Ele não acha que a cota pode interferir na obra do estilista. “Quando se escolhe o modelo, a roupa já está criada. Isso é o mais importante”, diz.
A promotora Déborah também não se sensibiliza com o argumento da interferência na obra de arte. “Há algum tempo ouvi uma entrevista do Paulo Borges onde ele dizia. “Moda não é arte. Moda é serviço, é dinheiro. É um negócio.'”
“Nesse ponto”, conclui ela, “a gente está de acordo”.

Índia com jeitinho brasileiro *

14 abr

No Brasil é assim: não há passarela mais influente do que a novela das oito da Rede Globo. Se Glória Perez situa sua trama na Índia, de imediato o País se torna a bola da vez e o comércio tem que correr atrás para atender o desejo dos consumidores. Ainda mais se conta com uma mãozinha do Oscar, que deu oito prêmios a uma película filmada em Mumbai. Problema: a moda pegou os empresários de surpresa e, com prazo apertado, crise financeira e alta do dólar, as importações ficaram inviáveis. [ >>> ]

Moda cearense se destaca em valor agregado *

Em 15 anos, a indústria de vestuário cearense praticamente quadruplicou o valor agregado de suas exportações. Em 2008, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), descontados os insumos utilizados na produção, o produto feito no Ceará teve um valor médio de US$ 47,58, por quilo. Hoje, é o segundo maior do País, atrás apenas do Rio de Janeiro, onde o valor agregado pelas empresas gira em torno de US$ 68 por quilo. A média nacional é de US$ 34,88. [>>>]

Investimento de R$ 6 mi em centro tecnológico *

Dois dos carros-chefes da economia cearense, os setores têxtil e de confecções ganharão um reforço competitivo até o próximo ano. Com investimento de R$ 6 milhões, funcionará o CTCTV (Centro de Tecnologia da Câmara Têxtil e do Vestuário Ana Amélia Bezerra de Menezes). O projeto arquitetônico e conceitos do empreendimento foram apresentados ontem no Senai da Parangaba, onde também foi lançada sua pedra fundamental. [>>>]

* Matérias minhas publicadas no Diário do Nordeste.