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true love waits

25 mar

Ainda tentando me restabelecer da depressão pós-show. Fiquei mais de 24 horas sem palavras. Somente agora consigo ligar alguns pensamentos.  Entenda! Ainda estava no colégio quando ouvi Radiohead pela primeira vez. Terminei o fundamental, o médio, fiz vestibular, cursei uma faculdade, tranquei outra, concluí uma pós… Uma vida! E sofria ano após ano, com aquelas notas do Lúcio Ribeiro dizendo que desta vez estava certo, que eles vinham para o TIM ou outro festival qualquer.

Ok, true love waits…

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E lá estava eu entre 30 mil pessoas que veriam o show da melhor banda em atividade. Veja bem, no auge, não no fim da carreira. Mas eu ainda não acreditava. Veio Los Hermanos. Mais do mesmo. Era uma pausa no tempo que eles se deram, mas parecia mais jogo pra cumprir tabela de campeonato. Ou vai ver ficou essa impressão porque já vi uma meia dúzia de shows dele. Kraftwerk, classicão. Conhecia pouco, só as obrigatórias, Autobahn, We Are the Robots, The Model… Quem esteve em outros shows dos alemães reclamou, disse que foi igual. Para mim, que via pela primeira vez, foi bem legal. Gostei do uso dos telões, apesar dos descuidos, como o ponteiro do mouse e as luzes acesas em We Are the Robots.

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Mas por mais que eu tenha gostado, ainda assim o Kraftwerk não teria me feito atravessar o país.

Surpresa. O Radiohead subiu ao palco com pontualidade britânica. Digam o que quiserem, “manguem” a vontade, mas meu coração disparou. A primeira, uma música do “In Rainbows”, álbum que fui conhecer apenas horas antes, no avião. Depois uma do “Hail to the Thief”. Na sexta música, Karma Police. E eu pensei que realmente o show ia ser foda, afinal eles já estavam queimando um hit logo no comecinho do show. A platéia, todos  “lost themselves” na segunda voz. Ao vivo, as músicas dos dois últimos álbuns ganharam uma força que não tinha percebido antes. Na volta, no avião, ouvi novamente, de uma maneira completamente diferente.

O repertório foi calcado nesses dois trabalhos, mas teve espaço para concessões. Bem mais do que em outros países. Talvez quisessem saldar a dívida das turnês anteriores que nos deixaram a ver navios. Hits deixados de lado na Europa e Estados Unidos ecoaram forte: Karma Police, Idioteque, Paranoid Android, Fake Plastic Trees e até mesmo Creep, a última, catarse coletiva. Mas também houve surpresas. Jamais imaginei ouvir Talk Show Host, um B-side da trilha sonora de Romeu + Julieta ou ainda True Love Waits, mesmo que tenha sido só um pedacinho na introdução de Everything In Its Right Place – essa mesmo inesperada para mim, pois achava que não funcionaria em show. Engano. [Set list completo aqui]

Tudo isso já estaria ótimo, mas a qualidade do som também surpreendeu. Nunca vi um som tão limpo, ainda mais em um lugar aberto, dava para perceber todas as nuances. As luzes – o que era aquilo!? – deixavam o cenário belíssimo. O telão em vez de mostrar o palco todo estático, era dividido, close em Thom York, close em todos. Pena as falhas em algumas músicas, afinal os telões eram a salvação para os 1.60m como eu.

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SHOW simplesmente. Com todas as letras maiúsculas. Sem firulas, sem “boua notche, Brazil, I love you”, sem camisa da seleção, sem sambinha ou bossa nova. Duas horas e vinte minutos de música, de entrega, sem playback, sem truque. Sim, porque isso também é interagir com o público. A melhor comunicação: o respeito. Três bis. Acho que vi o Thom York sorrir. Meu melhor investimento. Valeu cada centavo da dívida.

É claro que sempre terão aqueles critérios subjetívissimos que me fazem achar que o show poderia ter sido ainda melhor. Tipo tocar No Alarms, No Surprises, já que se entregaram ao hit mesmo. Ou ainda Black Star, sem motivo algum, apenas porque é minha favorita e eu tinha esperança de ouvi-la ao vivo.

Almost perfect, assim foi o show. Por que “almost”? Nada que dependesse da banda. Apenas aquela saída bizarra e perigosa de rebanho, a longa caminhada de volta que deixou o lugar que já era longe como jeito de “fim do mundo da puta que o pariu caralho”, até a desistência de encontrar um táxi livre e encarar o busão Pinheiros lotado, com gente até em cima do pobre do trocador. E claro, o show não foi melhor porque… deixa pra lá.

I want you to notice
When I’m not around
You’re so very special
I wish I was special

[ok, voltei a ter 13 anos, e daí?]

Fotos: Uol e Terra

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Uh, elas estão descontroladas

4 dez

Elas, no caso, significa “eu”. Surtei e me endividei até o pé da testa (porque o pé do pescoço já estava comprometido com Maddie) e comprei o ingresso para ver o Radiohead em SP. Depois eu vejo como pago. O importante é que estarei lá, afinal ver o Radiohead ao vivo é um sonho que alimento desde… ahn, deixe-me ver… desde o Carlinhos!

Que Carlinhos?! Ô povo sem memória!

Cheguei em casa e estava enrolando até chegar 23:00 (aqui não há horário de verão), mas a venda já tinha começado uma hora antes. Ainda bem que existe alguém no mundo para nos avisar. Ao contrário da Madonna, foi tudo de uma facilidade impressionante. Em cinco minutos, fiz o cadastro, comprei os ingressos, paguei, recebi o e-mail de confirmação e quase morri do coração. Agora é contar com ofertas da Gol. Ajuda!