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Marketing: Maxi Moda traz Gloria Coelho e Renato Kherlakian à Fortaleza

12 ago

Quem está em Fortaleza e se interessa por moda além dos desfiles e coquetéis pode marcar na agenda o dia 20 de agosto (sexta-feira da semana que vem). É que será realizado o 3º Seminário de Marketing de Moda do Nordeste, na sala 8 do cine UCI Severiano Ribeiro do Shopping Iguatemi. A programação é extensa, de 8h às 18h, e vale a pena para quem trabalha ou quer trabalhar na área.

Isso porque os temas vão além de apontar tendências prontinhas para o consumo final. São abordados assuntos de validade mais longa e que interessam exatamente a quem está dentro dessa louca engrenagem chamada moda: estratégias de marketing, novos públicos e mídias e alternativas para os segmentos de produção, varejo e atacado de moda. Guardadas as proporções, a proposta é semelhante a do Fashion Marketing, que era tocado por Gloria Kalil algum tempo atrás.

Nessa edição os convidados são os estilistas Glória Coelho (que além da marca homônima, comanda a Carlota Joakina) e Renato Kherlakian (criador da icônica Zoomp, da Zapping e da RK Denim), Alexandre Birman (vice-presidente da Arezzo e criador da Schutz) e a jornalista Crib Tanaka (responsável pelo marketing da Espaço Fashion).

[Momentinho auto-promoção: veja minha entrevista com o Renato Kherlakian, no ano passado]

Eu não fui à última edição porque estava em São Paulo, mas participei do primeiro MaxiModa, em 2008. Na ocasião, vi as palestras do Marcello Bastos, fundador da Farm, e do Alexandre Herchcovitch, que dispensa apresentações, né. Infelizmente, por um choque de pautas, não pude conferir as falas do Paulo Borges (“o cara” da moda no Brasil) e do Christian Hallot, embaixador da H.Stern no Brasil e que já tinha me rendido uma excelente entrevista em outra oportunidade.

Vale a pena?

Fui surpreendida pela palestra do Marcello Bastos. Quem vê a Farm fazendo tanto sucesso hoje com as garotas bronzeadas e bem nascidas não imagina que a marca começou a partir de um fracasso. Foi interessante tirar da história pessoal algumas lições em relação a modelos de marca própria e de franquia (o primeiro negócio mal sucedido foi uma franquia de outra marca) e definição de público-alvo e estratégias de marketing. Já o Herchcovitch, sempre é bom ouvi-lo falar, mas dessa vez me soou menos impactante, talvez porque já o tinha visto em outras ocasiões palestrando sobre o mesmo assunto, então não houve novidade.

Alguns reclamam do preço, mas creio que vale a pena, se você pode ir para todas as palestras (os horários estão lá embaixo, bem direitinho). Além das palestras e do tempo para perguntas e respostas depois, o acesso aos profissionais convidados não é difícil. Pode ser aquela oportunidade de você se apresentar (se não da Gloria Coelho, de algum assistente ou assessor), levar uma amostra legal do seu trabalho, trocar cartões. Além de, claro, conhecer pessoas interessantes que trabalham com  moda aqui no Ceará e – quem sabe? – daí originar novas parcerias.

Maaaas seria ótimo se os empresários locais percebessem o retorno que um funcionário pode dar quando busca conhecimento e subsidiassem algumas incrições. Um preço diferenciado para estudante também não seria mal. Fica uma sugestão para uma próxima edição.

* * *

O MaxiModa é uma realização da 3|3|3 Promo, e conta com o patrocínio do Senac, Fecomércio e Iguatemi. O evento tem o apoio da AD2M Engenharia de Comunicação, Arezzo, Diário do Nordeste, Delfa, Elemídia, Fanor, Jovem Pan, Meia Sola, Musa Lycra, Pantala, Revista Contigo, Sábado, Santa Marta e Use Fashion.

Programação:
8 horas – Credenciamento
9 horas – Abertura do MaxiModa
9h15min – Palestra 1 – Crib Tanaka
11h15min – Palestra 2 – Renato Kherlakian
14h20min – Palestra 3 – Alexandre Birman
16h15min – Palestra 4 – Gloria Coelho
17h50min – Encerramento

Serviço:
Inscrições pelo site www.maximoda.com.br
Preço: até o dia 15, R$ 180 | a partir do dia 16, R$ 200
Informações: (85) 3242.0333 | 3067.2398 | 8696.0333

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Promotora quer cota para negros em desfiles

20 abr

Muito se tem falado da cota para negros, proposta do Ministério Público, para a SPFW e das declarações dos envolvidos, como a estilista Glória Coelho, à Folha de São Paulo em matéria sobre o assunto. Como o conteúdo é exclusivo para assinantes, taí o Ctrl-C, Ctrl-V salvador:

Promotora quer cota para negros em desfiles

PAULO SAMPAIO
DA REPORTAGEM LOCAL

As semanas de moda de Paris, Milão e Nova York não perdem por esperar a tendência que a São Paulo Fashion Week está para lançar. De acordo com uma proposta do Ministério Público, as grifes do evento poderão ser obrigadas a cumprir cotas raciais em seus desfiles -no estilo do que já fazem as universidades públicas. Desde o ano passado, a Promotoria abriu um inquérito para apurar a prática de racismo na SPFW.
A ideia das cotas é da promotora Déborah Kelly Affonso, do grupo de atuação especial de inclusão do Ministério Público.
“O percentual de modelos negros no evento [em torno de 3%] é bem menor que o de brancos. O objetivo da Promotoria é fazer um acordo de inclusão social. Estabelecer um número mínimo de modelos negros a desfilar”, afirma ela.
No Brasil, 49,7 % da população é composta por negros e pardos, segundo o último censo do IBGE (de 2007).
Apesar da perspectiva de estar na vanguarda mundial da moda, nem todos os estilistas brasileiros, agentes de modelos e produtores parecem felizes com a exigência de usar um percentual -ainda não estabelecido- de modelos negros.
“Acusar a Fashion Week de racismo é um absurdo. O mercado é quem manda. Você acha que alguém seria idiota de dispensar uma negra que fatura milhões?”, pergunta o empresário Eli Hadid, da agência Mega, que diz ter cerca de 13% de negros em seu casting.
A estilista Glória Coelho é da opinião que “a cota pode interferir na obra do estilista”. “Nosso trabalho é arte, algo que tem de dar emoção para o nosso grupo, para as pessoas que se identificam com a gente”, diz.
Para Glória, “na Fashion Week já tem muito negro costurando, fazendo modelagem, muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas, tem negros assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?”

A modelo Emanuela de Paula, 19, que afirma que o mercado de trabalho é limitado para negros

A modelo Emanuela de Paula, 19, que afirma que o mercado de trabalho é limitado para negros

Desproporção
O inquérito da Promotoria tem como ponto de partida reportagens publicadas pela Folha em janeiro de 2008. Naquela temporada, apenas oito dos 344 modelos que desfilaram eram negros -2,3% do total.
A promotora chamou profissionais ligados à SPFW para conversar. Primeiro, se reuniu com o empresário Paulo Borges, criador do evento: “Ele disse que não tem controle sobre quem vai desfilar”, afirma a promotora.
“Em 2007, por causa de problemas de modelos com anorexia, a Luminosidade [empresa que administra a Fashion Week, da qual Borges é sócio] assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Promotoria da Saúde Pública e da Juventude se comprometendo a cumprir uma série de exigências, inclusive em relação à idade mínima das modelos [16]. Isso passou a figurar em uma espécie de “manual das grifes” da SPFW. Agora, ele [Borges] diz que não é possível consignar no manual a exigência da cota. No que é diferente das outras?”, pergunta.
Procurado, Borges mandou dizer por sua assessoria que o fato de ter adotado um filho negro denota, por si, sua posição política clara contra o racismo -por mais que a relação com o filho não seja comercial.
Ele foi chamado para reunir-se com a promotora outra vez, na semana passada, mas alegou que o aviso de recebimento não havia chegado em sua casa e que, no dia, estava em Brasília.
Ainda não há prazo para estabelecer a cota, mas a promotora diz que, caso não se cumpra o TAC, “o caminho é entrar com uma ação contra o evento”.

Se fosse Barack Obama…
Apesar do falatório, Déborah diz que ninguém se opôs formalmente à proposta. Sua preocupação é que houvesse um boicote de estilistas e isso causasse um impacto financeiro ruim no evento. Mas esse risco não existe, garantiram os entrevistados (até porque, boicotar seria assumir publicamente uma postura racista).
Além de Hadid e Borges, ela chamou para conversar o empresário Hélder Dias de Araújo e os estilistas Lino Villaventura e Alexandre Herchcovitch.
Dono de uma agência de modelos negros, Hélder é o único a acusar abertamente a SPFW de prática de racismo. “Claro que existe [preconceito]. É mais social do que racial. Se fosse um Pelé, um Barack Obama, ninguém iria ignorar.”
Ainda assim, Hélder é contra a cota. “O Brasil tem é de tomar vergonha e ver que não é um lugar de raça pura”, diz.
Lino Villaventura não se opõe à cota. Segundo a promotora, o estilista teme, porém, que a exigência leve a uma espécie de desabastecimento de modelos negros no mercado. Lino receia que as agências venham a cobrar “uma fortuna” por eles, já que haverá falta. Procurado, Lino não quis falar.
Alexandre Herchcovitch também não se opõe. “Pra mim, isso (cota) não é problema. Nunca excluí modelo por causa de cor”, diz. Ele não acha que a cota pode interferir na obra do estilista. “Quando se escolhe o modelo, a roupa já está criada. Isso é o mais importante”, diz.
A promotora Déborah também não se sensibiliza com o argumento da interferência na obra de arte. “Há algum tempo ouvi uma entrevista do Paulo Borges onde ele dizia. “Moda não é arte. Moda é serviço, é dinheiro. É um negócio.'”
“Nesse ponto”, conclui ela, “a gente está de acordo”.