Tag Archives: Michelle Obama

As mudanças no visual de Dilma

27 set

Há cerca de um mês, Dilma Rousseff conta com a assessoria de estilo de Alexandre Herchcovitch. Apesar da repercussão dessa notícia e da expectativa em torno dos resultados, não temos uma Dilma “super fashion” — e provavelmente não teremos. Esse é o tipo de trabalho em que as pesquisas de tendências contam pouco, muito mais importante é saber interpretar as pesquisas eleitorais.

O modelo que a candidata usou no debate da Record, ontem à noite, foi alvo de piadas no Twitter: estilo "Nosso Lar"

As pesquisas eleitorais sinalizam o que o público-alvo (os eleitores) espera do candidato. A intenção é ajustar a linguagem aos canais de comunicação e aos contextos de recepção. Então é claro que roupa não ganha eleição, mas é mais uma forma de comunicação não-verbal. Uma parte do “pacote” e que precisa ser coerente com o todo (discurso verbal, postura corporal, gestual, etc), de modo a conquistar novos eleitores e não perder os que já ganhou.

Embora o sentido seja vago e pessoal, o SIGNIFICADO é coletivo. Algo tem um certo significado quando uma comunidade de intérpretes atribui a esse algo um mesmo sentido. No caso das roupas, isso pode ser explícito (como os uniformes) ou uma convenção social (no caso vestir-se para o cargo que pretende ocupar).

Vamos ver alguns exemplos na prática. Segundo as primeiras pesquisas, a Dilma tinha dificuldade de obter votos entre os mais jovens. Além de uma linguagem mais coloquial, repara na mudança do modelo nos comícios.

Antes:

Depois:

Antes visual de tia ou professora, com babados e braços de fora. Depois a jaquetinha colorida virou curinga nos palanques. Não sei o material, mas é bem cortada, prática (sem risco de brechas descuidadas ou gordurinhas aparentes) e jovem (sem ser juvenil). As  cores mais claras também deram uma suavizada ao semblante da candidata, que tem fama de brava (quem já a entrevistou, bem sabe!).

Antes:

Depois:

O corte do blazer não apenas alonga a silhueta da Dilma (repara nesse decote), como é mais moderno e sóbrio do que a blusa de babados quando se trata de uma ocasião mais formal (na primeira foto ela está discursando para empresários na Federação das Indústrias do RS e na outra em um encontro com médicos em Brasília). Se a Dilma tem mesmo mais credibilidade por causa de um blazer? Não, mas esse é o lado cruel do código do vestuário: para a maioria dessas platéias, esse é um símbolo de credibilidade.

O fato é que o vestir é simbólico. Não é apenas um pedaço de pano, mas um pedaço de pano que adquire valor. Uma das estratégias de Carla Bruni para “apagar” seu passado é justamente investir num figurino clássico, elegante e sóbrio. O próprio Lula é outro exemplo de mudança de perfil vestimentar. Mas o melhor exemplo ainda é o da última eleição americana.

Sarah Palin, candidata a vice-presidente de John McCain era uma típica dona de casa caipira do Texas, com seus Rs puxados e defensora da família e da tradição, e que tinha entre seus eleitores pessoas que se identificavam com aquele espírito. Quando Michele Obama apareceu como ícone de estilo e elegância, a campanha de McCain quis transformar Palin em Michele.

Foi um tiro no pé. Para os eleitores parecia uma traição com o que ela era (que também era o que ELES eram) e uma imitação. Outra: a campanha gastou milhares de dólares para repaginar seu visual com marcas como Dior e Chanel. Isso no auge da crise econômica mundial que tinha origem nos EUA. Leitura fácil, né? “Nós pagando mais impostos e ela comprando roupas caras!”. Pra piorar, as roupas caras eram de grifes européias. Ou seja, o dinheiro estava indo para lá, não para o país que ela queria representar.

Na mesma época, Michele declara que compra roupas em lojas de departamentos. Entendeu a mensagem, né? É como se ela própria estivesse dando o exemplo de economia e ainda alimentava a esperança de que a americana comum, sem tantos recursos, poderia ter um estilo marcante. Além disso, dava aquela força na divulgação de novos estilistas e de designers de origem estrangeira, mas todos americanos. Acho que agora dá pra entender o que quis dizer por “pacote” imagético lá em cima: era um casal novo, uma nova visão política, novas formas de consumo… O novo que o slogan “Yes, we can” sintetizava aparecia também nas roupas.

Ou seja, só a roupa, descontextualizada, não adianta muita coisa.

>>> PS: Esse post não tem nada a ver com intenção de voto. Primeira Fila não revela seus candidatos. ;)

>>> Pós-post > CONSERTANDO: Apesar de comentadíssima, a consultoria de Alexandre Herchcovitch à Dilma Rousseff não se concretizou. Segundo a assessoria de imprensa do estilista, “devido à agenda de campanha e aos compromissos internacionais do estilista, o projeto de consultoria acabou não sendo efetivado. Devido a isso, em nenhum momento foram usadas criações ou sugestões de Alexandre Herchcovitch”. Erro meu, comi bola, sorry. Mas o resto do post continua válido, gente, porque é evidente que alguém fez uns ajustes no figurino da candidata. E tudo sobre o valor simbólico das roupas permanece.

Fotos: Portal R7, site oficial de Dilma Rousseff e NY Daily News

A pos(s)e de Michelle

23 jan
Isabel Toledo na posse

Isabel Toledo na posse...

Michelle Obama mostrou mais uma vez que é uma mulher de personalidade. Não deseja comparações com Jackie O. ou Carla Bruni. Seu aguardado vestido fugiu das tradicionais escolhas de primeiras-damas americanas, de azul, vermelho e branco – cores da bandeira dos Estados Unidos. Escolheu um reluzente amarelo, cor de esperança e renovação, emblemática da expectativa em torno do governo de Barack Obama, nesses tempos de tanta incerteza, em que todo o mundo parece tatear no escuro. Ainda não sei dizer se gostei da combinação de luva e sapato verde, mas bato palmas novamente por sair do convencional bege. Mas, admito, deixaria o brocado apenas no vestido ou no casaco, para ficar menos over.

Muitos criticaram a forma, sugerindo que um godê seria a melhor opção para disfarçar os quadris largos. Mas devemos lebrar que era inverno, e a primeira-dama não poderia se arriscar a ser vítima de um vento forte em plena posse do marido. E muito do volume visto nas formas de Michelle vinha provavelmente do colete de segurança usada por baixo da roupa. O vestido reto com casaco longo é um daqueles clássicos há décadas. Esse shape foi a única escolha mais convencional. O restante foi pura inovação: nada de estrelados europeus, como Chanel ou Dior, ou figurões americanos, como Calvin Klein, Ralph Lauren ou Diane Von Fustenberg.

Quem vestiu a primeira dama nesse dia tão importante foi Isabel Toledo. À noite, o vestido branco de um ombro só veio de Jason Wu. Ambos são nomes promissores e conceituados, mas apenas entre aqueles que acompanham a moda além do mainstream, o que mostra bem a cara do casal Obama: estilosos, modernos e bem informados (Michelle é a rainha do high-low, misturando estilistas a lojas mais populares, como J.Crew). Vale lembrar que Isabel desembarcou em Nova York nos anos 80, vindo de Cuba — assim como Narciso Rodriguez que a vestiu na festa da vitória, e Jason Wu é um jovem de apenas 26 anos com origens em Taiwan. Mais uma vez, como já havia dito, Michelle parece querer dizer que a nova América vai ser mais aberta a todos.

Há uma frase muita repetida por aí que alguns atribuem a Chanel, outros a YSL, mas independente da autoria, cai bem à situação: se realmente a melhor roupa de uma mulher são os braços do homem que ela ama, Michelle deve ser a mulher mais bem vestida da política internacional. Afinal, nada melhor do que as declarações do maridão, o sorriso apaixonado e a dança mais “afinada” dos bailes da Casa Branca. Como bem disse Edgard Almeida, “pela primeira vez em muitos anos, parece que finalmente os americanos têm um presidente que faz sexo (com a sua esposa!)”.

... e Jason Wu no baile

... e Jason Wu no baile

Sobre Isabel Toledo, veja o comentário de Lilian Pacce:

Tomou ar

9 jan

Após aparecer na televisão americana com um vestidinho de verão preto e branco de apenas US$ 148, comprado na White House/Black Market, a loja foi mais procurada do que nunca. E embarcou na onda de vez: apresenta a coleção The White House Inaugural Collection, “inspirada pelo estilo e graça da nossa futura Primeira Dama, Michelle Obama”. É composta por quatro modelos exclusivos que estão sendo leiloados em ação beneficente em parceria com a fundação The Clothes Off Our Back até 15 de janeiro. A festa da posse será cinco dias depois.

whitehouse


Retrospectiva 2008

29 dez

O que abalou (para o bem e para o mal) a moda em 2008. Uma breve retrospectiva:

Saint Laurente, sempre provocador

Saint Laurent, sempre provocando, até mesmo sua natureza

Morte de Yves Saint Laurent.

Criatividade e talento com as agulhas podem até fazer um bom estilista, mas um verdadeiro gênio é aquele que sabe colocar isso aos anseios da sociedade. Enquanto a mulher lutava para assumir novos papéis, ele criou o smoking para elas. Hoje, é normal uma mulher usando calças, mas em meados dos anos 60, elas podiam ser barradas em hotéis e restaurantes. Não seria sua única provocação. Reconhecidamente tímido, posou nu para a campanha de seu perfume masculino nos anos 70. Foi pioneiro na promoção do prê-à-porter, vendendo roupas a preços menores em sua célebre Rive Gauche, acompanhando as novas necessidades de consumo pós-moderno. “Não fui eu quem mudou, foi o mundo. E este mudará sempre, e nós estamos eternamente condenados a adaptar nossas maneiras de ver, sentir e julgar”, disse na inauguração do famoso endereço. Foi ainda o primeiro a colocar modelos negras na passarela e a transmitir um desfile pela internet.

Michelle Obama fala, suas roupas também

Michelle Obama fala, suas roupas também

Michelle Obama e o figurino inteligente.

Esqueça as primeiras damas de efeito decorativo. Michelle Obama, cria de Princeton e Harvard, discursa tão bem quanto o marido, como provou em debates do qual participou. Alta, magra e bonita, foi alçada à ícone fashion, apontada como a sucessora de Jacqueline Kennedy. Ela aproveita a condição e usa seus vestidos para passar mensagens de parcimônia em tempos de recessão e esquentar a economia americana, ao priorizar marcas e estilistas locais, inclusive lojas de departamento. Yes, we can! A americana comum pode ser tão elegante quanto à primeira-dama. No discurso da posse, usou um Narciso Rodriguez, americano de origem cubana, totalmente condizente com o discurso de seu marido, de diálogo e de fim de barreiras.

A crise mundial e a retração do consumo.

nasdaq

Ninguém passou incólume pelo efeito dominó das bolsas em todo o mundo

Claro que sempre existirão os muito, muito ricos de verdade que darão de ombros para crise e continuarão comprando seus produtos de luxo. Mas a classe média, que responde por boa parte da receita, com óculos, perfumes e bolsas, deve apertar o cinto. No sobe-e-desce das bolsas, grandes conglomerados não admitem, mas se não perderam dinheiro, ganharam menos. A hora é de traçar estratégias para fazer bom uso do orçamento. “Estamos trabalhando duro, focando economias, até mesmo como conceito mental”, disse Miuccia Prada ao jornal italiano La Stampa. Nisso, a Louis Vuitton desistiu de abrir uma nova loja no Japão, a Prada adiou sua entrada no mercado de capitais, Sergio Rossi fechou as portas nos Estados Unidos e as coleções masculinas de Marni e Valentino ficarão de fora da semana de moda de Milão. Semana passada, uma matéria da TV5 francesa mostrava uma repórter tentando – e conseguindo – descontos à vista na compra de vestidos de festa em lojas como a Chanel.

O fim da era de ouro da alta costura

Aposentadoria de Valentino.

Já anunciada ano passado, foi concretizada em janeiro com seu último desfile de alta costura na semana de moda de Paris. Desde a aposentadoria de Yves Saint Laurente, era o último remanescente da geração de ouro da alta costura. Sua saída marca o fim de uma era, de elegância ostensiva e um tanto conservadora. Há tempos, o grupo Permira, controlador da marca, já falava da necessidade de rejuvenescê-la e torná-la mais comercial. Foi esperto. Antes de o mandarem de volta pra casa, como aconteceu com Givanchy, pediu para sair. Agora, gasta sua fortuna ao dolce far niente, de evento em evento, inclusive aqui no Brasil, onde acompanhou a primeira edição do Claro Rio Summer.

A volta das supermodelos.

Claudia Schiffer, Eva Herzigova, Linda Evangelista, Naomi Campbell, Christy Turlington… Não, não é um videoclipe antigo do George Michael. Mas campanhas de marcas como Chanel, Cavalli, Prada e Louis Vuitton em 2008. De acordo com Karl Lagerfeld, “o tempo faz com que elas fiquem mais interessantes e insubstituíveis”. Mais do que isso: fez com elas se tornassem modelos mais representativos para uma parcela considerável de consumidoras, no auge da independência e do poder, inclusive aquisitivo, e que não se identificavam com as modelos cada vez mais jovens na publicidade de marcas tradicionais. Com o know-how adquirido, esse time volta com um novo status, de “embaixadoras” das marcas.

Existe EX-supermodelo?

Existe EX-supermodelo?

Moda é pra ser debatida.

Em 2008, senti na própria pele o quanto a moda ainda é vista como algo menor na academia. Mas minha experiência pessoal não vem ao caso. o que interessa é que as coisas estão melhorando e a moda está deixando de ser apenas vista, o que é importante, para ser também discutida. Finalmente foi realizado o primeiro Congresso Internacional de Moda, em Madri, com participação de Gilles Lipovetsky (nome já bem conhecido de quem estuda moda, não simplesmente acompanha “tendências”), Omar Calabresse e Jorge Lozano, entre outros. Anote aí: a moda “bomba” na semiótica. Em São Paulo, tivemos o Pense Moda – que promete ser intinerante em 2009, com versões reduzidas em outras cidades. Empresários e faculdades cearenses, mexam-se, por favor! Por aqui, o Maxi Moda foi uma boa iniciativa. Esperamos apenas que a próxima edição tenha menos histórias de vida e mais discussões sobre o que nos inquieta na atualidade.

83494829FC031_jmer

Rio de Janeiro, sol, mulatas... O Claro Rio Summer

Claro Rio Summer.

Evento para gringo ver. Trouxe imprensa internacional e compradores estrangeiros para o que, para muitos, temos de melhor e mais vendável, nosso beachwear, mas os negócios não se concretizaram. Algumas marcas mostraram que já estamos bem adiante do fio-dental, que fez a fama brasileira décadas atrás. Mas outras bem que podiam se livrar de alguns clichês, né? Saída com estampa do Cristo Redentor não foi um pouco demais, não? No balanço geral, razoável para uma primeira edição. “O fato de eu ter vindo para o Brasil neste momento já responde à pergunta (sobre a importância dos países emergentes no mercado de moda). Os países emergentes, tenho certeza, serão muito importantes para todo o mundo fashion”, afirmou Valentino à Folha de S. Paulo. Mas a organização do evento precisa descobrir onde estão os nós e desatá-los.

O bafão do Prêmio Moda Brasil.

Se divulgou como o primeiro prêmio da moda brasileira. Não é. Tivemos antes o Abit e o Agulha de Ouro. Depois, misturou concorrentes e jurados no mesmo balaio, levantando uma grande dúvida sobre a lisura do processo. Por fim, mais do mesmo: a premiação levou em conta somente o eixo Rio-SP, especialmente lojas e marcas que estavam dentro do shopping patrocinador do evento.

Melca Janebro - Fashion Rio - Inverno 2008

Desfile de Melca Janebro no Rio Moda Hype 2008

Estilistas cearenses.

A moda cearense deu um salto comercial considerável no último ano. Foi um alívio. Imagino o que é para um estilista ganhar uma certa visibilidade com eventos como o Dragão e depois ter que “se inspirar” no que está “bombando” no Brás e Bom Retiro para as confecções locais. Muitos descobriram que podem ser indepentes ou levar na paralela suas próprias lojas. Driblaram os altos custos de se instalarem em shopping center com pontos comerciais de rua. Um novo reduto se faz na Maria Tomásia, com Mar del Castro, Piorski, Lisblu… Mais adiante um pouco, está a Flor do Mato. Por ali também, a Jô-Iola. No Dionísio Torres, a união faz a força do Coletivo (leia-se Cândida Lopes, Lindeberg Fernandes, Ayres Jr. e outros). Na Monsenhor Tabosa, está a Melca Janebro. Tem outras, mas essas são as que me vieram à cabeça agora, até porque estão no meu armário.

O vestido de Michelle

4 dez

Quem vestirá Michelle Obama no baile da posse? O portal WWD lançou o desafio e pediu que vários criadores desenvolvessem looks para a primeira-dama usar na noite de 20 de janeiro. Entre os 42 croquis, o mainstream da moda norte-americana (Diane Von Furstenberg, Michael Kors, Zac Posen…), pesos-pesados europeus (Karl Lagerfeld, Christian Lacroix) e algumas novidades (como a Rodarte).

55585034

Modelo Thakoon na convenção do partido

Eleita a mais bem vestida de 2008 pela Vanity Fair antes mesmo de tomar posse, Michelle sabe que os olhos do mundo estão sobre ela e seu marido. Inteligente, sabe que ser alçada ao posto de “ícone fashion” pode fazer mais do que massagear o ego. Pode ser passar recados, pode ser política.

Durante a campanha, optou por marcas pouco conhecidas (Donna Ricco, J. Crew, Maria Pinto), novidades (Thakoon, Jason Wu) e nas entrevistas dizia ser uma grande consumidora de lojas de departamentos, como a H&M e White Black House Market. E se deu melhor perante a opinião pública do que a chuva de dólares gasta no visual de Sarah Palin em plena crise econômica e impostos a rodo na população americana.

O baile é tradicional, a Casa Branca também, mas não se pode dizer o mesmo de seus novos ocupantes. Posso estar enganada, mas não creio que Michelle Obama escolha um dos medalhões sugeridos pelo portal WWD. Ok, foi Narciso Rodriguez que criou o vestido da festa da vitória. Mas não esqueçamos, um medalhão latino, descendente de cubanos. Não importa se o modelo estava bonito ou feio, como se opinou a torto e a direito, mas não havia nada mais apropriado ao discurso de Barack Obama. O discurso das mudanças, da tolerância, das minorias (como eles) e do fim das barreiras.

Familia Obama e sua harmonia até nas cores

Na festa da vitória, vestido Narciso Rodriguez e a família Obama mostra sua harmonia até nas cores