Tag Archives: Prada

Voilà Magritte et Duchamp

4 maio

longchamp

bolsa longchamp (2009)

groupage

camisetas energie / miss sixty (2009)

dormir

vestido dormirpradespertar (2008)

“fallen shadows”, by prada (2008)

tshirt2

camiseta zazzle

segredovitorio2

adesivo o segredo do vitório

mike-art-1

anel alisa miller (2009)

hussein

hussein chalayan (2009)

manray

man ray (mannequin with two coats and hats beside her), mannequin by duchamp (1966)

Retrospectiva 2008

29 dez

O que abalou (para o bem e para o mal) a moda em 2008. Uma breve retrospectiva:

Saint Laurente, sempre provocador

Saint Laurent, sempre provocando, até mesmo sua natureza

Morte de Yves Saint Laurent.

Criatividade e talento com as agulhas podem até fazer um bom estilista, mas um verdadeiro gênio é aquele que sabe colocar isso aos anseios da sociedade. Enquanto a mulher lutava para assumir novos papéis, ele criou o smoking para elas. Hoje, é normal uma mulher usando calças, mas em meados dos anos 60, elas podiam ser barradas em hotéis e restaurantes. Não seria sua única provocação. Reconhecidamente tímido, posou nu para a campanha de seu perfume masculino nos anos 70. Foi pioneiro na promoção do prê-à-porter, vendendo roupas a preços menores em sua célebre Rive Gauche, acompanhando as novas necessidades de consumo pós-moderno. “Não fui eu quem mudou, foi o mundo. E este mudará sempre, e nós estamos eternamente condenados a adaptar nossas maneiras de ver, sentir e julgar”, disse na inauguração do famoso endereço. Foi ainda o primeiro a colocar modelos negras na passarela e a transmitir um desfile pela internet.

Michelle Obama fala, suas roupas também

Michelle Obama fala, suas roupas também

Michelle Obama e o figurino inteligente.

Esqueça as primeiras damas de efeito decorativo. Michelle Obama, cria de Princeton e Harvard, discursa tão bem quanto o marido, como provou em debates do qual participou. Alta, magra e bonita, foi alçada à ícone fashion, apontada como a sucessora de Jacqueline Kennedy. Ela aproveita a condição e usa seus vestidos para passar mensagens de parcimônia em tempos de recessão e esquentar a economia americana, ao priorizar marcas e estilistas locais, inclusive lojas de departamento. Yes, we can! A americana comum pode ser tão elegante quanto à primeira-dama. No discurso da posse, usou um Narciso Rodriguez, americano de origem cubana, totalmente condizente com o discurso de seu marido, de diálogo e de fim de barreiras.

A crise mundial e a retração do consumo.

nasdaq

Ninguém passou incólume pelo efeito dominó das bolsas em todo o mundo

Claro que sempre existirão os muito, muito ricos de verdade que darão de ombros para crise e continuarão comprando seus produtos de luxo. Mas a classe média, que responde por boa parte da receita, com óculos, perfumes e bolsas, deve apertar o cinto. No sobe-e-desce das bolsas, grandes conglomerados não admitem, mas se não perderam dinheiro, ganharam menos. A hora é de traçar estratégias para fazer bom uso do orçamento. “Estamos trabalhando duro, focando economias, até mesmo como conceito mental”, disse Miuccia Prada ao jornal italiano La Stampa. Nisso, a Louis Vuitton desistiu de abrir uma nova loja no Japão, a Prada adiou sua entrada no mercado de capitais, Sergio Rossi fechou as portas nos Estados Unidos e as coleções masculinas de Marni e Valentino ficarão de fora da semana de moda de Milão. Semana passada, uma matéria da TV5 francesa mostrava uma repórter tentando – e conseguindo – descontos à vista na compra de vestidos de festa em lojas como a Chanel.

O fim da era de ouro da alta costura

Aposentadoria de Valentino.

Já anunciada ano passado, foi concretizada em janeiro com seu último desfile de alta costura na semana de moda de Paris. Desde a aposentadoria de Yves Saint Laurente, era o último remanescente da geração de ouro da alta costura. Sua saída marca o fim de uma era, de elegância ostensiva e um tanto conservadora. Há tempos, o grupo Permira, controlador da marca, já falava da necessidade de rejuvenescê-la e torná-la mais comercial. Foi esperto. Antes de o mandarem de volta pra casa, como aconteceu com Givanchy, pediu para sair. Agora, gasta sua fortuna ao dolce far niente, de evento em evento, inclusive aqui no Brasil, onde acompanhou a primeira edição do Claro Rio Summer.

A volta das supermodelos.

Claudia Schiffer, Eva Herzigova, Linda Evangelista, Naomi Campbell, Christy Turlington… Não, não é um videoclipe antigo do George Michael. Mas campanhas de marcas como Chanel, Cavalli, Prada e Louis Vuitton em 2008. De acordo com Karl Lagerfeld, “o tempo faz com que elas fiquem mais interessantes e insubstituíveis”. Mais do que isso: fez com elas se tornassem modelos mais representativos para uma parcela considerável de consumidoras, no auge da independência e do poder, inclusive aquisitivo, e que não se identificavam com as modelos cada vez mais jovens na publicidade de marcas tradicionais. Com o know-how adquirido, esse time volta com um novo status, de “embaixadoras” das marcas.

Existe EX-supermodelo?

Existe EX-supermodelo?

Moda é pra ser debatida.

Em 2008, senti na própria pele o quanto a moda ainda é vista como algo menor na academia. Mas minha experiência pessoal não vem ao caso. o que interessa é que as coisas estão melhorando e a moda está deixando de ser apenas vista, o que é importante, para ser também discutida. Finalmente foi realizado o primeiro Congresso Internacional de Moda, em Madri, com participação de Gilles Lipovetsky (nome já bem conhecido de quem estuda moda, não simplesmente acompanha “tendências”), Omar Calabresse e Jorge Lozano, entre outros. Anote aí: a moda “bomba” na semiótica. Em São Paulo, tivemos o Pense Moda – que promete ser intinerante em 2009, com versões reduzidas em outras cidades. Empresários e faculdades cearenses, mexam-se, por favor! Por aqui, o Maxi Moda foi uma boa iniciativa. Esperamos apenas que a próxima edição tenha menos histórias de vida e mais discussões sobre o que nos inquieta na atualidade.

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Rio de Janeiro, sol, mulatas... O Claro Rio Summer

Claro Rio Summer.

Evento para gringo ver. Trouxe imprensa internacional e compradores estrangeiros para o que, para muitos, temos de melhor e mais vendável, nosso beachwear, mas os negócios não se concretizaram. Algumas marcas mostraram que já estamos bem adiante do fio-dental, que fez a fama brasileira décadas atrás. Mas outras bem que podiam se livrar de alguns clichês, né? Saída com estampa do Cristo Redentor não foi um pouco demais, não? No balanço geral, razoável para uma primeira edição. “O fato de eu ter vindo para o Brasil neste momento já responde à pergunta (sobre a importância dos países emergentes no mercado de moda). Os países emergentes, tenho certeza, serão muito importantes para todo o mundo fashion”, afirmou Valentino à Folha de S. Paulo. Mas a organização do evento precisa descobrir onde estão os nós e desatá-los.

O bafão do Prêmio Moda Brasil.

Se divulgou como o primeiro prêmio da moda brasileira. Não é. Tivemos antes o Abit e o Agulha de Ouro. Depois, misturou concorrentes e jurados no mesmo balaio, levantando uma grande dúvida sobre a lisura do processo. Por fim, mais do mesmo: a premiação levou em conta somente o eixo Rio-SP, especialmente lojas e marcas que estavam dentro do shopping patrocinador do evento.

Melca Janebro - Fashion Rio - Inverno 2008

Desfile de Melca Janebro no Rio Moda Hype 2008

Estilistas cearenses.

A moda cearense deu um salto comercial considerável no último ano. Foi um alívio. Imagino o que é para um estilista ganhar uma certa visibilidade com eventos como o Dragão e depois ter que “se inspirar” no que está “bombando” no Brás e Bom Retiro para as confecções locais. Muitos descobriram que podem ser indepentes ou levar na paralela suas próprias lojas. Driblaram os altos custos de se instalarem em shopping center com pontos comerciais de rua. Um novo reduto se faz na Maria Tomásia, com Mar del Castro, Piorski, Lisblu… Mais adiante um pouco, está a Flor do Mato. Por ali também, a Jô-Iola. No Dionísio Torres, a união faz a força do Coletivo (leia-se Cândida Lopes, Lindeberg Fernandes, Ayres Jr. e outros). Na Monsenhor Tabosa, está a Melca Janebro. Tem outras, mas essas são as que me vieram à cabeça agora, até porque estão no meu armário.

Crazy fashion world

24 nov

Impressão minha ou this fashion world enlouqueceu completamente?
Adoro bacon, mas no meu macarrão a carbonara ou num McQualquerCoisa, não assim. Só me resta dizer ME.DO

Mal refeita desse susto, dou de cara com fotos do nightclub que a Prada inaugurou em Londres e que a Vogue UK classificou como “uma tacada de gênio”. Desculpa aí, mas quando a PRADA abre uma boate, a gente não espera que ele se pareça com uma barraca da Praia do Futuro.

Até cadeira de plástico tem!

Até cadeira de plástico tem!

A bolsa ou a vida

16 out

“A moda é um luxo, não é uma necessidade, ela deve fazer sonhar”, afirmou o estilista Marc Jacobs ao jornal francês “Le Monde”, na Semana de Moda de Paris. Foi uma grande rabissaca a quem lhe perguntava sobre a crise mundial que dominava – e ainda domina – as machetes. Só que, por mais que a indústria da moda faça de conta que não é com ela, não é beeeem assim, não. Tirando os ermitãos que vivem de luz, todo o resto do mundo é afetado quando uma crise nessas dimensões nasce e cresce bem no meio do coração capitalista: os bancos.

Paris - Louis Vuitton Spring 09, by Marc Jacobs

Paris - Louis Vuitton Spring 09, by Marc Jacobs

Não é a primeira crise econômica por que o mundo passa. Pode-se dizer que a Grande Depressão de 1929 foi maior (afinal o que são 13 bancos quebrados, diante de mais de 1.500? Isso só nos EUA), mas veja o quanto o mundo mudou em quase 80 anos! Um banco quebra aqui, ferra uma empresa do outro lado do oceano – ou até um país inteiro, veja o caso da Islândia. E desta vez diversas gigantes da moda serão atingidas frontalmente. No século XXI, uma empresa familiar fechadinha virou coisa do passado. O planeta fashion é dos super-conglomerados, como LVMH (Louis Vuitton, Fendi e Moët & Chandon, entre outras) e PPR (que controla o grupo Gucci), por exemplo. E eles se capitalizam onde mesmo? No mercado de ações!

Na bolsa de valores de Paris, é possível adquirir ações da Hermès ou Dior. Em Milão, temos Valentino e Hugo Boss, do grupo Parmira. Nos EUA, Ralph Lauren. Agora, pense: as estimativas apontam que o mercado acionário global (a soma de todas as bolsas do mundo) já perdeu mais de US$ 15 trilhões com a crise. É MUITO dinheiro, é como se toda a economia do Brasil tivesse evaporado umas oito vezes (o PIB nacional é de US$ 1,9 trilhão). Se eu fosse acionista de qualquer empresa, de moda ou não, de luxo ou não, certamente estaria surtando uma hora dessas. Óbvio que quanto mais forte é uma marca, menos suscetível ela fica à volatilidade do mercado. Mas ninguém passa incólume pela ciranda financeira. Duvida? Olha o gráfico da LVMH:

J'Adore, um dos perfumes mais vendidos no mundo

J'Adore, um dos mais vendidos no mundo

Na França, a indústria da moda só perde para o turismo na geração de divisas para a economia. É uma força gigantesca! Diante de tal cenário, analistas de mercado já apontam que as grifes terão que investir ainda mais em um caminho no qual já vinham seguindo: uma clientela maior e menos seleta. Claro que sempre existirão ricos no mundo, mas nos últimos anos o mercado de luxo vem sendo alimentado por uma classe média que faz malabarismos com o orçamento, mas sabe o que é bom. Gente que não pode se atrever num vestido de alta costura Dior by Galliano, mas que compra um frasco de J’Adore ou expreme no cartão de crédito um óculos, uma bolsa, um chaveirinho…

Ok, falar em recessão é exagero, mas que o ritmo deve cair, isso deve. Depois de crescer 13% em 2007, o segmento de luxo espera uma expansão mundial de no máximo 8% neste ano, segundo a Eurostaf, consultoria do grupo que edita o jornal econômico francês “Les Echos”. Com seus tradicionais mercados (Europa, EUA, Japão) em declínio, especialistas ouvidos pelo jornal apontam que o movimento dessas empresas deve ser nos países emergentes, com economias em expansão, que não estão tão ligados ao epicentro da crise e com um consumo interno aquecido.

Loja da Tiffany em SP

São países como Brasil, Rússia, Índia e China, que não por acaso formam no “economês” a sigla BRIC e que responderam por 26% das vendas da Louis Vuitton em 2007. E aí o nosso país tem pontos positivos e negativos: por um lado, o mercado de luxo cresceu 35% entre 2000 e 2006 e já temos Tiffany, Chanel, Dior, Burberry… por outro, o público consumidor se concentra em SP (principalmente) e Rio. Sem falar na violência…

A Prada, que tinha anunciado a intenção de abrir seu capital em 2008, não é boba nem nada: está tudo suspenso até o mercado se acalmar.

E lembra do tal “Gisele Bundchen Stock Index”, que subia alucinadamente, que passava a Dow Jones e tal? Pois é, despencou. Nem Gisele segurou a crise.

* Não tem jeito. Depois de anos no batente, por mais que eu me esforce pra não falar de bolsas e crises e tais, a repórter de economia acaba gritando!