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E Brigitte desconstruiu BB

15 jul

A última vez que vi Brigitte Bardot foi em um documentário exibido aqui no Brasil pela GNT. Envelhecida, pouca vaidade, saúde frágil… A atriz que já foi o rosto da França (servindo de modelo a bustos de Marianne, a mítica guardiã da Constituição) hoje é tratada com escárnio. Em parte por suas declarações polêmicas em relação a migração e homossexualidade, mas também por sua preferência à companhia dos animais a dos seres humanos.

BB, em foto mais recente

BB, em foto mais recente

Mas a ridicularização se deve um outro tanto porque saiu dos holofotes e, principalmente, porque abandonou o próprio corpo depois disso. Enquanto todos querem ser eternamente jovens, bonitos e saudáveis, a última aparição de BB foi exatamento o oposto disso tudo: de muletas, a atriz tentava entregar um documento em prol dos animais em algum gabinete do governo francês. Foi barrada. Foi triste, mas muitos ridicularizaram. Nem todos são capazes de entender opções conscientes que fujam dos seus próprios valores.

Creio que BB tem consciência também do valor que seu corpo teve. Sim, ela o usava para se promover e a indústria cinematográfica se aproveitava, mas a imagem da mulher jamais seria a mesma depois dele. Imagine o fim dos anos 50 e início dos 60: o maior símbolo sexual do cinema era Marilyn Monroe. A bombshell hollywoodiana parecia construída para saciar o fetiche masculino: cabelos artificialmente louros e bem arrumados, roupas muito bem cortadas e ajustadas, maquiagem carregada, mas sempre com uma certa ingenuidade (veja a Sugar, de “Quanto Mais Quente Melhor”). Vários clones platinados surgiram em sua cola. Até aparecer Brigitte Bardot: nua, descabelada, fumante, natural. À vontade com seu corpo e com os olhares que suscitava.

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Então não é apenas bla-bla-bla pra justificar a exposição a fala de Henry-Jean Servat: “esta manifestação vai contar sobre a vida de BB, mas também a nossa (dos franceses). BB escreveu uma  página da história da França e provocou mudanças  na sociedade da época”. Emancipação feminina, pílula anticoncepcional, liberação sexual… você já ouviu essa história.

No auge da fama e da beleza, Brigitte tinha Ted Lapidus como estilista favorito e chegou a desfilar para Roberto Cavalli nos anos 70. Quando se retirou da cena pública, rompeu também com a moda. Sua última relação foi de confronto: em 2006, protestou contra o uso de peles nas coleções do francês Jean Paul Gaultier.

Claudia Schiffer (90's) e Lara Stone

Claudia Schiffer (90's) e Lara Stone (2009)

BB abdicou da moda, mas a moda não se esqueceu dela. Antes de Lara Stone, Claudia Schiffer já foi “a nova Brigitte Bardot”. Essa ânsia não é à toa. Além da estonteante beleza e do que ela representou pra época, não são poucas as indumentárias que a atriz popularizou: as camisetas pretas, calças capri, sapatilhas Repetto, o xadrez vichy, os vestidos leves e decotados e, sobretudo, o biquíni (foi uma das primeiras a adotá-los).

Muitas delas estão em evidência agora e devem continuar por mais algumas temporadas.

Olha as botas acima do joelho de BB e o desfile da Giles

Botas acima do joelho (Giles)

Flower power de BB e Mischa Barton

Flower power (Mischa Barton)

Navy de BB e na campanha da Triton

Navy (campanha da Carmim)

>>> Apesar do sucesso, Brigitte era considerada uma atriz menor diante das contemporâneas e compatriotas Catherine Deneuve e Jeane Moreau. Para quem quiser vê-la em ação para tirar a dúvida, a Universal Pictures lançou recentemente no Brasil “O Melhor de Brigitte Bardot”, uma coleção com “Quer Dançar Comigo?”, “Garota Levada” (de Michel Boisrond) e “O Repouso de Um Guerreiro” (Roger Vadim). Mas os que eu recomendo mais fortemente são “E Deus Criou a Mulher” (Vadim) e “O Desprezo” (Godard).

>>> O dueto Bonnie & Clyde com Serge Gainsbourg:

ADORO!

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Brigitte Bardot vem aí

13 jul

400

E Deus criou Brigitte Bardot em 1934. Roger Vadim a catapultou para o mundo 22 anos depois. Foi uma sensação, um escândalo, todos sabemos. Até que um dia ela saiu de cena e passou a se dedicar aos direitos dos animais. Agora, prestes a completar, em setembro, 75 anos — 35 deles reclusa, a fenomenal BB volta involutariamente aos holofotes.

Cartaz da exposição na França

Cartaz da exposição na França

A partir de 29 de setembro, o Museu dos Anos 30, na França, apresentará uma grande exposição em homenagem à musa. Anunciada como “uma viagem na carreira da atriz”, a mostra terá retratos feitos por Andy Warhol, Richard Avedon, Sam Levin e Pierre Boulat, além de correspondências enviadas por Alain Delon e Jean-Paul Belmondo.

O diretor da exposição, Henry-Jean Servat, explica que  “esta manifestação vai contar sobre a vida de BB, mas também a nossa (dos franceses). Brigitte Bardot escreveu uma  página da história da França e provocou mudanças  na sociedade da época”.

O quadrinista Joann Sfar está se lançando como diretor de cinema, com Vie Heroique. O filme retratará a vida de outro ícone francês, Serge Gainsbourg, músico, ator, cineasta e pegador nas horas vagas (e nas não vagas também). E entre suas conquistas amorosas estava Brigitte Bardot, no auge da fama e da beleza, com quem fez célebres parcerias musicais. A modelo Laetitia Casta interpretará a musa nas telas. BB deve ganhar sua própria cinebiografia pelas mãos de Kyle Newman (confesso ter zero referência dele). Jaime King, que atuou em The Spirit, será o rosto da atriz.

Laetitia Casta como BB em "Vie Heroique"

Laetitia Casta como BB em Vie Heroique

Mas não é só no cinema que ela está aparecendo. Veja a capa de julho da W Magazine, com Lara Stone, apontada como a nova Brigitte Bardot – título que já haviam dado a Claudia Schiffer no passado. E onde eu já havia visto esse make? Ah, no desfile de inverno 2010 da Chanel! Karl Lagerferl até já tinha colocado um tantinho de BB na coleção de 2007, inspirada em Amy Winehouse (o “negativo” de Bardot, segundo ele).

Lara Stone na W, make da Chanel e BB em 1967

Lara Stone na W, make da Chanel e BB em 1967

Arrisco dizer que Siena Miller e Kate Moss também são um pouquinho BB. Aliás é da musa francesa a voz do comercial do Miss Dior Chérie, dirigido por Sofia Coppola e rodado em Paris.

No Brasil, vimos o desfile de verão da Têca (Fashion Rio). Helô Rocha diz ter se inspirado livremente nas divas francesas Jane Birkin e Brigite Bardot. Na Neon (SPFW), o tema “calçadão urbano” foi mote para silhuetas como essa da foto abaixo.

BB em Búzios e desfile da Têca (Fashion Rio)

BB em Búzios, no verão de 64, e desfile da Têca (Fashion Rio)

Bem no comecinho da carreira, aos 19 anos, e desfile da Neon na SPFW

Bem no comecinho da carreira, aos 19 anos, e desfile da Neon na SPFW

Continua amanhã…