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Brigitte Bardot vem aí

13 jul

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E Deus criou Brigitte Bardot em 1934. Roger Vadim a catapultou para o mundo 22 anos depois. Foi uma sensação, um escândalo, todos sabemos. Até que um dia ela saiu de cena e passou a se dedicar aos direitos dos animais. Agora, prestes a completar, em setembro, 75 anos — 35 deles reclusa, a fenomenal BB volta involutariamente aos holofotes.

Cartaz da exposição na França

Cartaz da exposição na França

A partir de 29 de setembro, o Museu dos Anos 30, na França, apresentará uma grande exposição em homenagem à musa. Anunciada como “uma viagem na carreira da atriz”, a mostra terá retratos feitos por Andy Warhol, Richard Avedon, Sam Levin e Pierre Boulat, além de correspondências enviadas por Alain Delon e Jean-Paul Belmondo.

O diretor da exposição, Henry-Jean Servat, explica que  “esta manifestação vai contar sobre a vida de BB, mas também a nossa (dos franceses). Brigitte Bardot escreveu uma  página da história da França e provocou mudanças  na sociedade da época”.

O quadrinista Joann Sfar está se lançando como diretor de cinema, com Vie Heroique. O filme retratará a vida de outro ícone francês, Serge Gainsbourg, músico, ator, cineasta e pegador nas horas vagas (e nas não vagas também). E entre suas conquistas amorosas estava Brigitte Bardot, no auge da fama e da beleza, com quem fez célebres parcerias musicais. A modelo Laetitia Casta interpretará a musa nas telas. BB deve ganhar sua própria cinebiografia pelas mãos de Kyle Newman (confesso ter zero referência dele). Jaime King, que atuou em The Spirit, será o rosto da atriz.

Laetitia Casta como BB em "Vie Heroique"

Laetitia Casta como BB em Vie Heroique

Mas não é só no cinema que ela está aparecendo. Veja a capa de julho da W Magazine, com Lara Stone, apontada como a nova Brigitte Bardot – título que já haviam dado a Claudia Schiffer no passado. E onde eu já havia visto esse make? Ah, no desfile de inverno 2010 da Chanel! Karl Lagerferl até já tinha colocado um tantinho de BB na coleção de 2007, inspirada em Amy Winehouse (o “negativo” de Bardot, segundo ele).

Lara Stone na W, make da Chanel e BB em 1967

Lara Stone na W, make da Chanel e BB em 1967

Arrisco dizer que Siena Miller e Kate Moss também são um pouquinho BB. Aliás é da musa francesa a voz do comercial do Miss Dior Chérie, dirigido por Sofia Coppola e rodado em Paris.

No Brasil, vimos o desfile de verão da Têca (Fashion Rio). Helô Rocha diz ter se inspirado livremente nas divas francesas Jane Birkin e Brigite Bardot. Na Neon (SPFW), o tema “calçadão urbano” foi mote para silhuetas como essa da foto abaixo.

BB em Búzios e desfile da Têca (Fashion Rio)

BB em Búzios, no verão de 64, e desfile da Têca (Fashion Rio)

Bem no comecinho da carreira, aos 19 anos, e desfile da Neon na SPFW

Bem no comecinho da carreira, aos 19 anos, e desfile da Neon na SPFW

Continua amanhã…

Retrospectiva 2008

29 dez

O que abalou (para o bem e para o mal) a moda em 2008. Uma breve retrospectiva:

Saint Laurente, sempre provocador

Saint Laurent, sempre provocando, até mesmo sua natureza

Morte de Yves Saint Laurent.

Criatividade e talento com as agulhas podem até fazer um bom estilista, mas um verdadeiro gênio é aquele que sabe colocar isso aos anseios da sociedade. Enquanto a mulher lutava para assumir novos papéis, ele criou o smoking para elas. Hoje, é normal uma mulher usando calças, mas em meados dos anos 60, elas podiam ser barradas em hotéis e restaurantes. Não seria sua única provocação. Reconhecidamente tímido, posou nu para a campanha de seu perfume masculino nos anos 70. Foi pioneiro na promoção do prê-à-porter, vendendo roupas a preços menores em sua célebre Rive Gauche, acompanhando as novas necessidades de consumo pós-moderno. “Não fui eu quem mudou, foi o mundo. E este mudará sempre, e nós estamos eternamente condenados a adaptar nossas maneiras de ver, sentir e julgar”, disse na inauguração do famoso endereço. Foi ainda o primeiro a colocar modelos negras na passarela e a transmitir um desfile pela internet.

Michelle Obama fala, suas roupas também

Michelle Obama fala, suas roupas também

Michelle Obama e o figurino inteligente.

Esqueça as primeiras damas de efeito decorativo. Michelle Obama, cria de Princeton e Harvard, discursa tão bem quanto o marido, como provou em debates do qual participou. Alta, magra e bonita, foi alçada à ícone fashion, apontada como a sucessora de Jacqueline Kennedy. Ela aproveita a condição e usa seus vestidos para passar mensagens de parcimônia em tempos de recessão e esquentar a economia americana, ao priorizar marcas e estilistas locais, inclusive lojas de departamento. Yes, we can! A americana comum pode ser tão elegante quanto à primeira-dama. No discurso da posse, usou um Narciso Rodriguez, americano de origem cubana, totalmente condizente com o discurso de seu marido, de diálogo e de fim de barreiras.

A crise mundial e a retração do consumo.

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Ninguém passou incólume pelo efeito dominó das bolsas em todo o mundo

Claro que sempre existirão os muito, muito ricos de verdade que darão de ombros para crise e continuarão comprando seus produtos de luxo. Mas a classe média, que responde por boa parte da receita, com óculos, perfumes e bolsas, deve apertar o cinto. No sobe-e-desce das bolsas, grandes conglomerados não admitem, mas se não perderam dinheiro, ganharam menos. A hora é de traçar estratégias para fazer bom uso do orçamento. “Estamos trabalhando duro, focando economias, até mesmo como conceito mental”, disse Miuccia Prada ao jornal italiano La Stampa. Nisso, a Louis Vuitton desistiu de abrir uma nova loja no Japão, a Prada adiou sua entrada no mercado de capitais, Sergio Rossi fechou as portas nos Estados Unidos e as coleções masculinas de Marni e Valentino ficarão de fora da semana de moda de Milão. Semana passada, uma matéria da TV5 francesa mostrava uma repórter tentando – e conseguindo – descontos à vista na compra de vestidos de festa em lojas como a Chanel.

O fim da era de ouro da alta costura

Aposentadoria de Valentino.

Já anunciada ano passado, foi concretizada em janeiro com seu último desfile de alta costura na semana de moda de Paris. Desde a aposentadoria de Yves Saint Laurente, era o último remanescente da geração de ouro da alta costura. Sua saída marca o fim de uma era, de elegância ostensiva e um tanto conservadora. Há tempos, o grupo Permira, controlador da marca, já falava da necessidade de rejuvenescê-la e torná-la mais comercial. Foi esperto. Antes de o mandarem de volta pra casa, como aconteceu com Givanchy, pediu para sair. Agora, gasta sua fortuna ao dolce far niente, de evento em evento, inclusive aqui no Brasil, onde acompanhou a primeira edição do Claro Rio Summer.

A volta das supermodelos.

Claudia Schiffer, Eva Herzigova, Linda Evangelista, Naomi Campbell, Christy Turlington… Não, não é um videoclipe antigo do George Michael. Mas campanhas de marcas como Chanel, Cavalli, Prada e Louis Vuitton em 2008. De acordo com Karl Lagerfeld, “o tempo faz com que elas fiquem mais interessantes e insubstituíveis”. Mais do que isso: fez com elas se tornassem modelos mais representativos para uma parcela considerável de consumidoras, no auge da independência e do poder, inclusive aquisitivo, e que não se identificavam com as modelos cada vez mais jovens na publicidade de marcas tradicionais. Com o know-how adquirido, esse time volta com um novo status, de “embaixadoras” das marcas.

Existe EX-supermodelo?

Existe EX-supermodelo?

Moda é pra ser debatida.

Em 2008, senti na própria pele o quanto a moda ainda é vista como algo menor na academia. Mas minha experiência pessoal não vem ao caso. o que interessa é que as coisas estão melhorando e a moda está deixando de ser apenas vista, o que é importante, para ser também discutida. Finalmente foi realizado o primeiro Congresso Internacional de Moda, em Madri, com participação de Gilles Lipovetsky (nome já bem conhecido de quem estuda moda, não simplesmente acompanha “tendências”), Omar Calabresse e Jorge Lozano, entre outros. Anote aí: a moda “bomba” na semiótica. Em São Paulo, tivemos o Pense Moda – que promete ser intinerante em 2009, com versões reduzidas em outras cidades. Empresários e faculdades cearenses, mexam-se, por favor! Por aqui, o Maxi Moda foi uma boa iniciativa. Esperamos apenas que a próxima edição tenha menos histórias de vida e mais discussões sobre o que nos inquieta na atualidade.

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Rio de Janeiro, sol, mulatas... O Claro Rio Summer

Claro Rio Summer.

Evento para gringo ver. Trouxe imprensa internacional e compradores estrangeiros para o que, para muitos, temos de melhor e mais vendável, nosso beachwear, mas os negócios não se concretizaram. Algumas marcas mostraram que já estamos bem adiante do fio-dental, que fez a fama brasileira décadas atrás. Mas outras bem que podiam se livrar de alguns clichês, né? Saída com estampa do Cristo Redentor não foi um pouco demais, não? No balanço geral, razoável para uma primeira edição. “O fato de eu ter vindo para o Brasil neste momento já responde à pergunta (sobre a importância dos países emergentes no mercado de moda). Os países emergentes, tenho certeza, serão muito importantes para todo o mundo fashion”, afirmou Valentino à Folha de S. Paulo. Mas a organização do evento precisa descobrir onde estão os nós e desatá-los.

O bafão do Prêmio Moda Brasil.

Se divulgou como o primeiro prêmio da moda brasileira. Não é. Tivemos antes o Abit e o Agulha de Ouro. Depois, misturou concorrentes e jurados no mesmo balaio, levantando uma grande dúvida sobre a lisura do processo. Por fim, mais do mesmo: a premiação levou em conta somente o eixo Rio-SP, especialmente lojas e marcas que estavam dentro do shopping patrocinador do evento.

Melca Janebro - Fashion Rio - Inverno 2008

Desfile de Melca Janebro no Rio Moda Hype 2008

Estilistas cearenses.

A moda cearense deu um salto comercial considerável no último ano. Foi um alívio. Imagino o que é para um estilista ganhar uma certa visibilidade com eventos como o Dragão e depois ter que “se inspirar” no que está “bombando” no Brás e Bom Retiro para as confecções locais. Muitos descobriram que podem ser indepentes ou levar na paralela suas próprias lojas. Driblaram os altos custos de se instalarem em shopping center com pontos comerciais de rua. Um novo reduto se faz na Maria Tomásia, com Mar del Castro, Piorski, Lisblu… Mais adiante um pouco, está a Flor do Mato. Por ali também, a Jô-Iola. No Dionísio Torres, a união faz a força do Coletivo (leia-se Cândida Lopes, Lindeberg Fernandes, Ayres Jr. e outros). Na Monsenhor Tabosa, está a Melca Janebro. Tem outras, mas essas são as que me vieram à cabeça agora, até porque estão no meu armário.

Chanel em 10 minutos

9 dez

Livros, peças de teatro, filmes biográficos e… Well, quem ainda não falou de Coco Chanel em seu 125º aniversário? Pois enfim… chegou a vez de seu sucessor, Karl Lagerfeld, diretor de criação da maison desde que me entendo por gente, produzir o curta “The Silent Film”, que teve sua avant-premiére semana passada. Em Paris, obviamente.

Com 10 minutinhos, foi filmado em P&B como um filme mudo. Dividido em duas partes, a primeira é situada em 1913, no começo da carreira da estilista, quando ela “ganhou” do amante sua primeira loja de chapéus. Romance esse que acabou tragicamente. A segunda se passa em 1923, durante a Primeira Guerra, e mostra seu relacionamento com o Grand Duke Dmitri Pavlovich , de quem adaptou os ternos para o corte feminino.

Para o elenco, Lagerfeld escolheu amigos, como dois de seus modelos preferidos, Brad Koening e Edita Vilkeviciute, que vive Coco Chanel.

Este é o teaser:

Para ver o filme inteiro, é seguir por aqui. [aviso: dependendo do seu computador, pode levar quase uma vida para carregar]

Atente para o reloginho com o logo da grife enquanto o filme carrega e para os diálogos, digamos espirituosos, como:

– Quem fez esse horror que você está vestindo?
– Poiret

E eu com isso?

17 out

Se eu não compro Dior ou Chanel mesmo, o que eu tenho a ver com isso? Não existe só luxo na Europa e EUA. A C&A nossa de cada dia, por exemplo, é holandesa. Mas mesmo na raiz do meu Brasil brasileiros sobram alguns respingos. Digamos que eu seja dona de uma confecção e estava contando com um empréstimo de um banco brasileiro para pagar algumas dívidas, comprar umas máquinas ou contratar mais gente para atender as encomendas de Natal. O fato é que o crédito minguou no mundo todo, aqui também. Então, nêga, eu ia ter que me virar. Alguns planos podem ser adiados – os equipamentos novos, por exemplo – mas outros não. Se me encomendaram, eu tenho que entregar. Se eu tenho dívida, é melhor pagar. Em resumo, é aquela história de cobrir os pés descobrindo a cabeça. E na maioria dos casos, quem fica descoberto e acaba pagando a conta é o consumidor.