Plus size, desinformação, preconceito e o “rodeio de gordas”

27 out

Esta semana as Lojas Renner anunciaram que duas de suas marcas, Cortelle e Marfinno, iriam disponibilizar suas coleções em numerações maiores, até o manequim 54. Coisa a se comemorar, principalmente ao ver as primeiras fotos de divulgação, como essas ao lado. Roupas coloridas, estampadas e com modelagem variada. Uma das reclamações mais constantes que escuto de amigas com manequim acima do 44 é que normalmente só encontram roupas muito sérias ou muito retas — a temida silhueta de máquina de lavar ou botijão de gás. Sim, infelizmente o mercado de confecções leva milhões de mulheres a tratarem a si mesmas dessa forma depreciativa.

Foram apenas duas marcas, em somente uma rede de lojas, mas foi um passo importante. Já há alguns meses vemos revistas fazendo editoriais com modelos chamadas “plus size” ou “curvy” (que, vá lá, são o “size” da maioria, nada de “plus”). Bacana para a auto-estima, mas faltava encontrar as peças nas araras. As meninas viam, mas não podiam vestir. O mais legal da iniciativa da Renner é que eles não criaram uma linha à parte, mas incorporaram as numerações maiores a linhas que já existiam, naturalizando os mais diversos manequins que encontramos no Brasil. Diferente do que acontece no mundo das revistas e sites, em que os editoriais e conteúdos são sempre segregados e ganham o odioso rótulo. Mas isso é assunto pra outro post.

No último Colóquio de Moda, conheci a Fabiana Medeiros, de Porto Alegre, que pesquisa o assunto. Olha só: praticamente metade da população tem sobrepeso ou obesidade. Ela entrevistou 400 mulheres com numeração acima do 44 e mais de 90% delas não estavam satisfeitas com as opções de vestuário disponíveis no mercado brasileiro para o seu manequim. Claro. Ela esteve em 40 lojas e apenas 24 vendem o manequim 46. À medida que a numeração vai aumentando, as opções vão desaparecendo. Três lojas tinham o manequim 50, duas o 52 e uma o 54. E ter o manequim não significa variedade, às vezes trata-se de uma ou duas peças. Tipo pegar ou largar, gostar é secundário.

Infelizmente pessoas com muito prestígio na moda contribuem para que essa engrenagem continue empacada para uma enorme parcela da população. Desculpe, chamar uma pessoa fora de um padrão estabelecido (por quem?) de “anomalia” não é opinião, não é liberdade de expressão ou de imprensa, é simplesmente, além de deselegante e desrespeitoso, uma tremenda irresponsabilidade com a informação que está passando e com as opiniões que está formando. Porque estamos falando das “papisas” da moda, que muita gente segue cegamente como inquestionáveis. Gloria Kalil não é a única. Já vi muitos jornalistas, blogueiros e consultores falando da “apologia à obesidade”, do risco de se encorajar um comportamento pouco saudável, etc.

Pois bem, adivinha o que a Fabiana fez em sua pesquisa? Em vez de ficar no achismo, foi ouvir quem entende do assunto, os profissionais da área de saúde, psicólogos, nutricionistas, educadores físicos. Vamos lá:

1. Sobrepeso não é necessariamente sinônimo de doença, principalmente se o caso for de massa muscular e não de acúmulo de gordura (lembro de uma amiga descendente de alemães, cuja estrutura óssea de toda a família é larga, ela nunca será 38)

2. Existe o sobrepeso por origem genética, sem ligação alguma com maus hábitos, em pessoas que se alimentam bem, fazem exercício físico regular, não bebem, não fumam (então não culpe alguém por sua gordura)

3. Se ver representada na mídia e conseguir comprar roupas do seu tamanho não incentivam o descaso com a própria saúde, pois a auto-aceitação é o fundamental para uma mudança comportamental (roupas que a valorizem ajudam no processo)

É muito triste constatar que vivemos uma época em que a própria saúde é espetacularizada na forma do corpo, pois não é só a saúde que importa, mas a imagem do corpo saudável (que a mídia, o mercado e a sociedade elegeram como sendo o corpo magro, como se não houvesse milhões de magros doentes por aí).

Sim, nós, jornalistas (e blogueiros também) temos nossa parte de responsabilidade nisso. A cada vez que cobramos que uma cantora, cujo trabalho é com a voz, retome a forma após um parto. Quando colocamos uma foto de uma atriz e destacamos, não seu trabalho, mas seus culotes. Ou se chamamos atenção para uma “apologia da obesidade” que não faz sentido.

Nos acostumamos tanto a esse pensamento e a metáforas baratas com baleias e elefantes (aparentemente tão inocentes, né?) que alguns acham “normal” tratar suas colegas como gado, desde que sejam “gordas”, claro.

Entre a palavra e o gesto há menos diferenças do que podemos imaginar.

25 Respostas to “Plus size, desinformação, preconceito e o “rodeio de gordas””

  1. flávia d. outubro 27, 2010 às 6:40 pm #

    adorei o post!!!

  2. Lili outubro 27, 2010 às 6:57 pm #

    Lembro que li uma entrevista de uma brasileira que foi descoberta por um olheiro nos EUA pra ser modelo “plus size”. Ela comentava que o mercado lá já era enorme, com roupas “normais” (como as da Renner), e que ela achava um absurdo como as gordinhas eram tratadas no Brasil (tanto que estava planejando lançar uma marca neste segmento por aqui em breve). E essa entrevista dela ficou na minha cabeça.

    Não sou gordinha mas sei bem o que é ter nas costas esse comparativo absurdo de padrão de beleza. Sou uma dessas de ossos largos, que quando MUITO magras, tipo doentes, cabem num manequim 38. E minha irmã, pequena e magrinha, sempre me chamava de gorda na adolescência.

    Nunca liguei muito pra isso porque não sou o tipo fashion, que lê “Nova” ou “Boa Forma”, ou que preza padrões estéticos. Mas sempre me irritou muito essa alienação, essa demonização com o diferente. Porque não só as gordinhas sofrem, mas também as muitos altas, com pés muito grandes, etc., ou seja, todas que não parecem a Deborah Secco.

    O que é mais esquisito é que quem perde realmente não disponibilizando produtos pra esses consumidores é o próprio mercado, que deixa de faturar.

    Tomara que estejamos saindo desse buraco.

  3. Sandro Varela outubro 27, 2010 às 7:08 pm #

    Meus parabéns! Não é porque alguma pessoa determinou que todo o Brasil seguirá o mesmo padrão, até pq temos gordos e magros no país todo, de Norte a Sul, de Leste a Oeste.
    A nossa maior riqueza é a nossa diversidade cultural, étnica e não temos uma população completamente magra. Por isso, é bom que as empresas de vestuário se adequem a população e não a população se adequar as suas roupas.

  4. Érika outubro 27, 2010 às 8:38 pm #

    Brilhante. Viu o artigo absurdo na Marie Claire? Estava no TT Mundial ontem. http://www.marieclaire.com/sex-love/dating-blog/overweight-couples-on-television

  5. iaranegrini outubro 27, 2010 às 9:03 pm #

    Menina adorei você! rsrs!! O post está perfeito e coberto de razão. Li aqui você citando a Glória Kalil, e até que enfim “vi” alguém citando o que acontece no site dela. Um certo dia entrei num canal “plus size” do site e me deparei com matérias do tipo: Perca a celulite” ou então ” Dieta não sei o que lá” . Nem preciso dizer né.

    Depois que engordei uns bons e belos quilos (é claro que num primeiro momento fazia dietas e queria ser magra)e percebi que gostava realmente do meu corpo virei totalmente uma pesquisadora das mulheres grandes e com curvas, e super ativista e defensora. É claro que não acho toda mulher gordinha linda só por ser gordinha assim como não existe 100% de mulheres magras lindas. Mas no meu blog O Al The Divas insentivo a todas a se cuidarem, cuidarem da saúde (que não quer dizer ser magra) e se espelharem em todas as curvys ou plus sizes mais lindas que existem, mostrando que podemos ser fabulosas com toda a nossa volúpia!

    Bom… devo ter falado muito, por isso parabéns pela matéria, pelo blog e pela personalidade.

    bjos Iara Negrini

  6. Taís outubro 27, 2010 às 9:56 pm #

    Olha, a Claudia Milk nao tem cintura! Rs.

  7. Nanda outubro 27, 2010 às 9:58 pm #

    Oie!
    Parabéns pelo post!
    Hoje encontramos algumas peças nas lojas Marisa, e importante por um preço que eu considero acessível.
    Só pelas fotos que vi hoje, fiquei super curiosa!
    Beijos

  8. Georgia outubro 27, 2010 às 11:17 pm #

    Enquanto a Renner lança numeração até o 54, a C&A anunciou que só fará roupas até o 48, deixando os tamanhos maiores de fora das suas lojas e ainda chamou essa atitude de democratização da moda. Aham. E a modelo que alguém falou nos comentários é a Flúvia Lacerda, mais famosa que ela no meio plus-size só a Crystal Renn, e olhe lá.

    Como sempre teus textos muito lúcidos e corretos, na medida, parabéns!

  9. Tainah outubro 27, 2010 às 11:42 pm #

    Uma amiga disse pra mim certa vez:
    “Eu seria feliz se fosse 10 centímetros mais alta, 15 quilos mais magra, meu nariz fosse mais fino e o rosto tivesse maçãs.”

    Bom, ela é muito bonita, mas por ser o oposto do padrão das revistas quer dizer que deva ser infeliz?

    Tenho pena de quem não se aceita.
    Acordar um dia ou outro de mal com o espelho é normal, mas não se gostar é muito triste.

    Só mais uma coisa!
    A gente tá se acostumando com modelos mulheres plus size.
    MAS E OS HOMENS???
    Tá na hora de dar lugar pros fofinhos não bombados, né não?

    :D

  10. Bárbara Araújo Machado outubro 28, 2010 às 9:35 am #

    Muito legal o post!

    Mesmo as modelos plus size tem várias limitações e padrões (afinal, apesar de não serem 36, elas ainda são modelos). É claro que isso é melhor que nada, mas veja só essa foto que você posto do “curves ahead”: não tem nada “fora do lugar” nessas mulheres, elas continuam sem celulite, lindas, perfeitas e apenas não raquíticas, mas, do meu ponto de vista, ainda magras e saradas! Se elas são plus size, eu sou obesa! =P
    Não sei se uma foto dessa levanta a auto-estima de uma menina que veste os tamanhos que a Renner tá anunciando. A moda aumenta um pouquinho seu raio de ação, mas pra padronizar e ainda te fazer sentir um pedaço de lixo.

  11. Ana Carolina Silveira outubro 28, 2010 às 11:12 am #

    Nossa, maravilhoso o post!
    Eu sou dessas pessoas grandes, na altura e compleição física, que meu eu magro não veste menos de 42. Tenho sobrepeso, por sorte estou voltando ao 46, mas achar uma calça que caia bem é quase uma missão impossível.
    E fico boba quando vejo a tal “apologia à obesidade”. Que apologia???? O que vejo é justamente o contrário: obesos, não precisam se esconder em casa, vocês podem estar na moda, se divertirem, se relacionarem como qualquer outra pessoa. A apologia da magreza e do “corpo perfeito” é muito mais prejudicial. Tenho horror à Boa Forma justamente pela venda dessa imagem – cantora, faça uma lipoaspiração junto da cesariana para ser capa de revista, apareça linda e de biquíni com uma série de restrições, uma carga de exercício inumana e a perda do prazer. Complicado demais isso.
    E muito bom saber que uma loja coloca em sua linha normal os tamanhos plus-size…

  12. bertagna outubro 28, 2010 às 2:19 pm #

    Coxas de jogador http://t.co/4z6NybU

  13. AnaHaruna outubro 28, 2010 às 3:13 pm #

    Adorei seu post.
    Inspirada nele fiz um post contando um pouco da dificuldade de quem é gordinho.
    Parabéns pelo texto.
    Abraços

  14. Fernanda Prado outubro 28, 2010 às 3:18 pm #

    Fiquei passada com a Glória Fútil Kalil e com sua preconceituosa pesquisa inútil. Para ela gordo nem é gente. Pra mim, ela é uma velha retocada e esquisita de gosto duvidoso. Baba ovo de modelos. Dispensável.
    Todos estão falando do rodeio das gordas, mas para mim o post dela chamando as pessoas de anomalia é também um tipo de buyling virtual. Se toca, perua! Desculpem o desabafo, pessoal!

  15. Fernanda Prado outubro 28, 2010 às 3:21 pm #

    Ah! Desculpem-me de novo, mas mil Cláudias não dão uma Ivete. A Ivete assumiu suas curvas no pós-parto e cantou para valer. É isso aí!

  16. Mariana Ferreira outubro 28, 2010 às 6:00 pm #

    Parabéns pela sua coerência e lucidez!

    Assinei Boa Forma por um bom tempo até que realmente tomei ojeriza da revista. A questão é que qualquer pessoa que se disponha a realmente passar do manequim 54 para o 40 não vai fazer isso se sentindo um lixo porque a mulher (de plástico fotoshopado) da capa é que é a boa, a gostosa, a da bunda empinada e da barriga retinha. Para se ter uma idéia: como assim uma revista dedicada a pessoas com sobrepeso/obesidade, que precisam perder 6kg em um mês nunca fez um mísero editorial plus size? Também nunca teve uma negra na capa, mas isso é outra história.

    Nessas coisas de cantora/atriz/modelo gorda/magra uma que ganhou meu respeito foi a Ivete Sangalo, que engordou mesmo, não fez lipo mesmo e é mãe do filho dela mesmo, sem essa marquetagem de tirar leite no trio elétrico. Ela mostrou que é uma pessoa, uma mulher que engorda, que tem tendência a engordar e cujo peso quando voltar ao que era antes, será por meios naturais.

    Quanto às modelos plus size “com tudo em cima”, não vamos esquecer que elas também merecem photoshop, então não devem ser também um padrão a ser alcançado. O importante é que elas existem e estão aí, mostrando que não precisa ter IMC 17 para ser gostosa e ter a auto-estima elevada e que a gente sempre pode buscar um corpo bonito e atraente, independentemente do tamanho.
    Beijos!

  17. Jefhcardoso outubro 28, 2010 às 6:58 pm #

    Oi! Tudo bom? Quero comentar sobre o rodeio, ok? Eu vejo este fato como um sinal de uma cultura extremamente preconceituosa e hipócrita. Todos sabem que 99% dos estudantes das públicas são os filhinhos das mamães, eles serão os cidadãos respeitados do futuro, e veja como eles respeitam as pessoas no presente. Enquanto as pessoas não competirem em igualdade de condições por vagas nas universidades públicas, esse tipo de gente vai infestar nossas universidades e depois a nossa sociedade. Essa gente que participou deste ato não é digna de ensino de qualidade. Pérolas aos porcos. É o que penso. Abraço!

    “Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jefhcardoso)

    http://jefhcardoso.blogspot.com

  18. @pirabelle outubro 28, 2010 às 9:11 pm #

    Arrasou!

  19. Ana Brasil novembro 1, 2010 às 4:33 pm #

    Adorei o post!!!
    Nunca fui magra e sempre carreguei esse estigma comigo, até porque, sinceramente, o mundo meio que parece ser feito para os magros! Sou estilista, amo moda e sou muito vaidosa, mas são poucas as opções de roupas “reais”, bonitas, jovens e descoladas para quem veste por exemplo 44!
    http://charminhodaldeia.blogspot.com

  20. Paulinha novembro 1, 2010 às 11:21 pm #

    A atitude mostrada pela Renner é de se aplaudir. Obviamente que essa abertura no mercado tem uma importância mercadológica enorme pras lojas – por atrair e incluir um novo público para si – mas ainda assim, em tempos de divinização do corpo e do chamado modelo ideal, atitudes assim são raras. E é uma via de mão dupla o preconceito existente. Vem da sociedade, como no já citado “rodeio”, como também da imprensa (vide matéria http://www.marieclaire.com/sex-love/dating-blog/overweight-couples-on-television).
    Nesse caso, a abertura do mercado, mesmo que lenta e gradual para uma numeração e um público diferente do ideal de beleza é uma pequena amostra de que estamos caminhando pra frente.
    Que a caminhada não páre no meio do caminho…
    Beijos, Paulinha.

  21. Paulinha novembro 1, 2010 às 11:25 pm #

    Caso o link não abra, a matéria é do site da Marie Claire (http://www.marieclaire.com) do dia 25 de outubro, chamada Should “Fatties” Get a Room? (Even on TV?)

  22. Alexsandra maio 22, 2012 às 4:06 pm #

    Gente eu acredito que o importante não é ser gorda ou magra, o importante é ter saúde fisíca e mental. Que nós seres humanos somos insatisfeitos quase que o tempo todo isso é claro. Mas saber como você se sente dentro de sua própria pele é outra coisa, é importante se aceitar? Sim, mas não vamos confundir aceitação com comodismo. Se existe o excesso de peso e ele causa danos à saúde vamos ter força de vontade e emagrecer. A saúde é o que importa.

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