Enquadraram as garotas de SATC

3 jun

* contém spoilers

O desapontamento com Sex and The City 2 foi tão grande que o post ficou gigante. Dividi em dois ou ninguém iria ler. Nessa primeira parte, falei mais sobre o discurso do filme. Amanhã posto alguns comentários mais técnicos sobre o roteiro, a direção e o figurino.

O trailer já me dava a dica que Sex and The City 2 me decepcionaria, mas o antigo afeto por Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte foi mais forte, e lá fui eu ver pra crer, tal e qual São Tomé. Para minha tristeza de fã que acompanhou o seriado em suas seis temporadas, minhas piores expectativas se confirmaram. Ok, eu sabia que era inevitável “as meninas” envelhecerem, mas eu esperava que isso se desse de maneira melhor, que fosse coerente com a trajetória do seriado. Não aconteceu: com tristeza, digo que Sex and The City 2 envelheceu conservador e preconceituoso. Estou procurando o Sex e a City até agora no roteiro.

Embora o assunto do envelhecimento permeie todo o filme, o mais interessante é quando realmente recai na comédia, através de Samantha e seus hormônios e cosméticos anti-envelhecimento. De resto, temos o tédio nos dois anos de casamento de Carrie, Miranda insatisfeita com seu emprego e Charlotte às voltas com duas filhas choronas. “Ah, se meus problemas fossem esses”, resmungou uma moça atrás de mim no cinema. Nem vejo problema na dimensão dos problemas, afinal quem vai pensar na vida em Abu Dhabi, né? Mas a divulgação do filme peca ao vender uma profundidade que não existe, que agora as quatro amigas iriam pôr em debate O casamento, A maternidade. Aham.

Elas envelheceram, sim, e não foi fisicamente. A série mostrava quatro garotas autênticas, imperfeitas, que se permitiam errar, que apesar das diferenças viviam como bem queriam e exerciam seus amores e sexualidade cada uma a seu modo independente de tradições. No primeiro filme, elas já resolvem seus conflitos e alcançam a tal maturidade com o casamento, cuja importância é reforçada na continuação. Ou seja, com exceção de ninfomaníacas incuráveis (Samantha), colocadas como se o sexo estivesse sempre condenado a uma dicotomia com o amor, parece não haver felicidade possível fora dessa instituição sagrada, monogâmica, de papel passado e desenvolvida embaixo do mesmo teto. Pois é, as meninas – e seus amigos gays – se enquadraram direitinho.

Além do conservadorismo, me incomodou também o tom colocado sobre o “novo Oriente”. Não conheço o lugar, mas fiquei com uma impressão parecida com aquela que tenho quando a Globo faz novela no Nordeste. Sabe como é? Todos os estados do Nordeste são iguais a Bahia, e é uma Bahia que nenhum baiano conhece, inventada, fake. Não é a pitadinha politicamente incorreta constante no seriado. Ao exibir o choque cultural, fica bem clara a opção por colocar uma cultura como superior à outra, não diferente. Leia-se: Abu Dhabi, um lugar exótico, caricato, com uma suntuosidade que resvala no brega e uma mentalidade atrasada, principalmente em relação às mulheres.

A tentativa do roteiro de dar um molho feminista ao filme é constrangedora. Se cortassem todo esse bla-bla-bla dos 146 minutos totais de duração, talvez melhorasse a situação. Mas aí não teríamos a deixa para que as meninas vindas de Nova York, meca civilizada e evoluída, contestassem o atraso do mundo árabe… num karaokê. E, principalmente, não teríamos a grande epifania do filme: Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda descobrem que não são tão diferentes assim daquelas mulheres, afinal… elas também gostam de moda, aliás mais do que moda, de alta costura. Uau! Levanta a burca e bate aqui.

Quero minha série de volta.

Old times, good times

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7 Respostas to “Enquadraram as garotas de SATC”

  1. Luciana junho 7, 2010 às 7:16 pm #

    satc é filme pra quem AMA moda.não pra quem é piceudo-intelectual, femenista amargurada,vc nao entendeu que ele discuti muita coisa sobre assuntos de mulher principalmente dessa opressão no oriente que é uma coisa horrivel e todo mundo devia fazer sua parte e lutar contra. o filme pelo menos discuti e tu faz o que pra melhorar a vida das mulheres d elá?

  2. Érika junho 7, 2010 às 8:47 pm #

    “piceudo-intelectual, femenista amargurada!”

    Olha, a sua comentadora arraZou, garota. Tô aqui chorando de rir.

  3. Érika junho 7, 2010 às 8:52 pm #

    Em tempo – de fato, o filme é machista. Mas acho que a série sempre foi um tanto machista. A tensão entre a ninfomaníaca cômica e as outras 3 normais que sonham com romances estabelecidos já estava lá, mesmo que meio incubada. Assim penso eu, embora não tenha acompanhado muuuito da série.

  4. Nany junho 8, 2010 às 11:30 pm #

    kkkkkkkkkkk ai é, elas vão se matar pq uma bloggeira não gostou do filme. muito chato isso de ficar comparando c/ o seriado da tv pq não tem nada haver ;é uma outra coisa. eu amei o filme e todo mundo que conheço tb. nao leva a mal, tá, até achei o blog bonitinho. bj

  5. Nany junho 9, 2010 às 12:05 am #

    discobri!!!! ela deve tá revoltada pq só tem $$$$$ p/; comprar roupa na marisa…. kkkkkkkkkkkkkk

  6. Livia julho 9, 2010 às 6:08 pm #

    sou muito fã da série e só fui assistir por respeito ao que eu vivi enquanto ela durou. só isso. o primeiro filme é muito ruim, a sensação que eu tenho é que o roteirista assistiu apenas a sexta temporada e se baseou nisso. mas ainda vai. esse último a gente ri da samantha e SÓ. a cena do karaokê me deixou com muita vergonha. a da burca me deprime. a babá ser sapatão foi o pior desfecho. troféu me poupe pro filme. mas continuo amando sex and the city. e adorando teu blog.

Trackbacks/Pingbacks

  1. a so-called blog - setembro 9, 2010

    […] and the city 2. que decepção! eu ia escrever sobre ele, mas uma amiga já fez isso e muito bem: aqui. […]

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