Playlist para a Copa

2 jun

Podem estranhar à vontade, mas o tema de retorno desse blog não é moda. Não a deixei de lado, mas é inevitável não se deixar levar por esse clima pré-Copa. Não sou muito conhecedora de futebol, mas tenho essa paixão pela música e essa obsessão por playlists temáticas que me consomem. Então — segura, goleiro! — nosso playlist dedicado ao FUTEBOL:

Se fosse um campeonato, certamente a final seria entre Jorge (ainda Ben) e Moraes Moreira. A tabela não deixa dúvidas: consegui contabilizar pelo menos cinco músicas de cada um deles com a temática do futebol. Mas não faltam craques que dedicaram algumas linhas à redonda: Chico Buarque, João Nogueira, João Bosco, Gilberto Gil. Afinal “aqui é o país do futebol”, já escreveu Milton Nascimento, em música regravada por Elis Regina e Simonal, nos anos 70.

A propósito, foi justamente esse o momento mais profícuo para o cancioneiro futebolístico nacional. Fácil de entender: a seleção havia conquistado o tricampeonato no México, em 1970, com um time histórico, que contava com Pelé, Tostão e Rivelino. Ao mesmo tempo, o país vivia uma ditadura militar, que se aproveitava do clima de euforia para estabelecer um discurso de unidade nacional e prosperidade.

Por um lado, o governo utilizava em suas propagandas a famosa marchinha Pra Frente, Brasil, que conclamava todo o Brasil a dar as mãos, “todos ligados na mesma emoção, tudo é um só coração, pra frente Brasil, salve a seleção”. Chico Buarque não podia deixar barato. Compôs, com Francis Hime, Meu Caro Amigo: “Aqui na terra andam jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock and roll, nuns dias chovem e noutros dias fazem sol, mas o que eu quero é dizer é que a coisa aqui tá preta”.

Não que Chico Buarque tenha algo contra o futebol, todo mundo entendeu, né? Muito pelo contrário. Fundador, mantenedor e titular do Politheama, obviamente compôs o hino do clube, que se reúne religiosamente toda semana. É de Chico também O Futebol, que gravou para homenagear os ídolos Garrincha, Didi, Pelé e os menos conhecidos Pagão e Canhoteiro, numa linha, segundo o próprio, dos sonhos. Canhoteiro também foi a deixa para música homônima, de Zeca Baleiro, tendo sua versão mais conhecida a que ele divide os vocais com Fagner. Vale também as referências a Samba Rubro-Negro, de João Nogueira, e Linha de Passe, de João Bosco.

Nada como um Google na vida pra descobrir que existem 150 músicas relacionadas ao futebol registradas no ECAD. Número que considero baixo diante de cinco títulos mundiais, do Maracanã e de incontáveis campinhos de várzea Brasil afora. Em cerca de 120 anos de história oficial (não há unanimidade em torno da paternidade do futebol atribuída Charles Miller), os registros mais antigos de que me recordo são a citação de Noel Rosa em Conversa de Botequim (1935), o empolgante chorinho Um a Zero, de Pixinguinha (1946), Pé de Bola, de Moreira da Silva (1961), e O Juiz Apitou, de Wilson Batista (1942).

Um ano após o tetracampeonato, conquistado a duras penas em 1994, duas músicas fizeram sucesso: É Uma Partida de Futebol, do Skank, e a regravação que Os Paralamas do Sucesso fizeram para Um a Um, de Jackson do Pandeiro – este também um grande admirador do esporte, autor de Bola de Pé em Pé e também de O Rei Pelé (fico devendo os anos das músicas e os vídeos, pois o Google não ajudou). Gilberto Gil, que já tinha composto Meio de Campo, sucesso com Elis Regina, e mandando Aquele Abraço pra torcida do Flamengo, gravou O Balé de Berlim para o campeonato de 2006, mas não deu muita sorte: o Brasil não chegou nem às semifinais, e a música caiu no esquecimento. Do século 21, só consigo lembrar dessa e de Sou Ronaldo, do Marcelo D2.

Mas voltando à final do nosso campeonato. Ninguém dedicou tantas músicas ao futebol quanto Moraes Moreira, seja na carreira solo ou com os Novos Baianos, e Jorge Ben. Moraes ataca de Reis da Bola e Saudades do Galinho (composta quando Zico se despediu do futebol) e as menos conhecidas O Que É, O Que É, Vitorioso Flamengo e Ziriguidum. Mas Jorge bem é imbatível, em quantidade e sucesso: Deixa o Menino Brincar, País Tropical, Camisa 10 da Gávea (olha o Zico de novo!), Cadê o Pênalti?, Zagueiro e Ponta de Lança Africano (Umbabarauma). E, por fim, o “gol de anjo, gol de placa”, Fio Maravilha, em homenagem ao jogador Fio, que o processou para receber direitos pelo uso do seu nome. Jorge não se aperreou, mudou a música para Filho Maravilha e não tenho dúvidas de que o rebento lhe traz muitos louros até hoje.

E Jorge Ben levanta a taça!

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Uma resposta to “Playlist para a Copa”

  1. Samira Castro junho 2, 2010 às 9:34 pm #

    Mônica, pena que os meninos da nossa Canarinho tenham o gosto musical inversamente proporcional ao seu talendo com a bola no pé. Basta lembrar que, do lado de um jogador, tem sempre uma loira, um carro importado e um pagodeiro. Eventualmente, tem um traficante também. Quantos aos hits que embalaram a seleção recentemente, só consigo lembrar que eles cantavam a Festa da Ivete e outra que acho ser do Zeca Pagodinho. Vai ver, tô querendo demais: que eles joguem bola e ainda tenham bom gosto musical!

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