Quando dormir é o luxo

12 set

Acabo de ler que o trabalho é o “maior ladrão” de horas de sono, seguido pelo tempo gasto com trânsito ou no transporte público. Em terceiro, lááááá atrás, aparece o lazer. A pesquisa em questão foi conduzida com 50 mil voluntários americanos pela Universidade da Pensilvânia. Motivo? As tais facilidades tecnológicas. “A tecnologia moderna não fez nada para aumentar nosso tempo livre, e o sono acaba sendo uma vítima em quantidade e qualidade”, diz Jessica Alexander, da organização The Sleep Council.

Verdade. Vejamos o caso dos jornalistas. Depois do celular, internet, Google e etecéteras, para a maioria dos editores não existe mais pauta difícil. Não conseguiu localizar o Fulaninho? Pois tente o celular dele até morrer ou até a hora do fechamento, o que acontecer primeiro. Não conhece nada da obra daquele artista famoso e não tem nada na pesquisa? Simples, procure no Google. Com o computador cheio de programas, o antigo somente repórter escreve, edita, escolhe a foto, ajusta, revisa… Creio não sermos os únicos a passar por isso.

edredon1.jpgAlém disso, o custo de vida obriga muita gente a se desdobrar em mil para garantir o sustento. São dois, três empregos, frilas e ainda há quem procure mais pra levar pra casa. Um estudo do Cesit mostra que em todo o Brasil há aproximadamente 4,2 milhões de trabalhadores com duas ou mais ocupações. No Ceará, esse contingente é de 215.753 pessoas, segundo o IDT. Estima-se que 32 milhões de brasileiros trabalhem mais do que 44 horas semanais. Eu estou nesse grupo, por exemplo. E tenho um monte de amigos na mesma situação. Foi-se o tempo em que numa família apenas o homem trabalhava e que isso consumia apenas oito horas por dia, conferidas direitinho no cartão de ponto.

“Um dia, o governo e a classe médica vão ter que dar ao sono a mesma prioridade que a alimentação balanceada e os exercícios têm nas mensagens de qualidade de vida e de saúde”, afirma Jessica Alexander, da Sleep Council.

Com tantos afazeres durante o dia, hoje luxo mesmo é ter tempo. Se antigamente a concepção de luxo era ligada à prestígio (como símbolo de status, geralmente herdado) e passou ao conceito de exclusividade (“posso pagar pra ser só meu”), hoje está mais ligado à conquista (“fiz por merecer”). Mas um sentido permanece: o de raridade. E qual seria o bem mais escasso da atualidade? Tempo! E eu acrescentaria ainda o silêncio, tão essencial ao sono e tão raro nas grandes cidades – ainda mais quando se tem uma igreja carismática embaixo de sua janela (como eu tenho… grrrr).

dormir.jpg

Ai, De Masi, deixa de ser falastrão! Quero meu ócio criativo!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: