A rua é o mundo

2 set

StockholmPrimeira fila que nada. Parece que o lance para o próximo ano é olhar pela janela. Sabe esses blogs que fazem sucesso mostrando o real life das grandes cidades? Pois é. Enquanto você ainda está escolhendo que legging comprar, já se trabalha com o street para 2008. A SPFW, por exemplo, já trouxe isso na temporada de verão 2007, um ano atrás, mas com forte perfume de anos 80, cheio de smiles e pichações. Foi nessa época que surgiu a Vision Street Wear, resultado das criações de Brad Dorfman para os skatistas, que deram início ao que conhecemos como moda street – ou seja, roupas largas, descombinadas e sem comprometimento com as passarelas.

Agora, a onda é outra. Em vinte anos, muita coisa mudou. Temos aí internet, celulares que só faltam falar (ainda não falam?) e as máquinas digitais já cabem no bolso de muita gente. Street wear, em tradução literal, é moda de rua. Mas que rua? Até Fidel Castro usa seu abrigo Adidas, aquela marca para a qual a britânica Stella McCartney faz coleção, que é hit entre os descolados paulistanos e objeto de desejo dos órfãos do Noise 3D, em Fortaleza. Os manos do Capão Redondo estão cada vez mais próximos, pelo menos esteticamente, dos gangsta rappers que aparecem na MTV. E as gírias da periferia paulista não são também usadas pelo movimento hip hop do Pirambu, tá ligado?

Shibuya… TokyoNesse mundo cheio de conflitos, a moda também se encontra no dilema entre cultura global e identidade. Até agora, parece que o resultado tem sido bom. Os japoneses mantém a maestria no estilo. Embora raramente conservem seus cabelos pretos, lisos e retos, ninguém usa mais sobreposições do que eles. E o que é isso? Nada mais do que o conceito por trás do milenar kimono, que sobrepõe várias camadas para que juntas formem uma dobradura extremamente elaborada. Isso sem falar nos personagens de mangá soltos pelas ruas de Tokyo. Daí se pensa no descompromisso blasé de Paris ou nos basket boys de NYC.

Falei em conflitos? O conceito do street wear transita entre o escapismo e o engajamento. Tradução para as vitrines: formas amplas, soltas, livres com ganchos longos; apliações de estêncil, sinalizações coloridas e grafismos, com alertas sobre o aquecimento global ou pedidos de paz, entre outros; peças recobertas com resinas em marrom, cinza e preto, dando a impressão de gasto, e influências de esportes.

Despeço-me com um perguntinha: e o Brasil? Por que a dúvida? Por causa de uma comunicação de moda muito própria nossa, a novela. Ora, pense bem: a moda da rua vai para as novelas ou vice-versa?

bebel1.jpg

O que você me diz, Bebel?

Uma resposta to “A rua é o mundo”

  1. roger junho 21, 2008 às 1:39 am #

    Eu li outro dia que a Vision Street Wear pertencia a um brasileiro chamado Turco Loco. Sabe se Ele teve algo haver com a criacao de Brad Dorfman?Desculpe me ignorancia, mas nao encontrei nada na internet que me desvendasse esse misterio.

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