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Roupa é subjetividade

5 nov

Tinha postado esse conto da Marina Colasanti no ano passado, antes do Blogueisso me deixar na mão e apagar boa parte do meu passado bloguístico. Consegui recuperar os rascunhos de alguns posts e irei postá-los pouco a pouco. Resolvi começar com esse, nem sei por quê.

Analisamos o percurso narrativo desse texto em uma aula de semiótica discursiva no primeiro semestre de curso. Não se preocupem, deixarei os quadrados semióticos de lado e postarei apenas o conto. Curto e contundente. Prestem atenção no papel da vaidade (expressa pelas roupas, maquiagens, cabelos) na construção da auto-estima e dos relacionamentos.

Marquei algumas passagens em negrito, não à toa. Tirar seus cortes de seda e batons é também silenciá-la, atacando sua subjetividade. De sujeito, ela passa a animal, a objeto, a uma pálida sombra do que fora.

 

Para que ninguém a quisesse
In: Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986.

Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.

Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.

Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.

Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.

Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.

Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.

 

* * *

PÓS POST: Pra quem gosta de moda e literatura: Um dia antes, o super Oficina de Estilo fez um post delícia relacionando a teoria de construção do conto (de Edgard Allan Poe) com o processo do vestir.

Moda na Fortaleza “Belle Époque”

12 ago

A dica veio via twitter pela jornalista Thais Aragão, agora moradora de Porto Alegre, mas que mantém os olhos bem atentos sobre o Ceará:

Moda e cidade: um footing pela Fortaleza dos anos 1920
Dia 14, sábado, 15h às 18h30


A moda, geralmente associada ao fashion, luxo, exótico e a futilidade, parece não interagir tanto com outros aspectos mais profundos quanto à individualidade, identidade e à psicologia dos indivíduos e suas cidades. Nesse sentido, convidamos aos interessados, a fazer um footing por Fortaleza, aos lugares e suas histórias que fizeram sucesso entre a elite, por conta da moda dos anos 1920, com o glamour e requinte franceses que impulsionaram pessoas e o comércio, dando um suposto ar de modernidade divulgado pela imprensa local no início do século XX.  210min.

Mediadora: Diocleciana Paula, historiadora e pesquisadora de gênero.
Participantes: Interessados em geral, mediante inscrição prévia.
Ponto de saída: Centro Cultural Banco do Nordeste.
Inscrições: A partir de 10/08, na recepção do CCBNB.

O Percursos Urbanos é uma atividade educativa desenvolvida pelo Centro Cultural Fortaleza, do Banco do Nordeste, em parceria com a ONG Mediação de Saberes. São roteiros culturais temáticos realizados em ônibus urbanos, sempre aos sábados. Gratuito. Você pode conferir a programação completa para o mês de agosto no site www.bnb.gov.br.

Ê, esse é o meu Brasil

25 jan

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Adouro! E que venha Maya!

Foto: Filipe Palácio

A pos(s)e de Michelle

23 jan
Isabel Toledo na posse

Isabel Toledo na posse...

Michelle Obama mostrou mais uma vez que é uma mulher de personalidade. Não deseja comparações com Jackie O. ou Carla Bruni. Seu aguardado vestido fugiu das tradicionais escolhas de primeiras-damas americanas, de azul, vermelho e branco – cores da bandeira dos Estados Unidos. Escolheu um reluzente amarelo, cor de esperança e renovação, emblemática da expectativa em torno do governo de Barack Obama, nesses tempos de tanta incerteza, em que todo o mundo parece tatear no escuro. Ainda não sei dizer se gostei da combinação de luva e sapato verde, mas bato palmas novamente por sair do convencional bege. Mas, admito, deixaria o brocado apenas no vestido ou no casaco, para ficar menos over.

Muitos criticaram a forma, sugerindo que um godê seria a melhor opção para disfarçar os quadris largos. Mas devemos lebrar que era inverno, e a primeira-dama não poderia se arriscar a ser vítima de um vento forte em plena posse do marido. E muito do volume visto nas formas de Michelle vinha provavelmente do colete de segurança usada por baixo da roupa. O vestido reto com casaco longo é um daqueles clássicos há décadas. Esse shape foi a única escolha mais convencional. O restante foi pura inovação: nada de estrelados europeus, como Chanel ou Dior, ou figurões americanos, como Calvin Klein, Ralph Lauren ou Diane Von Fustenberg.

Quem vestiu a primeira dama nesse dia tão importante foi Isabel Toledo. À noite, o vestido branco de um ombro só veio de Jason Wu. Ambos são nomes promissores e conceituados, mas apenas entre aqueles que acompanham a moda além do mainstream, o que mostra bem a cara do casal Obama: estilosos, modernos e bem informados (Michelle é a rainha do high-low, misturando estilistas a lojas mais populares, como J.Crew). Vale lembrar que Isabel desembarcou em Nova York nos anos 80, vindo de Cuba — assim como Narciso Rodriguez que a vestiu na festa da vitória, e Jason Wu é um jovem de apenas 26 anos com origens em Taiwan. Mais uma vez, como já havia dito, Michelle parece querer dizer que a nova América vai ser mais aberta a todos.

Há uma frase muita repetida por aí que alguns atribuem a Chanel, outros a YSL, mas independente da autoria, cai bem à situação: se realmente a melhor roupa de uma mulher são os braços do homem que ela ama, Michelle deve ser a mulher mais bem vestida da política internacional. Afinal, nada melhor do que as declarações do maridão, o sorriso apaixonado e a dança mais “afinada” dos bailes da Casa Branca. Como bem disse Edgard Almeida, “pela primeira vez em muitos anos, parece que finalmente os americanos têm um presidente que faz sexo (com a sua esposa!)”.

... e Jason Wu no baile

... e Jason Wu no baile

Sobre Isabel Toledo, veja o comentário de Lilian Pacce:

Retrospectiva 2008

29 dez

O que abalou (para o bem e para o mal) a moda em 2008. Uma breve retrospectiva:

Saint Laurente, sempre provocador

Saint Laurent, sempre provocando, até mesmo sua natureza

Morte de Yves Saint Laurent.

Criatividade e talento com as agulhas podem até fazer um bom estilista, mas um verdadeiro gênio é aquele que sabe colocar isso aos anseios da sociedade. Enquanto a mulher lutava para assumir novos papéis, ele criou o smoking para elas. Hoje, é normal uma mulher usando calças, mas em meados dos anos 60, elas podiam ser barradas em hotéis e restaurantes. Não seria sua única provocação. Reconhecidamente tímido, posou nu para a campanha de seu perfume masculino nos anos 70. Foi pioneiro na promoção do prê-à-porter, vendendo roupas a preços menores em sua célebre Rive Gauche, acompanhando as novas necessidades de consumo pós-moderno. “Não fui eu quem mudou, foi o mundo. E este mudará sempre, e nós estamos eternamente condenados a adaptar nossas maneiras de ver, sentir e julgar”, disse na inauguração do famoso endereço. Foi ainda o primeiro a colocar modelos negras na passarela e a transmitir um desfile pela internet.

Michelle Obama fala, suas roupas também

Michelle Obama fala, suas roupas também

Michelle Obama e o figurino inteligente.

Esqueça as primeiras damas de efeito decorativo. Michelle Obama, cria de Princeton e Harvard, discursa tão bem quanto o marido, como provou em debates do qual participou. Alta, magra e bonita, foi alçada à ícone fashion, apontada como a sucessora de Jacqueline Kennedy. Ela aproveita a condição e usa seus vestidos para passar mensagens de parcimônia em tempos de recessão e esquentar a economia americana, ao priorizar marcas e estilistas locais, inclusive lojas de departamento. Yes, we can! A americana comum pode ser tão elegante quanto à primeira-dama. No discurso da posse, usou um Narciso Rodriguez, americano de origem cubana, totalmente condizente com o discurso de seu marido, de diálogo e de fim de barreiras.

A crise mundial e a retração do consumo.

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Ninguém passou incólume pelo efeito dominó das bolsas em todo o mundo

Claro que sempre existirão os muito, muito ricos de verdade que darão de ombros para crise e continuarão comprando seus produtos de luxo. Mas a classe média, que responde por boa parte da receita, com óculos, perfumes e bolsas, deve apertar o cinto. No sobe-e-desce das bolsas, grandes conglomerados não admitem, mas se não perderam dinheiro, ganharam menos. A hora é de traçar estratégias para fazer bom uso do orçamento. “Estamos trabalhando duro, focando economias, até mesmo como conceito mental”, disse Miuccia Prada ao jornal italiano La Stampa. Nisso, a Louis Vuitton desistiu de abrir uma nova loja no Japão, a Prada adiou sua entrada no mercado de capitais, Sergio Rossi fechou as portas nos Estados Unidos e as coleções masculinas de Marni e Valentino ficarão de fora da semana de moda de Milão. Semana passada, uma matéria da TV5 francesa mostrava uma repórter tentando – e conseguindo – descontos à vista na compra de vestidos de festa em lojas como a Chanel.

O fim da era de ouro da alta costura

Aposentadoria de Valentino.

Já anunciada ano passado, foi concretizada em janeiro com seu último desfile de alta costura na semana de moda de Paris. Desde a aposentadoria de Yves Saint Laurente, era o último remanescente da geração de ouro da alta costura. Sua saída marca o fim de uma era, de elegância ostensiva e um tanto conservadora. Há tempos, o grupo Permira, controlador da marca, já falava da necessidade de rejuvenescê-la e torná-la mais comercial. Foi esperto. Antes de o mandarem de volta pra casa, como aconteceu com Givanchy, pediu para sair. Agora, gasta sua fortuna ao dolce far niente, de evento em evento, inclusive aqui no Brasil, onde acompanhou a primeira edição do Claro Rio Summer.

A volta das supermodelos.

Claudia Schiffer, Eva Herzigova, Linda Evangelista, Naomi Campbell, Christy Turlington… Não, não é um videoclipe antigo do George Michael. Mas campanhas de marcas como Chanel, Cavalli, Prada e Louis Vuitton em 2008. De acordo com Karl Lagerfeld, “o tempo faz com que elas fiquem mais interessantes e insubstituíveis”. Mais do que isso: fez com elas se tornassem modelos mais representativos para uma parcela considerável de consumidoras, no auge da independência e do poder, inclusive aquisitivo, e que não se identificavam com as modelos cada vez mais jovens na publicidade de marcas tradicionais. Com o know-how adquirido, esse time volta com um novo status, de “embaixadoras” das marcas.

Existe EX-supermodelo?

Existe EX-supermodelo?

Moda é pra ser debatida.

Em 2008, senti na própria pele o quanto a moda ainda é vista como algo menor na academia. Mas minha experiência pessoal não vem ao caso. o que interessa é que as coisas estão melhorando e a moda está deixando de ser apenas vista, o que é importante, para ser também discutida. Finalmente foi realizado o primeiro Congresso Internacional de Moda, em Madri, com participação de Gilles Lipovetsky (nome já bem conhecido de quem estuda moda, não simplesmente acompanha “tendências”), Omar Calabresse e Jorge Lozano, entre outros. Anote aí: a moda “bomba” na semiótica. Em São Paulo, tivemos o Pense Moda – que promete ser intinerante em 2009, com versões reduzidas em outras cidades. Empresários e faculdades cearenses, mexam-se, por favor! Por aqui, o Maxi Moda foi uma boa iniciativa. Esperamos apenas que a próxima edição tenha menos histórias de vida e mais discussões sobre o que nos inquieta na atualidade.

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Rio de Janeiro, sol, mulatas... O Claro Rio Summer

Claro Rio Summer.

Evento para gringo ver. Trouxe imprensa internacional e compradores estrangeiros para o que, para muitos, temos de melhor e mais vendável, nosso beachwear, mas os negócios não se concretizaram. Algumas marcas mostraram que já estamos bem adiante do fio-dental, que fez a fama brasileira décadas atrás. Mas outras bem que podiam se livrar de alguns clichês, né? Saída com estampa do Cristo Redentor não foi um pouco demais, não? No balanço geral, razoável para uma primeira edição. “O fato de eu ter vindo para o Brasil neste momento já responde à pergunta (sobre a importância dos países emergentes no mercado de moda). Os países emergentes, tenho certeza, serão muito importantes para todo o mundo fashion”, afirmou Valentino à Folha de S. Paulo. Mas a organização do evento precisa descobrir onde estão os nós e desatá-los.

O bafão do Prêmio Moda Brasil.

Se divulgou como o primeiro prêmio da moda brasileira. Não é. Tivemos antes o Abit e o Agulha de Ouro. Depois, misturou concorrentes e jurados no mesmo balaio, levantando uma grande dúvida sobre a lisura do processo. Por fim, mais do mesmo: a premiação levou em conta somente o eixo Rio-SP, especialmente lojas e marcas que estavam dentro do shopping patrocinador do evento.

Melca Janebro - Fashion Rio - Inverno 2008

Desfile de Melca Janebro no Rio Moda Hype 2008

Estilistas cearenses.

A moda cearense deu um salto comercial considerável no último ano. Foi um alívio. Imagino o que é para um estilista ganhar uma certa visibilidade com eventos como o Dragão e depois ter que “se inspirar” no que está “bombando” no Brás e Bom Retiro para as confecções locais. Muitos descobriram que podem ser indepentes ou levar na paralela suas próprias lojas. Driblaram os altos custos de se instalarem em shopping center com pontos comerciais de rua. Um novo reduto se faz na Maria Tomásia, com Mar del Castro, Piorski, Lisblu… Mais adiante um pouco, está a Flor do Mato. Por ali também, a Jô-Iola. No Dionísio Torres, a união faz a força do Coletivo (leia-se Cândida Lopes, Lindeberg Fernandes, Ayres Jr. e outros). Na Monsenhor Tabosa, está a Melca Janebro. Tem outras, mas essas são as que me vieram à cabeça agora, até porque estão no meu armário.

Spring 3001, by Catelbajac

24 nov

Melhor que o desfile em si de JC Castelbajac, foi o vídeo foi produzido em parceria com a Lego para a coleção “Spring 3001″. Atente para a primeira fila, com direito a lego de Anna Wintour. No site, é só clicar em News.

Via Overdose de Moda

Crazy fashion world

24 nov

Impressão minha ou this fashion world enlouqueceu completamente?
Adoro bacon, mas no meu macarrão a carbonara ou num McQualquerCoisa, não assim. Só me resta dizer ME.DO

Mal refeita desse susto, dou de cara com fotos do nightclub que a Prada inaugurou em Londres e que a Vogue UK classificou como “uma tacada de gênio”. Desculpa aí, mas quando a PRADA abre uma boate, a gente não espera que ele se pareça com uma barraca da Praia do Futuro.

Até cadeira de plástico tem!

Até cadeira de plástico tem!

Aos meus pés? Não, obrigada

17 nov

Não pôde comprar o sapatinho surrealista de Marc Jacobs? A Cristófoli tenta resolver isso pra você. Um ano depois, meio desajeitadamente, mas tá aí pra quem ainda quiser:

Cristofoli - Verão 2009

Ainda sobre sapatos… Sei que as gladiadoras estão longe de ser unanimidade, mas eu adotei. Um modelo condizente com a minha altura, mais básico e neutro. Tenho visto alguns modelos bonitos, o que certamente não é o caso disso:

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Não lembro a marca. Salvei a imagem e ela ficou mofando no PC. Infelizmente, no mundo real, ela não ficou mofando na cabeça de quem a inventou… Pegando emprestado o preciso neologismo do Shoe-me: SAPATROCIDADE!

Algo que só não perde em feiúra para isso que vi no jornal hoje e que, a propósito, segue o mesmo princípio de expremer feito lingüiça e fatiar:

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Não sei se fico mais chocada com o fato de alguém ganhar para fazer isso ou de alguém GASTAR para comprar. Desculpa aí, mas pra mim isso é roupa de expediente. Calçada Fashion Week

Recessionistas

4 nov

Listinha de links atualizada aí do lado, com a entrada do Última Moda, extensão da coluna homônima da Folha de São Paulo. Gosto muito da maneira como o Alcino Leite Neto escreve: direto, conciso, informativo, sem fru-frus, ai ais e uós tão comuns no jornalismo de moda. Talvez por ser egresso de outras editorias (o que lhe dá uma visão mais abrangente do mundinho fashion, para além das tendências), talvez pela linha editorial do jornal (não sendo um veículo especializado, tem que se comunicar bem com todo leitor, fashionista ou não).

Isabeli Fontana, em clima "Great Depression", para a Vogue America

Isabeli Fontana, em clima "Great Depression" para a Vogue America

O importante é que o blog está sendo bem atualizado, vários posts por dia, com conteúdo que ficou de fora da coluna. Mais informal também, como é próprio dos blogs. E logo de cara encontrei uma boa dica dessa reportagem no NY Times, assinada por Natasha Singer, “A Label for a Pleather Economy”, sobre a entrada em cena do “recessionistas”: materiais mais baratos, pontas de estoque, segundas linhas ou apenas uma justificativa para consumir sem culpa. Seria o fim da era “Sex & the city” e suas consumidoras compulsivas, segundo o Style.com, citado pela jornalista.

Por acaso, essa semana reprisava o episódio em que Carrie leva um fora de seu ficante Berger, mas antes recebe uma ligação de Mr. Big – e atende o telefone bem no meio da Century 21.

Chega de economês! E o trend?

17 out

Embora Vivienne Westwood tenha mostrado sua coleção Primavera/Verão 2009 no primeiro dia de desfiles com um lema condizente com o momento – “Em tempos difíceis como este, vista-se com elegância e faça você mesmo” – e Alessandra Facchinetti tenha sido rifada da Valentino, os efeitos da crise nas coleções só serão sentidos de forma mais evidente na próxima temporada. Por esse mês os estilistas da fashion week de NY reivindicaram mais tempo para concluir suas próximas coleções, criando uma desavença com os participantes da semana londrina que ficariam expremidos antes de Paris.

Provavelmente as coleções futuras virão mais simples, austeras e sóbrias. A história mostra que, em tempos conflituosos, essa é a regra. Exemplos não faltam: Guerras, Crash de NY, 11 de Setembro… Dessa vez não deve ser diferente. Não pega bem se vestir de decotes e babados pink enquanto cem mil famílias são despejadas, por dia, no Reino Unido, porque não conseguem pagar por suas casas. Certo que o preço de uma peça de grife continuará sendo absurdamente ostensivo, suficiente para bancar comida para um recém-desempregado da indústria automobilística por um ano. Mas sem dilemas morais. É assim mesmo, e não só na moda. Sem julgamentos, ok?

Márcio Madeira / Reprodução

Fotos: Márcio Madeira / Reprodução

Não sei se por terem antecipado o que viria ou se por mera coincidência, quem já deu esse choque de realidade acabou se sobressaindo na temporada, como Raf Simons, para Jil Sander (foto acima). Não vou me alongar. O About Fashion já fez um post bem bacana sobre isso. Vale a pena conferir. E como a moda é cíclica, quando a poeira assentar, esperemos por um mundo mais colorido, florido e suave, como também sempre acontece nos períodos pós-crise. Sim, crise é um caldo de oportunidade. Dior que o diga! Uniu a necessidade da indústria têxtil francesa de se desfazer de seus estoques ao desejo de uma sociedade que se achava no direito de ser bela e elegante de novo. Bingo! Metros de tecido, uma nova silhueta, mulheres felizes, homens orgulhosos e o nome cravado na história.

E eu com isso?

17 out

Se eu não compro Dior ou Chanel mesmo, o que eu tenho a ver com isso? Não existe só luxo na Europa e EUA. A C&A nossa de cada dia, por exemplo, é holandesa. Mas mesmo na raiz do meu Brasil brasileiros sobram alguns respingos. Digamos que eu seja dona de uma confecção e estava contando com um empréstimo de um banco brasileiro para pagar algumas dívidas, comprar umas máquinas ou contratar mais gente para atender as encomendas de Natal. O fato é que o crédito minguou no mundo todo, aqui também. Então, nêga, eu ia ter que me virar. Alguns planos podem ser adiados – os equipamentos novos, por exemplo – mas outros não. Se me encomendaram, eu tenho que entregar. Se eu tenho dívida, é melhor pagar. Em resumo, é aquela história de cobrir os pés descobrindo a cabeça. E na maioria dos casos, quem fica descoberto e acaba pagando a conta é o consumidor.

A bolsa ou a vida

16 out

“A moda é um luxo, não é uma necessidade, ela deve fazer sonhar”, afirmou o estilista Marc Jacobs ao jornal francês “Le Monde”, na Semana de Moda de Paris. Foi uma grande rabissaca a quem lhe perguntava sobre a crise mundial que dominava – e ainda domina – as machetes. Só que, por mais que a indústria da moda faça de conta que não é com ela, não é beeeem assim, não. Tirando os ermitãos que vivem de luz, todo o resto do mundo é afetado quando uma crise nessas dimensões nasce e cresce bem no meio do coração capitalista: os bancos.

Paris - Louis Vuitton Spring 09, by Marc Jacobs

Paris - Louis Vuitton Spring 09, by Marc Jacobs

Não é a primeira crise econômica por que o mundo passa. Pode-se dizer que a Grande Depressão de 1929 foi maior (afinal o que são 13 bancos quebrados, diante de mais de 1.500? Isso só nos EUA), mas veja o quanto o mundo mudou em quase 80 anos! Um banco quebra aqui, ferra uma empresa do outro lado do oceano – ou até um país inteiro, veja o caso da Islândia. E desta vez diversas gigantes da moda serão atingidas frontalmente. No século XXI, uma empresa familiar fechadinha virou coisa do passado. O planeta fashion é dos super-conglomerados, como LVMH (Louis Vuitton, Fendi e Moët & Chandon, entre outras) e PPR (que controla o grupo Gucci), por exemplo. E eles se capitalizam onde mesmo? No mercado de ações!

Na bolsa de valores de Paris, é possível adquirir ações da Hermès ou Dior. Em Milão, temos Valentino e Hugo Boss, do grupo Parmira. Nos EUA, Ralph Lauren. Agora, pense: as estimativas apontam que o mercado acionário global (a soma de todas as bolsas do mundo) já perdeu mais de US$ 15 trilhões com a crise. É MUITO dinheiro, é como se toda a economia do Brasil tivesse evaporado umas oito vezes (o PIB nacional é de US$ 1,9 trilhão). Se eu fosse acionista de qualquer empresa, de moda ou não, de luxo ou não, certamente estaria surtando uma hora dessas. Óbvio que quanto mais forte é uma marca, menos suscetível ela fica à volatilidade do mercado. Mas ninguém passa incólume pela ciranda financeira. Duvida? Olha o gráfico da LVMH:

J'Adore, um dos perfumes mais vendidos no mundo

J'Adore, um dos mais vendidos no mundo

Na França, a indústria da moda só perde para o turismo na geração de divisas para a economia. É uma força gigantesca! Diante de tal cenário, analistas de mercado já apontam que as grifes terão que investir ainda mais em um caminho no qual já vinham seguindo: uma clientela maior e menos seleta. Claro que sempre existirão ricos no mundo, mas nos últimos anos o mercado de luxo vem sendo alimentado por uma classe média que faz malabarismos com o orçamento, mas sabe o que é bom. Gente que não pode se atrever num vestido de alta costura Dior by Galliano, mas que compra um frasco de J’Adore ou expreme no cartão de crédito um óculos, uma bolsa, um chaveirinho…

Ok, falar em recessão é exagero, mas que o ritmo deve cair, isso deve. Depois de crescer 13% em 2007, o segmento de luxo espera uma expansão mundial de no máximo 8% neste ano, segundo a Eurostaf, consultoria do grupo que edita o jornal econômico francês “Les Echos”. Com seus tradicionais mercados (Europa, EUA, Japão) em declínio, especialistas ouvidos pelo jornal apontam que o movimento dessas empresas deve ser nos países emergentes, com economias em expansão, que não estão tão ligados ao epicentro da crise e com um consumo interno aquecido.

Loja da Tiffany em SP

São países como Brasil, Rússia, Índia e China, que não por acaso formam no “economês” a sigla BRIC e que responderam por 26% das vendas da Louis Vuitton em 2007. E aí o nosso país tem pontos positivos e negativos: por um lado, o mercado de luxo cresceu 35% entre 2000 e 2006 e já temos Tiffany, Chanel, Dior, Burberry… por outro, o público consumidor se concentra em SP (principalmente) e Rio. Sem falar na violência…

A Prada, que tinha anunciado a intenção de abrir seu capital em 2008, não é boba nem nada: está tudo suspenso até o mercado se acalmar.

E lembra do tal “Gisele Bundchen Stock Index”, que subia alucinadamente, que passava a Dow Jones e tal? Pois é, despencou. Nem Gisele segurou a crise.

* Não tem jeito. Depois de anos no batente, por mais que eu me esforce pra não falar de bolsas e crises e tais, a repórter de economia acaba gritando!

Os botões da Levi’s que você usava

14 out

Depois de a Diesel ter levado ao pé da letra seu trigésimo aniversário (30=XXX) e, com a ajuda do pessoal do SFW Porn, ter feito seu vídeo mesclando pedaços de filmes pornôs e desenho animado, é a vez da Levi’s fazer uso do erotismo em sua campanha publicitária. Com o tema “desabotoar” a si mesmo, a propaganda celebra o ícone jeans 501 com um jogo de sedução entre um casal.

É a primeira campanha global integrada da Levi’s. Isso porque o tradicional jeans 501 mudou: antes fechado por zíper, recebe botão e modelagem padronizada nos 110 países em que é vendida. Será que agora, mesmo com bunda de brasileira, conseguirei comprar calças de 70 pesos nos outlets da Argentina?!

Maaas… voltando ao assunto, a discussão do erotismo (invulgar ou não) na moda ainda não cansou? Que polêmica menos polêmica. Olha o que Saint Laurent e Helmut Newton já faziam na década de 70:

Mais que um simples nu. Papéis masculinos? Femininos? Mais uma imagem de moda a difundir uma mudança de valores.

Moda, Paris e aviões

9 out

Paris é, inconteste, a capital da moda. E também pode ser considerada a da aviação. Ora, se não foi por lá que Santos Dumont deu suas primeiras voltinhas a bordo de 14 Bis e Demoiselle? Pois esses dois universos estão sendo comemorados, a caráter, pela Air France. A mais tradicional companhia aérea francesa completou ontem seus 75 anos e colocou em seu site todo o histórico da empresa com fotos e vídeos. Como não é boba nem nada, deu um grande destaque, além de decoração e gastronomia, à evolução dos uniformes, assinados por nada mais nada menos que Pierre Cardin, Balenciaga, Courrèges, Dior e Lacroix – só para citar os mais célebres da extensa galeria. Esse aí do lado é o Lacroix que veste os 40 mil funcionários da empresa hoje em dia e alimenta o fetiche dos passageiros.

[nota mental: por que minha mãe abandonou seus planos na aviação?]

No joguinho de vestir a aeromoça comissária de bordo (acima), ao completar o look, aparece a foto com explicações. Para os mais impacientes, preguiçosos ou menos lúdicos, tem mastigadinho aqui, inclusive com uniformes de outras companhias, como a Korean Airways e Pakistain International, que também foram grifados. Emilio Pucci e Gianfranco Ferré foram outros que deram seus vôos por aí.

Tenho certeza que Santos Dumont, em seu terno impecável, camisa de gola alta e chapéu panamá, aprovaria.

É, meu bem, por mais que as companhias brasileiras se esforcem, com seus sanduíches frios e poltronas apertadas, não se apaga de uma história de glamour de uma hora pra outra. A próxima tentativa da TAM, já anunciada, será em 2009, com a liberação do uso do celular em seus vôos.

Arrasta

25 set

Lá pelos idos de 2002/2003 eu tive uma overdose de meia arrastão. E, juro, não ficava com jeitão de vagaba, não. Aliás, besteira isso. Preta, vermelha, cor da pele e usava todas no finado Ritz Café. Para desgosto da minha mãe e encarando olhares de reprovação quando encontrava vizinhos no elevador. Passou. O Ritz fechou suas portas, eu envelheci seis anos e as meias estouraram. De qualquer forma, não pude deixar de ver com curiosidade essa “bota” de uma marca sul-coreana desconhecida*, With Mocha:

Usaria a bege tranqüilamente, mas antes faria as unhas do pé, o que a modelo esqueceu ou não ligou.

* Se conhecida fosse, já teríamos visto algumas “inspirações” por aqui.

Olha que coisa mais feliz

16 mai

Já conhecia à distância as peças lindas que a Denize Barros (La Reina Madre) confecciona. Também de longa data acompanho a produção da querida Socorro Acioli. Eis que do conto fez-se a bolsa: a delicadeza da Socorro traduzida em uma mini-mala que é puro sabor de infância.

PS: A bolsa faz parte de uma série especial de Dia das Mães inspirada em contos

Momento “Jabá de mim mesma”

10 mai

O que é que tem na terceira edição da Seven? Dois editoriais lu-xo: o vermelho-sangue, fotografado em frigoríficos da cidade, em clima de Jean-Pierre Jeunet e Peter Greenaway, e o nosso Quixadá de Rosemberg Cariry em figurinos de Mark Greiner. Tem NYC em pedaços, raridades de design da net e baião-de-dois de dar água na boca. Essas são as bancas onde a revista está à venda:

Banca Paz
Praça Portugal,45

Banca da Cultura
João Cordeiro,1155

Banca Cinco estrelas
Barbosa de freitas,33

Banca Exemplar
Av. Antonio sales,2402

Banca Lider
Barão de sturdat,2015

Banca Assembleia
Barbosa de freitas,2701

Livraria siciliano
Del Paseo

Boa leitura!

MySpace da Moda

9 mai

Olha só: depois de músicos amadores, é a vez de jovens estilistas se valerem de redes sociais para terem seu talento descoberto por potenciais empregadores e/ou clientes. Uma estudante de moda de Londres, Holly Bellm, criou o FashionSpace.com no fim do ano passado e agora ele já é considerado o MySpace do mundinho da moda.

“Quando eu estava estudando moda, o MySpace estava se tornando o melhor lugar para os descobridores de talento que estavam à procura da próxima banda de sucesso e de músicos ainda não contratados”, disse Bellm à Reuters. “Eu via todo aquele notável talento de criação em torno de mim e imaginava por que não fazer algo semelhante no mundo da moda”, completou.

O site www.fashionspace.com apresenta fotos de modelos vestindo as criações mais vendidas e procuradas de seus integrantes, e publica anúncios de seus desfiles. “O objetivo básico é ajudar jovens estilistas a entrar no mercado; estamos à procura das ferramentas que lhes permitam obter maiores vendas”, disse Bellm.

O site permite que os membros troquem, vendam e comprem modelos originais, roupas de segunda mão e acessórios, com uma comissão de 10% sobre cada venda retida por Bellm e sua equipe. Os membros podem criar perfis pessoais no site, com fotos que demonstrem suas criações na Internet.

Na verdade, a gente já via os estilistas usando a Internet para promover seus trabalhos, a exemplo da Piorski aqui em Fortaleza, entre tantos outros. A diferença é que lá eles estarão reunidos e organizadinhos. Os nossos eu já conheço. Quando tiver um tempinho, dou uma sacada nos gringos.

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