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Beatles today

17 nov

Hoje abriremos uma exceção à programação normal desse blog. Um post praticamente só de imagens. Justifico. Hoje e amanhã estarei louca finalizando alguns trabalhos, antes de viajar para O EVENTO. Além disso, peguei uma gripe que tem 24 horas pra se curar e me deixou com uma moleza do cão. Nem arrumar as malas eu arrumei, pra você ver.

Então, sejam legais comigo e aproveitem as imagens. Tudo de coisinhas atuais ou de um passado recente que você pode associar aos Beatles. Algumas mais óbvias, outras menos. Enjoy!

Óculos redondinhos Chilli Beans

Sobretudo e jaqueta Burberry


Jaquetinhas militares da Balmain. Lembra delas?

Calças flare, as famosas adotaram

 

Gravata slim, só o que se viu no Oscar

O estilo de Paul McCartney

13 nov

A trajetória de Paul McCartney em relação ao estilo foi um pouco confusa, tanto nas roupas quanto nos cabelos, com alguns momentos pouco inspirados e até decepcionantes, com vários looks do tipo “tiozinho”. Tenho que admitir, Sir usou mullets. Mas na virada dos anos 2000, ele parece ter encontrado um equilíbrio interessante. Básico, clássico, mas bem mais jovem do que 15 anos antes. Influência da filha Stella?

Vamos lá, recordar é viver (e às vezes se arrepender).

Quando os Beatles se separaram, em 1970, Paul continuou com praticamente o mesmo visual do último show, aquele clássico no telhado do prédio da Apple Records, em Londres: os cabelos ficaram um pouco mais curtos, mas a mesma barba e estilo de paletó, sem gravata. Depois, com os Wings, usou uns mullets, vagou pelo folk com coletes e mangas volumosas, pelo look de camisetas sobrepostas e por uma onda esporte de jaquetas de nylon. No fim da década, adotou um visual mais sóbrio, com cabelos curtos, camisa social e sobretudos.

No início dos anos 80, voltou às jaquetas de couro, calças jeans, camisas xadrez, num visual bem mais jovem. Não se sabe o que aconteceu que antes da década de 90, lá estava ele todo tiozão, de malhas de tricô, calças frouxas e coletes. Na turnê de 1993, que veio ao Brasil, ele vestiu camisa larga de botões e coletinho étnico e os mullets estavam maiores do que nunca. Quando o novo milênio chegou, vimos um novo Paul: paletós alinhados, ajustados, com camisetas básicas, tudo com ar mais jovial. Influência de Stella? Ou o fim do casamento que fez bem?

Enfim Paul parece ter se encontrado, mantendo esse estilo, com pequenas variações, no últimos 10 anos. Calça social reta ou jeans mais largo com camisa social e blazer. As gravatas às vezes são mais largas ou mais slim. Mas o que ele realmente não larga mais são os tênis, que vem usando em quase todas as ocasiões, exposições, avant-premières até fotos de divulgação e flagras de paparazzi. Tem predileção pelo All Star pretinho básico. Particularmente gosto muito desse visual usado na estréia do musical Love (Cirque de Soleil), em que ele foi fotografado com Ringo.

Este é o Paul no Brasil, no show de Porto Alegre

Biografia dos Beatles em HQ

11 nov

Aproveitando a passagem de Paul McCartney pelo país este mês, chega ao Brasil no dia 27 de novembro, pela editora Conrad, O Pequeno Livro dos Beatles, do desenhista francês Hervé Bourhis. A história em quadrinhos narra a biografia do Fab Four entre 1940 e 2009, compreendendo o período que vai desde a formação do grupo, passando pela dissolução dele e, ainda, retratando as carreiras solo dos integrantes.

Hervé não é nenhum estranho à mistura de quadrinhos e música: é autor de O Pequeno Livro do Rock, que conta a saga do gênero musical partindo de seus primórdios.

(mas esse Lennon do Rubber Soul tá meio mal encarado, não?)

 

Fonte: http://www.rollingstone.com.br

Quase toda banda tem um pouco de Beatles

10 nov

Os Beatles estrearam nas paradas em 1962, com Love Me Do, e a cultura jovem viu nascer um novo fenômeno, só comparável a Elvis Presley naquele momento: The Beatles. Inicialmente os quatro rapazes de Liverpool se tornaram uma febre com um iê-iê-iê dançante e descompromissado. Foi o maior sucesso da indústria fonográfica, um dos melhores exemplos de produto da cultura de massa e sociedade de consumo da época. Até borrachas escolares e jogos de mesa com a cara de John, Paul, George e Ringo eram vendidos. Os ternos e cabelos moptop eram copiados à exaustão.

Em 1967, gravaram aquele que foi considerado o álbum mais revolucionário da história do rock: Sgt. Peppers’ Lonely Hearts Club Band, que foi mais fundo no experimentalismo e psicodelia iniciado em Revolver (meu disco favorito deles, só pra constar mesmo). Embora pouco tocado nas rádios da época, é um dos discos definitivos do rock. Marca também uma saturação da banda com a frebre que eles causavam. Após as roupas paródias dos uniformes militares em cores berrantes, abraçaram as manifestações religiosas do oriente e um estilo de viver e de vestir hippie oposto à imagem anterior deles.

A banda, que foi entertainer e vanguardista, artigo de consumo e contestadora da sociedade, continua sendo lembranda incessantemente. Mais do que influenciar a moda da época, criou um estilo tão atemporal que reverebera até hoje.  Musicalmente isso é óbvio. E esteticamente? Em um ou outro momento, muitos se inspiraram no vestuário, nos acessórios e até nas posesinhas fotográficas dos Beatles.

Beatles

Franz Ferdinand

Killers

Oasis

Coldplay

A evolução do estilo dos Beatles

9 nov

É praticamente um consenso: os Beatles são a melhor banda de rock de todos os tempos. Alguns poucos gatos pingados discordam, eu sigo com a manada e defendo a supremacia de Paul, John, George e Ringo com unhas e dentes. #fandetected

Mesmo dissolvida em 1970, segue influenciando milhares de bandas mundo afora. Musicalmente e esteticamente. Até nas poses para as fotos, repara. Vejamos a evolução de estilo do Fab Four.

Em 1960, quando surgiram em Liverpool, o uniforme era o de todo bom roqueiro, jaquetas de couro. A gente nem chegou a conhecer essa fase direito e as fotos são raras:

Quando o grupo passou a ser empresariado por Brian Epstein, o cara achou que aquele visual era igual o de 500 outras bandas da época e botou ternos de alfaiataria nos Beatles. Tcharam! Eis o visual clássico, com o qual eles tocaram pela primeira vez nos Estados Unidos e ganharam o mundo:

Mais uma mudança no visual: o terno clássico passou de preto para cinza e o paletó perdeu colarinho e lapela, numa clara referência de seu alfaiate Douglas Millings ao collarless jacket de Pierre Cardin. As gravatas também ficaram mais finas.

Menos bom mocismo. As roupas já não formam mais conjuntos combinandinhos e os cabelos ficam maiores. Até as crianças adotam o corte a la Beatles. Meu irmão mesmo tem umas fotos assim, obra e graça de minha mãe, que nos passou o meme beatlemaníaco. Obrigada, mãe. =]

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Magical Mistery Tour, Yellow Submarine… Ainda mais experimentações musicais do que em Revolver. Os Beatles começaram a trabalhar com a animação em seus clipes, gravaram mais filmes. Tudo muito psicodélico, muitas cores. Uma viagem.

Daí eles foram pra Índia conhecer o Maharishi, fazer meditação transcendental e compor o clássico White Album. Voltaram encantados com toda a cultura do local e adotam batas, pantalonas e coletes artesanais, tudo bem colorido e estampado, um visual que eles mantiveram por um tempo após o fim da banda, principalmete George.

Fim da década de 60. A banda grava Abbey Road e Let it Be, faz aquele mini-show nos telhados da Apple e ACABA. Muita tristeza no mundo inteiro, mas cada um segue seu caminho, com mais ou menos sucesso. Enfim aquele visual anos 70, com cabelos compridos, barba, calças boca de sino, que nossos pais usaram. Ao menos o meu usou, mesmo sem gostar muito de Beatles.

O que a gente ainda vai ver nos próximos dias?

- Uma retrospectiva mais focada nele, Sir Paul McCartney.
- As musas do grupo.
- Bandas que bebem da fonte.
- Resgates de elementos dos Beatles na moda atual.
- Um close de MY PRECIOUS — o ingresso pra pista prime do Morumbi.

 


Temporada Paul McCartney

8 nov

Está oficialmente aberta a temporada PAUL MCCARTNEY nesse blog. Porque preciso aliviar essa ansiedade monstra que tomará conta do meu ser até o dia 22. Aguarde.

Música de brinquedo

23 jul

Lembra daquele pianinho com pouco mais de uma dúzia de teclas que você massacrava na infância? Nas mãos do pessoal do Pato Fu, deu pra fazer música em vez de barulho. Não só ele, mas o xilofone, a flauta, a escaleta…

Música de Brinquedo é o décimo álbum da banda, todo gravado com instrumentos de brinquedo e com a participação dos filhos dos músicos. Mas não se engane, aqui você não terá músicas infantis. É música “normal” filtrada por essa sonoridade, segundo a própria banda informa em seu site.

A capa é uma criação da designer Andrea Costa Gomes e vem em digipack, com detalhes em alto relevo branco. Bonitinho, né?

No repertório, versões de músicas já bem conhecidas de outros artistas, como Sonífera Ilha (Titãs), Ovelha Negra (Rita Lee) e Love me Tender (Elvis Presley). Twiggy Twiggy, da banda-”irmã” Pizzicato Five, também está no álbum.

Já há algum tempo, o Pato Fu postou duas amostras do novo trabalho: Primavera (Cassiano) e Live and Let Die (Paul McCartney).

O tipo de trabalho que nos faz querer comprar o CD em vez de simplesmente baixar as músicas.

[e aflora os instintos maternais mais adormecidos]

Lady Gaga, musa transmidiática

12 jul

Apesar das ameaças constantes, ninguém conseguiu tirar Madonna do trono da música pop. Mas se nesse vasto reino há um condado transmidiático, ele é todo dominado por Lady Gaga. Goste-se ou não da cantora, é inegável a inteligência e eficiência dela (ou de sua equipe) em utilizar os recursos das redes sociais, dos dispositivos móveis e da tecnologia em geral para alavancar sua carreira.

Segundo Henry Jenkins, o autor do conceito, a cultura transmidiática se baseia num tripé que une convergência midiática, cultura participativa e inteligência colaborativa. Ou seja, trata-se de uma narrativa que “passeia” entre várias mídias, expandindo aquele universo. Mas nada disso consegue ir adiante sem a participação dos fãs. Mais do que a história em si, o que importa é como ela é contada, daí o grande sucesso de Lost, que acompanhava ao mesmo tempo em que direcionava o comportamento migratório dos fãs pelos múltiplos suportes (seriado, foruns, games, entre outros).

Nessa hibridação de conteúdos de “novas” e “velhas” mídias, podemos recorrer a Derrida e seus conceitos de suplemento e complemento. Simplificando, o complemento se adiciona a alguma coisa para que se complete, como num jogo de Lego em que as saliências da coisa se ajustam às reentrâncias do complemento. Essa é característica da transmídia, e talvez um dos exemplos mais elucidativos seja o do projeto The Tulse Luper Suitcases, do cineasta Peter Greenaway.

Isso é diferente do suplemento — que vemos em transposições e formatos multimidiáticos (um livro adaptado para o cinema, um show transmitido pela internet ou o site de uma novela). O suplemento, para Derrida, é exterior e um excedente a princípio desnecessário, já que se oferece a algo que já é completo. Ele não acrescenta, a menos que seja para substituir. Pense nas transmissões de shows ou desfiles de moda pela internet, elas não complementam, elas substitutem espetáculo ao vivo.

O mais importante é lembrar que não é uma transformação apenas tecnológica, mas cultural, em que o consumo tornou-se um processo coletivo e os consumidores agora são também produtores. O Pierre Levy sintetiza bem: a formalidade e a hierarquia das indústrias caem em decadência, enquanto as tendências apontam para o aumento da cooperação e da seleção individual.

E a Lady Gaga nisso tudo?

Ok, logo na introdução do seu “Cultura da Convergência”, Jenkins destaca a indústria fonográfia como uma das mais afetadas por essa nova forma de produzir e consumir a mídia. E a maioria das gravadoras ainda não sabe como lidar com a situação (tente incorporar no seu site um vídeo da EMI e verás). Daí vem a Lady Gaga, que teve seu clipe de Alejandro visto mais de 8 milhões de vezes em 48 horas, apenas em seu canal oficial no Youtube.

O clipe, aquele mesmo que foi dado como morto na virada dos anos 90 para os 2000 (vai entender, na mesma época em que Spike Jonze, Chris Cunninghan e Michel Gondry faziam seus trabalhos mais inspirados). Mais um motivo para querer falar sobre Lady Gaga: ela reabilitou um formato. Inclusive seu empresário, Troy Carter, já afirmou que os vídeos da cantora são concebidos pensando no Youtube e seu potencial viral.

Aí entramos na seara da participação do prosumer (consumidor produtor), aquele que recria em cima do que foi jogado por Lady Gaga na rede, a exemplo das apropriações feitas pelos fãs de Star Wars. Basta colocar “Bad Romance” na busca do Youtube e teremos versões do clip em desenho animado, em Lego, The Sims, além de inúmeras paródias que sua gravadora nem pensa em coibir.

Dave Kusek, vice-presidente da Berklee College of Music e responsável pela gerência de música digital da escola, deu um passo a mais ao falar da conexão emocional de Lady Gaga com seus fãs e de como isso funciona na prática em termos de marketing. Por exemplo, ao tatuar em seu próprio braço o apelido dos fãs (little monsters, em referência a seu álbum Fame Monster) e mandar por e-mail, ela cria uma conexão emocional com os fãs, passa a idéia de comunicação contínua e ainda mantém um belo banco de dados. Na entrada dos shows, são cadastrados também os números de celulares dos fãs. Um deles recebe uma ligação de Gaga no meio do show para conhecê-la no camarim. Isso proporciona ao fã um experiência exclusiva, uma espécie de prêmio pela fidelidade. Para sua gravadora, mais uma importante ferramenta para mapear os fãs.

Lady Gaga é presença constante também nas redes sociais, com milhões de conexões no Facebook e seguidores no Twitter, que recebem informações em primeira mão em tom pessoal, sem a cara de tuítada de assessoria. Os fãs se sentem ainda mais privilegiados por serem autorizados a captar imagens dos shows e disponibiliza-las no Youtube, Facebook, Flickr, enquanto a chamada “mídia oficial” sofre restrições para fazer o mesmo, motivando o fã a ser o seu maior divulgador e defensor.

Chegamos então no outro ponto-chave da estética transmidiática: a criação de um universo pelos fansumers (fãs consumidores). À vontade com as competências participativas, não apenas se apropriam das imagens dos clipes e shows e os remodelam como bem entendem, mas também expandem esse universo em outros meios, tendo a internet como sua principal plataforma: surgem aí a WikiGaga (um dicionário com os termos e expressões do universo Gaga), o GagaDailyFashion (com seus looks), os Gagagames de todo tipo e inúmeros tutoriais de make up de suas apresentações e clipes, por exemplo.

Todas essas iniciativas de fãs convivem lado a lado com seus canais oficiais (site, Twitter, Facebook, Youtube), além de um site “semi-oficial”, o blog de Nicholas Formichetti, figura central da Haus of Gaga, coletivo que cuida de sua imagem. São os velhos sentimentos de pertencimento, participação e valorização. Junto a uma série de “mandamentos” criados por Formichetti, surgiu o tal “Gagaísmo”.

Prejuízos?

Lady Gaga conseguiu então ser o melhor exemplo de artista da grande indústria musical a usar a cultura digital a seu favor. Aí você me pergunta se tanta liberdade aos fãs não acarreta prejuízos. Não é o que os números dizem: em 2009, ela conseguiu vender 20 milhões de singles digitais e 8 milhões de álbuns, o que fez dela uma das artistas mais bem sucedidas do ano. Com apenas três clipes (Just Dance, Poker Face e Bad Romance), bateu o recorde de 1 bilhão de acessos em vídeo na internet. Isso sem falar na renda gerada pelos seus shows, sempre lotados…

Com sua imagem ampliada e replicada em diversas mídias (ainda que de forma incontrolável), Lady Gaga se tornou um negócio rentável para parcerias. Sua excentricidade e exuberância visual é mantida por marcas de vanguarda, como Alexander McQueen e Gareth Pugh. Em seu penúltimo clipe, Telephone, uma super-produção com mais de 9 minutos de duração, não faltam ações de marketing explícitas ou implícitas de grandes marcas, como LG, Polaroid, HP e Diet Coke.

Ela ainda foi esperta o suficiente para serializar alguns de seus clipes (caso de Paparazzi e Telephone), ainda deixando um “to be continued” para atiçar a curiosidade dos fãs, o que impulsiona ainda mais a narrativa transmidiática, através de suas referências, citações e encadeamentos que os fãs tentam decifrar em fóruns e comunidades. Daí eu afirmar com total convicção que a indústria fonográfica deve muito a Lady Gaga na era da convergência digital.

É a elevação a enésima potência do que já caracterizava a cultura pós-moderna. Não há inédito ou individual e tudo pode ser relido, copiado, multiplicado nesse consumo coletivo de imagens. Inclusive a própria Madonna — para a raiva de muitos.

* * *

Pós-post Só explicando a origem do post: Quando tive que escolher um tema para o seminário da disciplina de Práticas Transmidiáticas, logo pensei em relacionar à moda e à minha dissertação. Mas após quebrar muito a cabeça, vi que não havia exemplos interessantes o suficiente, ou seja, a indústria da moda está vacilando por não perceber os retornos que as estratégias transmidiáticas podem lhe trazer. Não, não é só fazer um twitter da marca com algumas promoções ou mimar blogueiros com brindes, não…

Então enquanto me desesperava em busca de um tema, meu twitter baleiou por causa do lançamento de Alejandro, o aguardado novo clip da Lady Gaga. Eis que estava ali o meu tema, que — vejam só — ainda flertava com a moda, pois hoje em dia não há quem use a moda como mídia comercial melhor do que Lady Gaga. Depois de algumas observações da professora e dos colegas, achei interessante dividir o conteúdo com quem se interessa por transmídias.

Playlist para a Copa

2 jun

Podem estranhar à vontade, mas o tema de retorno desse blog não é moda. Não a deixei de lado, mas é inevitável não se deixar levar por esse clima pré-Copa. Não sou muito conhecedora de futebol, mas tenho essa paixão pela música e essa obsessão por playlists temáticas que me consomem. Então — segura, goleiro! — nosso playlist dedicado ao FUTEBOL:

Se fosse um campeonato, certamente a final seria entre Jorge (ainda Ben) e Moraes Moreira. A tabela não deixa dúvidas: consegui contabilizar pelo menos cinco músicas de cada um deles com a temática do futebol. Mas não faltam craques que dedicaram algumas linhas à redonda: Chico Buarque, João Nogueira, João Bosco, Gilberto Gil. Afinal “aqui é o país do futebol”, já escreveu Milton Nascimento, em música regravada por Elis Regina e Simonal, nos anos 70.

A propósito, foi justamente esse o momento mais profícuo para o cancioneiro futebolístico nacional. Fácil de entender: a seleção havia conquistado o tricampeonato no México, em 1970, com um time histórico, que contava com Pelé, Tostão e Rivelino. Ao mesmo tempo, o país vivia uma ditadura militar, que se aproveitava do clima de euforia para estabelecer um discurso de unidade nacional e prosperidade.

Por um lado, o governo utilizava em suas propagandas a famosa marchinha Pra Frente, Brasil, que conclamava todo o Brasil a dar as mãos, “todos ligados na mesma emoção, tudo é um só coração, pra frente Brasil, salve a seleção”. Chico Buarque não podia deixar barato. Compôs, com Francis Hime, Meu Caro Amigo: “Aqui na terra andam jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock and roll, nuns dias chovem e noutros dias fazem sol, mas o que eu quero é dizer é que a coisa aqui tá preta”.

Não que Chico Buarque tenha algo contra o futebol, todo mundo entendeu, né? Muito pelo contrário. Fundador, mantenedor e titular do Politheama, obviamente compôs o hino do clube, que se reúne religiosamente toda semana. É de Chico também O Futebol, que gravou para homenagear os ídolos Garrincha, Didi, Pelé e os menos conhecidos Pagão e Canhoteiro, numa linha, segundo o próprio, dos sonhos. Canhoteiro também foi a deixa para música homônima, de Zeca Baleiro, tendo sua versão mais conhecida a que ele divide os vocais com Fagner. Vale também as referências a Samba Rubro-Negro, de João Nogueira, e Linha de Passe, de João Bosco.

Nada como um Google na vida pra descobrir que existem 150 músicas relacionadas ao futebol registradas no ECAD. Número que considero baixo diante de cinco títulos mundiais, do Maracanã e de incontáveis campinhos de várzea Brasil afora. Em cerca de 120 anos de história oficial (não há unanimidade em torno da paternidade do futebol atribuída Charles Miller), os registros mais antigos de que me recordo são a citação de Noel Rosa em Conversa de Botequim (1935), o empolgante chorinho Um a Zero, de Pixinguinha (1946), Pé de Bola, de Moreira da Silva (1961), e O Juiz Apitou, de Wilson Batista (1942).

Um ano após o tetracampeonato, conquistado a duras penas em 1994, duas músicas fizeram sucesso: É Uma Partida de Futebol, do Skank, e a regravação que Os Paralamas do Sucesso fizeram para Um a Um, de Jackson do Pandeiro – este também um grande admirador do esporte, autor de Bola de Pé em Pé e também de O Rei Pelé (fico devendo os anos das músicas e os vídeos, pois o Google não ajudou). Gilberto Gil, que já tinha composto Meio de Campo, sucesso com Elis Regina, e mandando Aquele Abraço pra torcida do Flamengo, gravou O Balé de Berlim para o campeonato de 2006, mas não deu muita sorte: o Brasil não chegou nem às semifinais, e a música caiu no esquecimento. Do século 21, só consigo lembrar dessa e de Sou Ronaldo, do Marcelo D2.

Mas voltando à final do nosso campeonato. Ninguém dedicou tantas músicas ao futebol quanto Moraes Moreira, seja na carreira solo ou com os Novos Baianos, e Jorge Ben. Moraes ataca de Reis da Bola e Saudades do Galinho (composta quando Zico se despediu do futebol) e as menos conhecidas O Que É, O Que É, Vitorioso Flamengo e Ziriguidum. Mas Jorge bem é imbatível, em quantidade e sucesso: Deixa o Menino Brincar, País Tropical, Camisa 10 da Gávea (olha o Zico de novo!), Cadê o Pênalti?, Zagueiro e Ponta de Lança Africano (Umbabarauma). E, por fim, o “gol de anjo, gol de placa”, Fio Maravilha, em homenagem ao jogador Fio, que o processou para receber direitos pelo uso do seu nome. Jorge não se aperreou, mudou a música para Filho Maravilha e não tenho dúvidas de que o rebento lhe traz muitos louros até hoje.

E Jorge Ben levanta a taça!

Quando calaram Simonal

21 jul

* Se não viu o filme ou não conhece a história do Simonal, pare por aqui mesmo, ok? Não diga que não avisei…

filmeQuando estreou o documentário “Ninguém Sabe o Duro que Dei”, percebi que eu era uma das poucas que conhecia algumas daquelas melodias cheias de suingue do Simonal. Não foi pela TV ou pelo rádio que o ouvi. A “culpa”, digamos assim, é da minha mãe, que mesmo engajada na esquerda ainda conserva um vinil do cara, do fim dos anos 60.

Vez por outra ela comentava sobre o incrível sucesso nas rádios, programas na TV, fotos com carrões e como tudo foi água abaixo após um bafafá envolvendo o Dops, que lhe rendeu a fama de dedo-duro e o ostracismo. Pra mim era difícil visualizar toda essa febre de que minha mãe falava.  Nunca tinha visto nada sobre esse cara. Quando nasci ele já estava sumido há uns 10 anos. Eram apenas os relatos dela e um vinil velho.

A capa do disco mostra o negão todo-no-pano-passado, como se diz aqui no Ceará, óculos escuros, postura tô nem aí, tomando água de coco em plena areia da praia. O nome do álbum, “Alegria Alegria – Vol. 2″, estampado lá em cima. Um pouco mais embaixo do outro lado uma espécie de aviso, “quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga”.

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Após ver o documentário, me pareceu bem emblemático. Olhei o ano de lançamento do álbum, 1968. O mundo pegou fogo naquela época, mas Simonal não parecia estar nem aí. Ele só queria curtir a vida, alegria, alegria, ressaltar sua posição de negro vitorioso, bem sucedido, que invadia a praia dos brancos sem cerimônias. E é por aí que os diretores seguem: Simonal seria ingênuo e despreocupado demais pra se meter verdadeiramente nessa briga. Podia até ter mais simpatia por um lado do que outro, nada mais que isso. Mas chegado a se exibir, falar demais, meteu os pés pelas mãos…

Não apenas os depoimentos do amigos corroboram isso, mas também os dos que queimaram seu filme, após o fatídico episódio de 71. Admiráveis as falas sinceras de Sérgio Cabral, que o considerava superestimado, e Ziraldo, que admitiu: não havia como fugir da dicotomia naquela época, o Brasil era feito de bons e maus, a esquerda e a direita, sem meios termos. Os depoimentos de Jaguar soam desnecessários à primeira vista, mas depois se entende porque estão lá: mostrar o lado sacana da esquerda.

Várias vozes são ouvidas, inclusive a do contador, que detonou toda a história. Simonal acusou o funcionário de desfalque em suas contas. Não se poderia esperar que ele contratasse uma auditoria, né. Mas a surra encomendada foi muito mais do que uma surra, foi uma tortura nas dependências do Dops. Segundo o contador, Simonal foi conivente e inclusive viu seu estado no dia seguinte. Para amigos e parentes, ele não tomou conhecimento do que aconteceu ali. Achei honesto manter as duas versões. O que ficou mais claro é que, de um jeito ou de outro, ele errou — e errou feio. Não foi santo, fez a própria cova. Mas não perderam tempo antes de jogar a terra em cima.

É inevitável sair da sessão com algumas perguntas. A maior delas é “onde estavam os amigos de Simonal quando ele estava na pior, ferrando o fígado?”. Afinal gente como Pelé, Nelson Motta, Miele e Chico Anysio tinham voz no Brasil dos anos 70. Também não vimos seus pares, cantores. Passados mais de 30 anos do imbróglio, eles não foram capazes de fazer um mea culpa ou ainda acreditam que, sim, ele foi um delator fdp? Embora apareça aquele documento da Presidência da República, não foi possível ouvir alguém do Dops? Alguma das pessoas ligadas ao caso?

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São só alguns questionamentos que passaram pela minha cabeça e de vários que viram o filme. Mas, sim, agora deu pra ter uma idéia do tamanho do fenômeno Simonal. Já a dimensão do seu ostracismo se explica por si só. Se a idéia é resgatar o nome do cantor na história da música brasileira, precisaremos de mais um tempinho para ver se deu certo. Ainda não sei se seus disco estão sendo ou serão relançados, se há outros produtos a caminho. Só sei que o pessoal sai da sessão assobiando músicas que antes não conheciam. E isso é um bom começo. Lalala lalala…

A quem interessar, “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, de Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, está rolando pelo menos até quinta-feira, na sala 2 do Unibanco Dragão do Mar.

As roupas do rei

2 jul

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Segundo a People, Dennis Tompkins estava criando, junto com o rei do pop, o figurino para os shows de Londres. A idéia era trazer alguns modelos icônicos da carreira de Michael para o século 21: a jaqueta de Thriller ganharia fibras óticas que se iluminariam. Já as meias, luvas e casacos brilhantes seriam adornados por mais de 300 cristais Swarovski. Ricardo Tisci chegou a comentar que faria parte dos figurinos para o show. A Givenchy era uma das grifes que tinham sido adotadas pelo astro recentemente. Pena que não veremos a concretização desses planos.

Michael, o estilo de uma década e da temporada

26 jun

No início dos anos 80, a música não era só mais um prazer da audição. A música era agora também visual. Após as primeiras (e pontuais) experiências de Richard Lester com os Beatles, o videoclipe se consolidava e deixava de ser um registro de uma apresentação e se tornava um produto novo, com linguagem específica. Surgia uma indústria poderosa que teria seu maior apoio na MTV, que dava seus primeiros passos. O videoclipe de estréia da emissora, em 1981, foi o apropriado para a ocasião “Video Killed the Radio Star”, da banda The Buggles. Mas certamente o campeão de execução foi Thriller (by John Landis) — o mais caro, o mais inovador, o pioneiro em apresentar uma narrativa, etc.

Mais do que nunca a imagem era importante para vender o produto música. E Michael Jackson foi o rosto dessa indústria, junto com Madonna. Outros artistas negros já tinham feito sucesso (o próprio Jackson 5, do qual fazia parte no casting da Motown), mas nada que se comparasse ao fenômeno dos seus mais de 100 milhões de cópias vendidas com Thriller, até hoje. Deram-lhe um título — merecido, vale ressaltar — de  “Rei do Pop”, e sua indumentária tinha que fazer jus a ele. Era jovem, como ele e seu público, mas com toques de nobreza, como cabe a todo rei.

Os homens por trás do estilo de Michael eram os americanos Michael Bush e Dennis Tompkins, que desenharam quase todas as roupas usadas por ele em seus concertos. Trabalho bem sucedido: foram marcantes suas jaquetas militares estilizadas, as luvas com brilhos, as calças justas, as meias brancas, o chapéu Fedora, os óculos Ray Ban modelo aviador, os muitos dourados dos acessórios… Em meados dos anos 90, a carreira de Michael começava a declinar e ele bem que tentou um novo estilo mais ao gosto de época, calça preta, camisa branca aberta, com regata por baixo. Depois veio a fase alfaiataria impecável, com a qual enfrentou os tribunais. Mas nos ternos sempre tinha um douradinho, uma fita, um broche…

Bota-armadura de Michael, em 2001, e a coleção futurista de Guesquiere para Balenciaga, em 2007

Bota-armadura de Michael, em 2001, e a coleção futurista de Guesquiere para Balenciaga, em 2007

Foram manrcantes eu disse? Ainda são. Agora mais do que nunca. Por anos conhecida como a década do mau gosto, os anos 80 foram recentemente “perdoados”. Como esse titulo já foi ostentado pela década de 70, parece comprovada a teoria de que 20 anos é o tempo necessário para uma moda ser depurada e reabilitada. Com a década de 80 novamente bombando em leggings — alô American Appareil — polainas e ombreiras, associado aos 50 anos de idade do ídolo e anúncio de sua turnê, muitas marcas prestaram homenagem a Michael em suas coleções de inverno.

Jaqueta Balmain da Rihanna remete ao look de Michael em 1984

Jaqueta Balmain da Rihanna remete ao look de Michael em 1984

Os exemplos mais célebres são as luvas Louis Vuitton, as jaquetas Balmain, o paletó de tachas Givenchy, que Michael antenadíssimo inclusive acabou adotando em suas últimas aparições.

Nas passarelas locais, também ecoaram os gritos de Michael Jackson… (Mark Greiner, Lindebergue Fernandes e Piorski, no último Dragão Fashion):

mklilipiorski

Resumindo: reis não morrem, meu bem, saem de cena.

Delay

7 jun

Já tem mais de seis meses que me apaixonei por esses dois modelos Valentino completamente fora da minha R($)ealidade. Então, como de praxe, eu esperei. E não posso acreditar que até agora nenhuma marca brasileira “se inspirou” neles… Que delay é esse?

E mudando completamente de assunto… ouvi uma música do Preliminaires, o novo do Iggy Pop: Les Fauilles Mortes, que foi sucesso com Yves Montand. O velho dog mostrando uma faceta Serge Gainsbourg. Cara, amey. Tentando baixar o resto do álbum pra ver se corresponde às expectativas.

true love waits

25 mar

Ainda tentando me restabelecer da depressão pós-show. Fiquei mais de 24 horas sem palavras. Somente agora consigo ligar alguns pensamentos.  Entenda! Ainda estava no colégio quando ouvi Radiohead pela primeira vez. Terminei o fundamental, o médio, fiz vestibular, cursei uma faculdade, tranquei outra, concluí uma pós… Uma vida! E sofria ano após ano, com aquelas notas do Lúcio Ribeiro dizendo que desta vez estava certo, que eles vinham para o TIM ou outro festival qualquer.

Ok, true love waits…

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E lá estava eu entre 30 mil pessoas que veriam o show da melhor banda em atividade. Veja bem, no auge, não no fim da carreira. Mas eu ainda não acreditava. Veio Los Hermanos. Mais do mesmo. Era uma pausa no tempo que eles se deram, mas parecia mais jogo pra cumprir tabela de campeonato. Ou vai ver ficou essa impressão porque já vi uma meia dúzia de shows dele. Kraftwerk, classicão. Conhecia pouco, só as obrigatórias, Autobahn, We Are the Robots, The Model… Quem esteve em outros shows dos alemães reclamou, disse que foi igual. Para mim, que via pela primeira vez, foi bem legal. Gostei do uso dos telões, apesar dos descuidos, como o ponteiro do mouse e as luzes acesas em We Are the Robots.

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Mas por mais que eu tenha gostado, ainda assim o Kraftwerk não teria me feito atravessar o país.

Surpresa. O Radiohead subiu ao palco com pontualidade britânica. Digam o que quiserem, “manguem” a vontade, mas meu coração disparou. A primeira, uma música do “In Rainbows”, álbum que fui conhecer apenas horas antes, no avião. Depois uma do “Hail to the Thief”. Na sexta música, Karma Police. E eu pensei que realmente o show ia ser foda, afinal eles já estavam queimando um hit logo no comecinho do show. A platéia, todos  ”lost themselves” na segunda voz. Ao vivo, as músicas dos dois últimos álbuns ganharam uma força que não tinha percebido antes. Na volta, no avião, ouvi novamente, de uma maneira completamente diferente.

O repertório foi calcado nesses dois trabalhos, mas teve espaço para concessões. Bem mais do que em outros países. Talvez quisessem saldar a dívida das turnês anteriores que nos deixaram a ver navios. Hits deixados de lado na Europa e Estados Unidos ecoaram forte: Karma Police, Idioteque, Paranoid Android, Fake Plastic Trees e até mesmo Creep, a última, catarse coletiva. Mas também houve surpresas. Jamais imaginei ouvir Talk Show Host, um B-side da trilha sonora de Romeu + Julieta ou ainda True Love Waits, mesmo que tenha sido só um pedacinho na introdução de Everything In Its Right Place – essa mesmo inesperada para mim, pois achava que não funcionaria em show. Engano. [Set list completo aqui]

Tudo isso já estaria ótimo, mas a qualidade do som também surpreendeu. Nunca vi um som tão limpo, ainda mais em um lugar aberto, dava para perceber todas as nuances. As luzes – o que era aquilo!? – deixavam o cenário belíssimo. O telão em vez de mostrar o palco todo estático, era dividido, close em Thom York, close em todos. Pena as falhas em algumas músicas, afinal os telões eram a salvação para os 1.60m como eu.

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SHOW simplesmente. Com todas as letras maiúsculas. Sem firulas, sem “boua notche, Brazil, I love you”, sem camisa da seleção, sem sambinha ou bossa nova. Duas horas e vinte minutos de música, de entrega, sem playback, sem truque. Sim, porque isso também é interagir com o público. A melhor comunicação: o respeito. Três bis. Acho que vi o Thom York sorrir. Meu melhor investimento. Valeu cada centavo da dívida.

É claro que sempre terão aqueles critérios subjetívissimos que me fazem achar que o show poderia ter sido ainda melhor. Tipo tocar No Alarms, No Surprises, já que se entregaram ao hit mesmo. Ou ainda Black Star, sem motivo algum, apenas porque é minha favorita e eu tinha esperança de ouvi-la ao vivo.

Almost perfect, assim foi o show. Por que “almost”? Nada que dependesse da banda. Apenas aquela saída bizarra e perigosa de rebanho, a longa caminhada de volta que deixou o lugar que já era longe como jeito de “fim do mundo da puta que o pariu caralho”, até a desistência de encontrar um táxi livre e encarar o busão Pinheiros lotado, com gente até em cima do pobre do trocador. E claro, o show não foi melhor porque… deixa pra lá.

I want you to notice
When I’m not around
You’re so very special
I wish I was special

[ok, voltei a ter 13 anos, e daí?]

Fotos: Uol e Terra

Jack White é o cara!

15 mar

Ele tem três bandas e dá conta de todas. E é cada uma melhor que a outra. Depois do White Stripes e do Racounters, ele me aparece com essa Dead Weather. Seus companheiros são Alison Mosshart (The Kills) no vocal, Jack Lawrence (Raconteurs) no baixo e Dean Fertirta (Queens of the Stone Age) na guitarra. O primeiro single, óbvio, já está no Youtube:

Jack, tu se garante!

Porque o mundo precisa de beleza…

26 fev

… que existem momentos inspirados como esses:

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robert

o ensaio fotográfico que saiu no começo do mês na revista do jornal “The New York Times”. O fotógrafo italiano Paolo Pellegrin, da célebre agência Magnum, fotografando o cotidiano e os bastidores de alguns dos indicados ao Oscar. Kate Winslet de bobes antes da premiação do Globo de Ouro, Sean Penn fazendo um sanduíche em casa, Brad Pit fazendo a barba, Robert Downey Jr. dormindo no carro após um dia de gravações… Ai, como eu tenho inveja do talento dos bons fotógrafos…

ou esse outro, que peguei “emprestado” da Flávia Durante:

Amy Winehouse, apesar de toda a insanidade, da cara cheia, dos looks infames, dos escândalos com mulé alheia, cantando dignamente, com aquela voz que só Deus mesmo pra conservar.

Uh, elas estão descontroladas

4 dez

Elas, no caso, significa “eu”. Surtei e me endividei até o pé da testa (porque o pé do pescoço já estava comprometido com Maddie) e comprei o ingresso para ver o Radiohead em SP. Depois eu vejo como pago. O importante é que estarei lá, afinal ver o Radiohead ao vivo é um sonho que alimento desde… ahn, deixe-me ver… desde o Carlinhos!

Que Carlinhos?! Ô povo sem memória!

Cheguei em casa e estava enrolando até chegar 23:00 (aqui não há horário de verão), mas a venda já tinha começado uma hora antes. Ainda bem que existe alguém no mundo para nos avisar. Ao contrário da Madonna, foi tudo de uma facilidade impressionante. Em cinco minutos, fiz o cadastro, comprei os ingressos, paguei, recebi o e-mail de confirmação e quase morri do coração. Agora é contar com ofertas da Gol. Ajuda!

The Last Shadow Puppets

28 nov

Já vi alguns fãs reclamando da simplicidade desse clip. Não o acho tão simples assim. Só a coreografia talvez, mas dentro do conjunto do plano seqüência, com esse jogo de iluminação, uma discreta op art, seu quase p&b (um raro lance de cor nas meias-calças) e essa estética 60′s que eu AMO, fica tudo perfeito. Já tinha baixado a música e me apaixonado por ela há um tempo quando vi o clipe.

E o pandeirinho do Alex? Adorable!

No Youtube tem os três clipes (Standing Next to Me, The Age of Understatement e My Mistakes Were Made for You) e mais um bocado de versões acústicas gravadas em um estúdio em NY, como Meeting Place.

Happy! Happy! Everybody’s happy!

Sim, The Last Shadow Puppets é a banda que ocupa meu coração no momento. Muito melhor que Arctic Monkeys ou The Rascals. :)

A T4F(uck) tentou

18 out

… mas não conseguiu acabar com a nossa festa. Depois de madrugadas insones, milhares de macumbas bem sucedidas em todo o Brasil e medo de estourar o limite do cartão, ELES chegaram.

Neste momento existem mais cinco crianças felizes

Agora existem mais cinco crianças felizes no mundo

Beatles é coisa séria

26 mai

Não leio mais resenha de filme antes de assisti-lo. Quando vierem comentar, tapo os ouvidos. De agora em diante, só me entrego a um cinema sem expectativas. Depois de achar o trailler fofo, ler e ouvir elogios da amigos e da crítica, fui ver o tal do Across the Universe. A premissa é até boa: contar a história dos Estados Unidos nos anos 60 através de canções dos Beatles, e ainda com uma jovem promessa, o novo Ewan McGregor. Mas… ai, sono.

Não é péssimo, mas também não é brilhante como alardeado aos quatro ventos. É enfadonho, longo demais, tem problemas de conexão e o carisma do elenco é zero. Normalmente, a trilha é feita para o filme. No caso de Across the Universe, o caminho foi claramente inverso. Talvez por isso, a pobreza do roteiro, engessado às músicas, com excesso de informação e personagens que entram na trama sem função alguma, só para citar She Came in Through the Bathroom Window e justificar a execução de Dear Prudence, por exemplo.

Boas sacadas, como recontextualizar I Want You e Strawberry Fields Forever, politizando-as, são eclipsadas por outras, como aquela da viagem de ônibus e a tentativa de transformar a psicodelia em surrealismo na cena do lago. Dali deve estar se remexendo no túmulo depois daquelas bailarinas prateadas… Triste também ver as claras citações a Janis Joplin e Jimi Hendrix resumidas a um casal que se junta e se separa sem quê nem pra quê. Nem mesmo o figurino, indicado ao Oscar, se destaca, não é mais do que correto.

Talvez se não tivesse criado expectativa eu até tivesse gostado. Mas, sinceramente, saí frustrada. Assim, se for pra ver um musical com canções contemporâneas, prefiro Moulin Rouge. Se for pra acompanhar a hsitória americana, vou de Hair. Para ouvir uma trilha só com músicas dos Beatles, coloco I Am Sam pra tocar. E para ver o “novo Ewan McGregor”, fico com o velho Ewan McGregor mesmo — que a propósito teria sido bem mais ousado na citação à foto de Annie Lebovitz, super apropriado à época retratada. A filmografia do moço tá aí pra provar.

Sei lá, podem me chamar de rabungenta, mas pra mim Beatles é coisa séria.

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