Arquivo para Outubro 17th, 2008

Chega de economês! E o trend?

Embora Vivienne Westwood tenha mostrado sua coleção Primavera/Verão 2009 no primeiro dia de desfiles com um lema condizente com o momento – “Em tempos difíceis como este, vista-se com elegância e faça você mesmo” – e Alessandra Facchinetti tenha sido rifada da Valentino, os efeitos da crise nas coleções só serão sentidos de forma mais evidente na próxima temporada. Por esse mês os estilistas da fashion week de NY reivindicaram mais tempo para concluir suas próximas coleções, criando uma desavença com os participantes da semana londrina que ficariam expremidos antes de Paris.

Provavelmente as coleções futuras virão mais simples, austeras e sóbrias. A história mostra que, em tempos conflituosos, essa é a regra. Exemplos não faltam: Guerras, Crash de NY, 11 de Setembro… Dessa vez não deve ser diferente. Não pega bem se vestir de decotes e babados pink enquanto cem mil famílias são despejadas, por dia, no Reino Unido, porque não conseguem pagar por suas casas. Certo que o preço de uma peça de grife continuará sendo absurdamente ostensivo, suficiente para bancar comida para um recém-desempregado da indústria automobilística por um ano. Mas sem dilemas morais. É assim mesmo, e não só na moda. Sem julgamentos, ok?

Márcio Madeira / Reprodução

Fotos: Márcio Madeira / Reprodução

Não sei se por terem antecipado o que viria ou se por mera coincidência, quem já deu esse choque de realidade acabou se sobressaindo na temporada, como Raf Simons, para Jil Sander (foto acima). Não vou me alongar. O About Fashion já fez um post bem bacana sobre isso. Vale a pena conferir. E como a moda é cíclica, quando a poeira assentar, esperemos por um mundo mais colorido, florido e suave, como também sempre acontece nos períodos pós-crise. Sim, crise é um caldo de oportunidade. Dior que o diga! Uniu a necessidade da indústria têxtil francesa de se desfazer de seus estoques ao desejo de uma sociedade que se achava no direito de ser bela e elegante de novo. Bingo! Metros de tecido, uma nova silhueta, mulheres felizes, homens orgulhosos e o nome cravado na história.

E eu com isso?

Se eu não compro Dior ou Chanel mesmo, o que eu tenho a ver com isso? Não existe só luxo na Europa e EUA. A C&A nossa de cada dia, por exemplo, é holandesa. Mas mesmo na raiz do meu Brasil brasileiros sobram alguns respingos. Digamos que eu seja dona de uma confecção e estava contando com um empréstimo de um banco brasileiro para pagar algumas dívidas, comprar umas máquinas ou contratar mais gente para atender as encomendas de Natal. O fato é que o crédito minguou no mundo todo, aqui também. Então, nêga, eu ia ter que me virar. Alguns planos podem ser adiados – os equipamentos novos, por exemplo – mas outros não. Se me encomendaram, eu tenho que entregar. Se eu tenho dívida, é melhor pagar. Em resumo, é aquela história de cobrir os pés descobrindo a cabeça. E na maioria dos casos, quem fica descoberto e acaba pagando a conta é o consumidor.


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