Arquivo para Setembro 2nd, 2007

A rua é o mundo – II

Street-style blogs: são assim chamados os blogs (ou fotologs) dedicados ao estilo do cidadão comum. Em vez de avant-premières, festas e tapetes vermelhos, esses fotógrafos freqüentam saídas de cinema, escolas, praças, shopping centers… enfim, qualquer lugar onde você, caro fashionista anônimo, pode estar. Paparazzi? Não. Não, por trás das lentes, outra pessoa comum, assim como eu e você.

O mais famoso, sem dúvidas, é o The Sartorialist, mantido em Nova York, por Scott Schumann. O pioneiro, porém, foi o fotógrafo amador Shoichi Aoki, que em meados da década de 90, saiu pelas ruas de Harajuku, em Tokyo, fotografando estilosos anônimos. Mas o maior responsável pela febre é o suiço, radicado em Paris, Yvan Rodic. Seu Face Hunter traz os looks mais inusitados da cidade-luz e de qualquer outro lugar por onde passe. Aqui, no Brasil a onda ainda está começando…

O site Chic fez o favor de facilitar o nosso trabalho e listar os blogs mais badalados da fashion rede:

. Hel Looks – registra a juventude cool de Helsinque, capital da Finlândia.

. Tokyo Street Style – a navegação é bem chata, mas os japoneses, mestres da moda de rua, não podem ficar de fora.

. The Clothes Project – traz fotos de Singapura, e se esforça em decifrar o look e o personagem registrado.

. Stiliberlin – os jovens alemães sabem das coisas.

. Moscow Street Fashion – tem legendas em russo, mas isso não atrapalha.

. City Runway – de Buenos Aires.

. São Paulo Style – foi encontrado por acidente, mas vale o registro só por ser da vizinhança. Ainda pouco atualizado, tem fotos na Galeria do Rock, na Paulista, no Ibotirama…

A rua é o mundo

StockholmPrimeira fila que nada. Parece que o lance para o próximo ano é olhar pela janela. Sabe esses blogs que fazem sucesso mostrando o real life das grandes cidades? Pois é. Enquanto você ainda está escolhendo que legging comprar, já se trabalha com o street para 2008. A SPFW, por exemplo, já trouxe isso na temporada de verão 2007, um ano atrás, mas com forte perfume de anos 80, cheio de smiles e pichações. Foi nessa época que surgiu a Vision Street Wear, resultado das criações de Brad Dorfman para os skatistas, que deram início ao que conhecemos como moda street – ou seja, roupas largas, descombinadas e sem comprometimento com as passarelas.

Agora, a onda é outra. Em vinte anos, muita coisa mudou. Temos aí internet, celulares que só faltam falar (ainda não falam?) e as máquinas digitais já cabem no bolso de muita gente. Street wear, em tradução literal, é moda de rua. Mas que rua? Até Fidel Castro usa seu abrigo Adidas, aquela marca para a qual a britânica Stella McCartney faz coleção, que é hit entre os descolados paulistanos e objeto de desejo dos órfãos do Noise 3D, em Fortaleza. Os manos do Capão Redondo estão cada vez mais próximos, pelo menos esteticamente, dos gangsta rappers que aparecem na MTV. E as gírias da periferia paulista não são também usadas pelo movimento hip hop do Pirambu, tá ligado?

Shibuya… TokyoNesse mundo cheio de conflitos, a moda também se encontra no dilema entre cultura global e identidade. Até agora, parece que o resultado tem sido bom. Os japoneses mantém a maestria no estilo. Embora raramente conservem seus cabelos pretos, lisos e retos, ninguém usa mais sobreposições do que eles. E o que é isso? Nada mais do que o conceito por trás do milenar kimono, que sobrepõe várias camadas para que juntas formem uma dobradura extremamente elaborada. Isso sem falar nos personagens de mangá soltos pelas ruas de Tokyo. Daí se pensa no descompromisso blasé de Paris ou nos basket boys de NYC.

Falei em conflitos? O conceito do street wear transita entre o escapismo e o engajamento. Tradução para as vitrines: formas amplas, soltas, livres com ganchos longos; apliações de estêncil, sinalizações coloridas e grafismos, com alertas sobre o aquecimento global ou pedidos de paz, entre outros; peças recobertas com resinas em marrom, cinza e preto, dando a impressão de gasto, e influências de esportes.

Despeço-me com um perguntinha: e o Brasil? Por que a dúvida? Por causa de uma comunicação de moda muito própria nossa, a novela. Ora, pense bem: a moda da rua vai para as novelas ou vice-versa?

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O que você me diz, Bebel?


A autora

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